terça-feira, 8 de janeiro de 2008

The words of a child

Spread the ashes to the stars as my wings burn upon your shadow,
See the scars the fill my face, becoming my being, incomplete and hallow,
Burn the autumn leaf in your head, watching it disappear trough the eyes of the Capricorn,
In the end all words are spoken, your curses weren't lifted but sworn.

Hear the sound in the black of the night, as the wolves cry to the moon,
Run away, into the nothing, the haunt begins, they'll be here soon,
Your string of life as made it's last stretching, the sound is now mute,
Scratch the surface in the search for safeness, reality is the horror, love the root.

The wind whispers to the sky words of knowledge and murder,
The blood in your hands are you tears, from the lie that you couldn't take any further,
Reply to the voices in your head in plain street, regretting another compromise, another reprise,
Dance at the rain because you can't take it any more, you're made of fire, burning with desire.

Complain that you can't handle the truth, that you're the end of the stage,
Walk once again in the shadows, retaining the tears, all made of rage,
The waters move towards the floor, handling the fall with peace,
Watching you waiting, breathing, running, continuously upgrading your pace.

What more is to be said,
Bewitched by your eyes,
Watch the words of the child, "you're sad",
Then blood doesn't run in your veins.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Desperta para mais um sonho

Que venha a verdade ao de cima, na escuridão da tua noite, onde a Lua se esconde, dando lugar às histórias nunca contadas a crianças para que podessem dormir à noite, em toda a sua inocência. As águas estão silenciosas, paradas, mortas por um encanto que esconde o bem, manipulando, controlando, matando, nunca deixando espaço para a verdadeira felicidade, para o sorriso de uma criança, mas nunca um sorriso verdadeiro. O medo, o desespero, tudo o que se encontra na tua mente, tudo o que é o teu mundo.
As palavras desvanecem nos teus braços à sua nascença, pois tu não queres que mais ninguém as veja. Elas contam histórias, contam visões, contam vidas, contam o teu passado. Inúmeros anos, perdidos amores, tempo gasto ou sacrificado para algo que realmente não interessa. Objectivos que mandam, mudam, servindo o seu único propósito de existir para que continues a viver. No final do dia não se sabe quem manda, se tu ou eles. Tudo depende de algo, tu depende do quê? Da escuridão que assola o teu mundo e esconde a verdade? Ou da única dependência de te esconderes em ti própria, matando a pouca existência à tua volta? Abre os olhos.
Abre os olhos, acorda para um outro sonho, uma outra realidade paralela, uma inexistência profunda e amaldiçoada, mantendo a rotina de variar a existência. Relaxa a cabeça de todos os ideais, deixa-te levar pelo vento seco que corta a pela tão facilmente, deixa o sangue escorrer para o chão pois ninguém mais do que eu é digno de o beber. E eu estou longe agora. Estou na existência da minha própria realidade, deste quarto fechado onde luto contra os meus próprios demónios, onde a única coisa que existe é uma janela para o vazio e, muito, talvez demasiado, afastada, uma janela onde te vejo todas as tuas noites. Fico-me pelo som mudo que deixaste na minha alma. Tenta contornar mais uma vez a destruição do teu quarto para que talvez, um dia, nos vejamos.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Amarië

Ouve o rufo distante dos tambores, o sinal de que os seres estão prontos para a batalha.
Observa o céu enquanto se pinta de preto anunciando o massacre que se vai suceder aqui.
Cheira o ar pútrido, outro anuncio da morte que assombra estes campos.
Sente o ar fresco que percorre todas as ervas negras, os fantasmas do passado vieram assistir à guerra.
Chora em vão o sangue derramado por ti, nesta terra dominada pela sombra.
Grita um som mudo para as montanhas, onde os seres se tornam senhores antes da sua morte.
Apercebe-te que a terra é opaca e que apenas um relance do teu sorriso é razão para partir para a guerra, que tu és o Sol que ilumina a vida de estes seres mortais, fracos e que nem mesmo a chuva disfarça a beleza que imanes apenas ao desviares o olhar a caminho do céu. Os anjos descem do paraíso para guardarem as árvores dos fogos infernