Seek in the obscure of the night the reason to wake up every morning, a goal, a future, a principal to follow and to kill the halo inside. The thunder strikes and the dark and rainy night becomes enlightened, the animal inside you wakes to a higher life, a power unknown, a will to kill and to be killed that has been taking over your mind lately. You sit and watch the clouds become a light blue, the light of the thunder falling down. And the thunder is nothing more than the wrath of the Earth against humanity for all the sins, for all the damaged, for all the mistakes. And you're just another dead beat that moves around the Earth, a mute sound that is always corrupt.
You're less than zero. You won't even count to the statistics of the sadistic's that you admire so. In the black, you'll only be a shadow, a burden, a leaf that won't burn. The excitement is dead and you're just making things worse with your presence, with your words, your look, your life. You're the source of all pollution and death, you're the horror of mankind since the beginning of your times. You're the curse of God and the unwilling helper of Jesus as he walks spreading his lies and deceives. No matter. You'll walk on this Earth for long. Breath for a while before you forget these words.
Faked smiles, faked life's, you brought this to us. Pull the strings and watch life pass by for a little favour from the Devil. You can't deny it, you can't hide the desire to break free, you won't just realise, this is only a dream.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Lembrança esquecida
As ruas em que caminham transformam-se todas numa, uma fusão automática mas nunca vista, apenas sentida. A rotina traz o tédio, a monotonia de caminhar sempre a mesma rua sem qualquer objectivo, apenas tempo que passa, minutos que passam e que me aproximam da morte, tempo esse, perdido por todas as interacções, desperdiçado pela sociedade sem nenhuma finalidade. Mas ainda me movo, ainda caminho até a lado nenhum, para fazer nada, apenas me sentar no meio da escuridão e viciar-me no que sou, este ser fechado que me tornei com o tempo. Tempo que continua a ser abstracto e relativo.
Todas as cores se preenchem de futilidade, não parecem verdadeiras, todas mutantes, todas mudam quando a noite chega, trazendo a tão aguardada escuridão que complementa a minha solidão. E sinto-me nostálgico, relembrando tempos perdidos, palavras ditas para serem esquecidas mas que nunca realmente abandonaram a minha mente. Parece tudo tão em vão, sem finalidade, todas as acções, todas as ruas, todas as cores. Mas ainda aqui caminho, ainda aqui passo e observo o quão fora de contexto estão as pessoas que caminham na rua, sempre contra mim, pensando que a vida tem um objectivo, nunca se apercebendo que esse objectivo é morrer no esquecimento.
Nada. Nenhum monumento, nenhuma pessoa, nenhuma mente, nem sequer nenhuma alma, o mais essencial do ser, será relembrado e homenageado ou odiado para o resto dos tempos. A humanidade existe para destruir enquanto que se destrói a si própria. E ninguém responde, ninguém pensa, ninguém quer saber das perguntas essenciais, da alma, das coisas que devem ser preservadas. Tudo cai no esquecimento e nenhuma acção o evitará. E mesmo eu serei nada mais do que zero, apenas mais uma peça do puzzle que não encaixa em sítio nenhum, que não se agarra a outra peça e se mantém colada para sempre. Não deixo, mesmo assim, de me importar com ela, de me agarrar com toda a força à sua alma. E seremos duas peças de puzzle desencaixadas mas sempre coladas.
Todas as cores se preenchem de futilidade, não parecem verdadeiras, todas mutantes, todas mudam quando a noite chega, trazendo a tão aguardada escuridão que complementa a minha solidão. E sinto-me nostálgico, relembrando tempos perdidos, palavras ditas para serem esquecidas mas que nunca realmente abandonaram a minha mente. Parece tudo tão em vão, sem finalidade, todas as acções, todas as ruas, todas as cores. Mas ainda aqui caminho, ainda aqui passo e observo o quão fora de contexto estão as pessoas que caminham na rua, sempre contra mim, pensando que a vida tem um objectivo, nunca se apercebendo que esse objectivo é morrer no esquecimento.
Nada. Nenhum monumento, nenhuma pessoa, nenhuma mente, nem sequer nenhuma alma, o mais essencial do ser, será relembrado e homenageado ou odiado para o resto dos tempos. A humanidade existe para destruir enquanto que se destrói a si própria. E ninguém responde, ninguém pensa, ninguém quer saber das perguntas essenciais, da alma, das coisas que devem ser preservadas. Tudo cai no esquecimento e nenhuma acção o evitará. E mesmo eu serei nada mais do que zero, apenas mais uma peça do puzzle que não encaixa em sítio nenhum, que não se agarra a outra peça e se mantém colada para sempre. Não deixo, mesmo assim, de me importar com ela, de me agarrar com toda a força à sua alma. E seremos duas peças de puzzle desencaixadas mas sempre coladas.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Novo mundo
A noite veste-se de negro no mundo futuro, contaminando tudo com a isolação e o silêncio, o mundo perfeito, feito para todos e para a eminente destruição de todo o ser vivo que vagueia sem qualquer objectivo ou sonho nesta terra. As estrelas brilham nos céus poluidos de ruidos reservados ao Apocalipse, chegando a qualquer hora, abatendo-se sem piedade sobre a terra, reconstruindo o mundo para mais uma civilização condenada, mais um guerreiro que crucificará o seu senhor e nunca mais morrerá mas nunca vivendo realmente.
As árvores outrora verdejantes assumem o cinzento morto de toda a vida e oxigénio retirado delas, sacrifício para a melhoria de vida após a morte do seu ser, do seu deus, da alma do planeta agora preenchido de buracos e zonas mortas, corroídas de ódio e pecado. Mas estes seres não sentem, perderam a alma e deram a mente, apenas zombies que caminham, não constroem, não destroem, não amam, apenas odeiam, e, com todo o seu ódio, fazem tudo o que tem cor arder ou morrer lentamente na tortura do aprisionamento e retiramento da alma. Coração retirado para o ver bater e admirar o seu movimento.
Pedras caem do céu e esmagam toda a terra. O novo mundo começou a ser construido, os pecados e erros seram esquecidos. Os tambores de guerra tocam no fundo anunciando a chegada da morte, uma visão negra no Sol poente no horizonte. Os seus olhos brilham intensamente no meio de toda a escuridão que o envolta, o seu corpo, nada mais do que ossos, move-se lentamente à visão humana mas na realidade move-se mais do que alguma vez o planeta girará. Ele retira o manto de cima da sua cabeça e mostrar o sorriso de pura felicidade que cobre a sua face. Um novo mundo espera para crucificar a sua vida.
As árvores outrora verdejantes assumem o cinzento morto de toda a vida e oxigénio retirado delas, sacrifício para a melhoria de vida após a morte do seu ser, do seu deus, da alma do planeta agora preenchido de buracos e zonas mortas, corroídas de ódio e pecado. Mas estes seres não sentem, perderam a alma e deram a mente, apenas zombies que caminham, não constroem, não destroem, não amam, apenas odeiam, e, com todo o seu ódio, fazem tudo o que tem cor arder ou morrer lentamente na tortura do aprisionamento e retiramento da alma. Coração retirado para o ver bater e admirar o seu movimento.
Pedras caem do céu e esmagam toda a terra. O novo mundo começou a ser construido, os pecados e erros seram esquecidos. Os tambores de guerra tocam no fundo anunciando a chegada da morte, uma visão negra no Sol poente no horizonte. Os seus olhos brilham intensamente no meio de toda a escuridão que o envolta, o seu corpo, nada mais do que ossos, move-se lentamente à visão humana mas na realidade move-se mais do que alguma vez o planeta girará. Ele retira o manto de cima da sua cabeça e mostrar o sorriso de pura felicidade que cobre a sua face. Um novo mundo espera para crucificar a sua vida.
domingo, 18 de novembro de 2007
Feel
I feel you here. I fell that you hear my breathing, I hear yours. I can fell your touch, your hand in my chest feeling my heart beating and repeating the same words "Your heart is beating fast" and all I hear is "I'm afraid". I'll give you the same old answer "I'm here, with you, that's how I know that I'll die happy, it it happens to be now". You close yourself again because you know that I've touched deeper. I'll only continue it if you want me to. Control, power, life, gave it all away in a second just for a true smile in your face.
I don't want to wake up anymore feeling dependent to anyone or anything, I just want to wake up and be sure that you like me even a little, just enough for me to feel safe and to know that you're only mine. Selfish, I know. Possessive, maybe a little bit but it's all because I like you. Just a will for monogamy. And the words you write don't seem to have a meaning, your actions only raise the fears in my mind. Trying not to control, a mistake, one more sin, I back away into the closure where I fell safe, where I know that no one can see me cry in desperation. Tell me I'm wrong, show me you mean what you write, that your actions aren't reasons to feed my fears.
The black outside my window covers the world and the little lights always stand in the background waiting for a chance to shine more. But that black isn't as big as the black in my mind because that black covers my Universe, dysfunctional and incorrect, once and always self-destructive. I'll seek in the cloudy sky a void where your star shines and see in it the comfort and confidence, acknowledge that I'm not another passing phase. And words, they seem to be nothing at all. Make me feel, once again.
I don't want to wake up anymore feeling dependent to anyone or anything, I just want to wake up and be sure that you like me even a little, just enough for me to feel safe and to know that you're only mine. Selfish, I know. Possessive, maybe a little bit but it's all because I like you. Just a will for monogamy. And the words you write don't seem to have a meaning, your actions only raise the fears in my mind. Trying not to control, a mistake, one more sin, I back away into the closure where I fell safe, where I know that no one can see me cry in desperation. Tell me I'm wrong, show me you mean what you write, that your actions aren't reasons to feed my fears.
The black outside my window covers the world and the little lights always stand in the background waiting for a chance to shine more. But that black isn't as big as the black in my mind because that black covers my Universe, dysfunctional and incorrect, once and always self-destructive. I'll seek in the cloudy sky a void where your star shines and see in it the comfort and confidence, acknowledge that I'm not another passing phase. And words, they seem to be nothing at all. Make me feel, once again.
sábado, 17 de novembro de 2007
Encanto lunar (verniz preto II)
Observa as crianças a brincarem na rua inocentemente, não cientes da guerra que se dá mesmo ao lado deles, das almas perdidas que os vigiam, que planeiam a sua morte com vinganças, nada mais do que peças num jogo de xadrez, controlados por mim e por ti. Repara no sorriso das crianças nas suas faces, dos olhares de felicidade, de todo o bom à sua volta, aquela barreira frágil que os envolta, a mesma que será morta pelo tempo, a que está neste momento a suportar o terror da realidade e da morte.
Vê os tanques em movimento, esmagando tudo na sua frente, sem piedade, sem consciência, frio, sem alma, avançando em direcção às crianças, lentamente, tão lentamente quanto o vento sopra nas tardes de verão. Fé morrendo lentamente, deixando os corpos para desvanecer no ar, cobrindo tudo. E tudo devido à tua miséria, pintada por ti, preenchida de cinzento até nunca mais parecer o que outrora foi. E os tanques mantêm o seu caminho, frios como sempre, pintados de branco para ilusão do ser desprevenido, mais uma vitima do teu encanto lunar. As flores desaparecem no chão pisado pelo tanque.
Escondo-me no canto, tapando-me com a escuridão, a minha amiga, o meu sinal de insanidade, tentando não ver o ódio e a sede de vingança nos teus olhos. Esse olhos que outrora foram inocentes e preenchidos de felicidade. Mas tudo morreu, o teu mundo colapsou, tudo que amavas e tudo o que acreditavas nunca mais voltou, nunca mais verás ou sentirás os sentimentos essenciais ao calor humano. Não estás sozinha nesta solidão de alma, no negativismo que se formou dentro de ti pelos pecados do tempo. E foste tu que me salvaste de permanente condenação, simplesmente ao existires.
Vê os tanques em movimento, esmagando tudo na sua frente, sem piedade, sem consciência, frio, sem alma, avançando em direcção às crianças, lentamente, tão lentamente quanto o vento sopra nas tardes de verão. Fé morrendo lentamente, deixando os corpos para desvanecer no ar, cobrindo tudo. E tudo devido à tua miséria, pintada por ti, preenchida de cinzento até nunca mais parecer o que outrora foi. E os tanques mantêm o seu caminho, frios como sempre, pintados de branco para ilusão do ser desprevenido, mais uma vitima do teu encanto lunar. As flores desaparecem no chão pisado pelo tanque.
Escondo-me no canto, tapando-me com a escuridão, a minha amiga, o meu sinal de insanidade, tentando não ver o ódio e a sede de vingança nos teus olhos. Esse olhos que outrora foram inocentes e preenchidos de felicidade. Mas tudo morreu, o teu mundo colapsou, tudo que amavas e tudo o que acreditavas nunca mais voltou, nunca mais verás ou sentirás os sentimentos essenciais ao calor humano. Não estás sozinha nesta solidão de alma, no negativismo que se formou dentro de ti pelos pecados do tempo. E foste tu que me salvaste de permanente condenação, simplesmente ao existires.
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Cheiras a leitinho
Estava no outro dia muito bem perdido no meu sono quando pensei "e se a radioactividade fosse geneticamente transmissível?". É que existem pessoas que cheiram mesmo muito mal e que a única explicação que encontro para tal é que ou a casa é feita de lama (incluindo a mobília) ou nasceram com radioactividade nas hormonas. E agora vocês perguntam, o que é radioactividade? Bom, se dividirmos a palavra em dois, a explicação lógica seria de qua radioactividade é a actividade de um rádio. Não neste caso. Neste caso é mesmo o sentido puro da palavra.
Propriedade que corresponde à desintegração espontânea efectuada por átomos de certos elementos instáveis que se transformam em átomos de outro elemento, acompanhada de emissão de radiação. Thanks to http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx
O pior no meio disto tudo é que essas certas pessoas não pegam fogo (foi tentado mais do que uma vez, não por mim). Já não chega o mau cheiro que deixam no ar, notado até pelas pessoas mais insensiveis (colegas), criticado até por pessoas que são sensiveis ao ponto de se calarem quando estão irritadas (professores). Faziam um favor à humanidade e desapareciam. Ou tomavam banho e mesmo assim desapareciam.
Mudando de assunto para um mais agradável. É mesmo a expressão "cheiras a leitinho". A expressão mais usada na mesa de matrecos da 2ª escola mais chuladora do país (em 1º está outra qualquer que não me apetece pesquisar). É mesmo usada quando não se consegue ganhar aquelas malditas pessoas que parecem que põem cola nos pés dos jogadores e conseguem ser ninjas rematando dez mil vezes no espaço de um segundo até que a bola entre na baliza. Nem os olhos acompanham quanto mais as mãos. E também existem aquelas pessoas que rematam com mais força com os defesas do que eu a fazer roleta com o guarda-redes. É frustrante e, acima de tudo, mais um motivo para me dedicar à pesca.
Propriedade que corresponde à desintegração espontânea efectuada por átomos de certos elementos instáveis que se transformam em átomos de outro elemento, acompanhada de emissão de radiação. Thanks to http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx
O pior no meio disto tudo é que essas certas pessoas não pegam fogo (foi tentado mais do que uma vez, não por mim). Já não chega o mau cheiro que deixam no ar, notado até pelas pessoas mais insensiveis (colegas), criticado até por pessoas que são sensiveis ao ponto de se calarem quando estão irritadas (professores). Faziam um favor à humanidade e desapareciam. Ou tomavam banho e mesmo assim desapareciam.
Mudando de assunto para um mais agradável. É mesmo a expressão "cheiras a leitinho". A expressão mais usada na mesa de matrecos da 2ª escola mais chuladora do país (em 1º está outra qualquer que não me apetece pesquisar). É mesmo usada quando não se consegue ganhar aquelas malditas pessoas que parecem que põem cola nos pés dos jogadores e conseguem ser ninjas rematando dez mil vezes no espaço de um segundo até que a bola entre na baliza. Nem os olhos acompanham quanto mais as mãos. E também existem aquelas pessoas que rematam com mais força com os defesas do que eu a fazer roleta com o guarda-redes. É frustrante e, acima de tudo, mais um motivo para me dedicar à pesca.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Casulo
O retrato pega fogo, todas as memórias, lembranças que foram dadas como herdança, matando a crença e o cepticismo, matando o raciocínio que faz o ser, que cria o poder interior. Pregado a uma parede, o retrato morre lentamente e a nossa imagem desaparece nas águas profundas onde as ondas submergiram para nos acompanhar lentamente para o fundo escuro, onde a solidão domina, onde o paraíso se torna realidade e mesmo lá eu vou agarrar-me a ti para que nunca tenhas medo e para que nunca me deixes.
Não sei se devo sorrir ou se devo ausentar-me mais um bocado, não tenho palavras que sirvam para descrever o que me por dentro. Isolas-te no teu casulo, não querendo libertar a borboleta no interior, porque o medo domina o cérebro e a dor conquistou o coração, esse tal que eu toquei uma vez mas que se está outra vez a congelar. Sinto o frio das tuas palavras direccionadas a mim e baixo a cabeça, apenas com o pensamento de que poderei ter-te perdido para sempre. Tudo isto devido a esta maldita insegurança que também cresceu com o tempo. E o negativismo apodera-se.
Mato o oxigénio com o doce respirar, contamino tudo à minha volta, matando a alegria, matando a felicidade. E deixo tudo ao cargo de palavras pois são apenas estas que podem melhorar algo. Sinto o vento mudar de direcção, de se elevar e a desaparecer, a deixar de me empurrar na tua direcção. E então penso, és tu quem controlas o vento. Melhor, és tu própria a vontade do vento. A rebelião desaparece para dar lugar à ausência, demasiado sentida e torno-me demasiado sentimental, demasiado carente para ti. Então voltas a desaparecer, para as sombras do teu casulo onde domina a isolação.
Não sei se devo sorrir ou se devo ausentar-me mais um bocado, não tenho palavras que sirvam para descrever o que me por dentro. Isolas-te no teu casulo, não querendo libertar a borboleta no interior, porque o medo domina o cérebro e a dor conquistou o coração, esse tal que eu toquei uma vez mas que se está outra vez a congelar. Sinto o frio das tuas palavras direccionadas a mim e baixo a cabeça, apenas com o pensamento de que poderei ter-te perdido para sempre. Tudo isto devido a esta maldita insegurança que também cresceu com o tempo. E o negativismo apodera-se.
Mato o oxigénio com o doce respirar, contamino tudo à minha volta, matando a alegria, matando a felicidade. E deixo tudo ao cargo de palavras pois são apenas estas que podem melhorar algo. Sinto o vento mudar de direcção, de se elevar e a desaparecer, a deixar de me empurrar na tua direcção. E então penso, és tu quem controlas o vento. Melhor, és tu própria a vontade do vento. A rebelião desaparece para dar lugar à ausência, demasiado sentida e torno-me demasiado sentimental, demasiado carente para ti. Então voltas a desaparecer, para as sombras do teu casulo onde domina a isolação.
Retrato
Responde às minhas perguntas porque não sei o que significa o teu silêncio, que mensagem subliminar me deixas quando te afastas, quando me empurras, quando me viras as costas mais uma vez deixando-me sozinho no meio da rua a esforçar-me para não correr atrás de ti e te forçar a dizer-me uma palavra, a cruzar um olhar que seja, de ódio ou de afecto. Mas espaço te prometi, esse espaço te vou dar nestes tempos desestabilizados. Sei que não és minha, que não sou teu dono, nem que tenho o direito de te controlar e manter presa à tua casa a toda a hora. E sei que não é isso que te perturba, tal como sei que os teus sorrisos são falsos, feitos apenas para esconder a vergonha no interior.
Doi-me a alma só de pensar que poderás estar a escapar-me, que já não me queiras perto de mim. Por isso, sento-me e espero, escrevo algo mais, palavras, letras conjuntas que acabam sempre num narcisismo amaldiçoado, duradouro, nascido com este corpo inútil e alma fútil. Anarquia dos sentimentos, vindos do nada, talvez vindos das palavras trocadas, acções e pecados cometidos em conjunto. Agora mantenho-me em dor no silêncio, aquele mesmo que me deste, aquele que eu tento tirar-te com perguntas seguidas de perguntas enquanto as cartas caem na mesa e o jogo continua. Assustaste-te? Foi o meu aniversário um dia que desejaste com demasiada força que acabasse cedo? Até agora a minha mente explora essa hipótese, mais do que as outras.
Os olhos desfocam a visão do caminho à nossa frente e não sinto a tua mão agarrada à minha...
Doi-me a alma só de pensar que poderás estar a escapar-me, que já não me queiras perto de mim. Por isso, sento-me e espero, escrevo algo mais, palavras, letras conjuntas que acabam sempre num narcisismo amaldiçoado, duradouro, nascido com este corpo inútil e alma fútil. Anarquia dos sentimentos, vindos do nada, talvez vindos das palavras trocadas, acções e pecados cometidos em conjunto. Agora mantenho-me em dor no silêncio, aquele mesmo que me deste, aquele que eu tento tirar-te com perguntas seguidas de perguntas enquanto as cartas caem na mesa e o jogo continua. Assustaste-te? Foi o meu aniversário um dia que desejaste com demasiada força que acabasse cedo? Até agora a minha mente explora essa hipótese, mais do que as outras.
Os olhos desfocam a visão do caminho à nossa frente e não sinto a tua mão agarrada à minha...
terça-feira, 13 de novembro de 2007
A morte do autor
Não existem palavras, não existem leis. Apenas consciências fechadas perante o medo de penetrar no prazer, de ver a luz no fim do túnel, onde a escuridão e a cegueira dominam, em união e concordância, escapando à redundância da realidade e mostrando apenas as fantasias. Protegendo a porta para a alma, onde a verdade se esconde, onde a morte é a certeza da existência, a razão e o próprio Universo concentrado em si e sempre envolto de penumbra, retirando as energias para centrar a leitura da mente na conversação.
As marés mudam de direcção conforme a Lua se esconde ao olhar, tímida ou temerosa de que algo venha a poder tirar-lhe a pureza que a faz brilhar, a força para esconder ou recolher os raios de Sol, deixando isolada a inocência e a solidão. Solta-se o véu da parede e revela-se o segredo, o arrependimento, a maldição que te fazes sentir. Os quadros pendurados caem e partem-se no chão, espalhando vidro que cicatrizam o chão, que fazem sangrar, que trazem dor nesta auto-degradação.
A inspiração morre e o autor deita-se no chão, sangrando, pensando no ontem e no que nunca vai ser o amanhã, apercebendo-se que a morte não é nada mais do que um fragmento da alma, essa que constitui a realidade, que constrói os sonhos, que amaldiçoa mas que também arranja forças para perdoar e deixar aproximar, apenas para voltar a afastar pouco tempo depois. Leve luz que brilhas no escuro, guias o morto para o vazio, para o nada, para a sua eterna jaula onde o aprisionas e lhe dás prazer. Tortura-o, revive-o mais uma vez para lhe sugar o que lhe falta, a esperança da ilusão.
As marés mudam de direcção conforme a Lua se esconde ao olhar, tímida ou temerosa de que algo venha a poder tirar-lhe a pureza que a faz brilhar, a força para esconder ou recolher os raios de Sol, deixando isolada a inocência e a solidão. Solta-se o véu da parede e revela-se o segredo, o arrependimento, a maldição que te fazes sentir. Os quadros pendurados caem e partem-se no chão, espalhando vidro que cicatrizam o chão, que fazem sangrar, que trazem dor nesta auto-degradação.
A inspiração morre e o autor deita-se no chão, sangrando, pensando no ontem e no que nunca vai ser o amanhã, apercebendo-se que a morte não é nada mais do que um fragmento da alma, essa que constitui a realidade, que constrói os sonhos, que amaldiçoa mas que também arranja forças para perdoar e deixar aproximar, apenas para voltar a afastar pouco tempo depois. Leve luz que brilhas no escuro, guias o morto para o vazio, para o nada, para a sua eterna jaula onde o aprisionas e lhe dás prazer. Tortura-o, revive-o mais uma vez para lhe sugar o que lhe falta, a esperança da ilusão.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Excadescere amore (lacrima)
A isolação já começa a controlar a mente, bloqueando as imagens de ti. As lágrimas parecem secas e sem sentindo e o teu ódio e sede de vingança apenas diminui, substituido pela vontade de morrer, desaparecer e deixar maldição para sempre. Mas encontro em ti aquilo que queria, a única réstia de esperança e vontade de continuar a caminhar, o teu calor e amor humano que preservaste num canto da tua alma escondido e muito escuro. Então um sorriso aparece e ilumina aquilo que resta de mim. Então sento-me e espero.
De noite, os corvos cantam para ti. Dizem-te para onde caminhares, onde me encontrares, onde reviveres. Os anjos mantêm-se perto de mim, sempre perto de mim, com aquela expressão de dor e com pena nos olhos melancólicos, quase a chorar. Tentam aproximar-se mas sinto o medo deles, o receio de que o pior de mim possa vir ao de cima e que volte a ser o sanguinário que antes fui, o assassino de reis e rainhas apenas pelo prazer, apenas pela tortura. Até te encontrar, uma princesa, perdida no seu jardim, procurando uma rosa para por no cabelo.
Perdida na altura, concentrada na tua procura e não na tua localização, nunca olhaste para cima, nunca me viste a contemplar a tua beleza ao luar, escaldante e vermelha aos meus olhos. Estavas, então, coberta por um vestido branco de cetim, algo puro e pacífico, talvez uma das muitas coisas que acalmou o meu instinto e me deixou aproximar-me de ti, abrir-me para conheceres o monstro que reside no interior. O teu cabelo, preto como a noite que faz cerco a todas as estrelas, soltava um reflexo da luz da Lua que me cegou por momentos. E os teus olhos, verdes, perseguindo todos os ramos, todos os arbustos, a natureza em si, tentando encontrar a tal rosa.
Movimentava-me nas sombras e mesmo assim não reparavas nos rastos e pequenos barulhos que fazia. Olhei para ti e contemplei mais uma vez a tua beleza, inspirando-me a colher a rosa branca que tinha aos meus pés. Uma rosa, pura tal como tu, branca como o teu vestido, escolhida especialmente para ti, para tua felicidade. Então deitei um pouco mais de mim quando me piquei lá e deixei o sangue escorrer para as pétalas brancas. Esperei então por ti, estendendo o braço com a rosa branca para te oferecer, com um sorriso que não conseguia evitar ter na face, por mais que o tentasse esconder. Os olhos encontraram-se e o tempo parou, tudo congelou à nossa volta e a rosa foi a única coisa que se movimentou, de mão para mão. E na tua mão ficou quando correste de volta para o teu palácio, corada e desprotegida. Desde então te amei.
E agora olho para as lágrimas no chão que mostram o meu reflexo. Percebo que estarás ao meu lado, para sempre. É essa a tua verdadeira maldição.
De noite, os corvos cantam para ti. Dizem-te para onde caminhares, onde me encontrares, onde reviveres. Os anjos mantêm-se perto de mim, sempre perto de mim, com aquela expressão de dor e com pena nos olhos melancólicos, quase a chorar. Tentam aproximar-se mas sinto o medo deles, o receio de que o pior de mim possa vir ao de cima e que volte a ser o sanguinário que antes fui, o assassino de reis e rainhas apenas pelo prazer, apenas pela tortura. Até te encontrar, uma princesa, perdida no seu jardim, procurando uma rosa para por no cabelo.
Perdida na altura, concentrada na tua procura e não na tua localização, nunca olhaste para cima, nunca me viste a contemplar a tua beleza ao luar, escaldante e vermelha aos meus olhos. Estavas, então, coberta por um vestido branco de cetim, algo puro e pacífico, talvez uma das muitas coisas que acalmou o meu instinto e me deixou aproximar-me de ti, abrir-me para conheceres o monstro que reside no interior. O teu cabelo, preto como a noite que faz cerco a todas as estrelas, soltava um reflexo da luz da Lua que me cegou por momentos. E os teus olhos, verdes, perseguindo todos os ramos, todos os arbustos, a natureza em si, tentando encontrar a tal rosa.
Movimentava-me nas sombras e mesmo assim não reparavas nos rastos e pequenos barulhos que fazia. Olhei para ti e contemplei mais uma vez a tua beleza, inspirando-me a colher a rosa branca que tinha aos meus pés. Uma rosa, pura tal como tu, branca como o teu vestido, escolhida especialmente para ti, para tua felicidade. Então deitei um pouco mais de mim quando me piquei lá e deixei o sangue escorrer para as pétalas brancas. Esperei então por ti, estendendo o braço com a rosa branca para te oferecer, com um sorriso que não conseguia evitar ter na face, por mais que o tentasse esconder. Os olhos encontraram-se e o tempo parou, tudo congelou à nossa volta e a rosa foi a única coisa que se movimentou, de mão para mão. E na tua mão ficou quando correste de volta para o teu palácio, corada e desprotegida. Desde então te amei.
E agora olho para as lágrimas no chão que mostram o meu reflexo. Percebo que estarás ao meu lado, para sempre. É essa a tua verdadeira maldição.
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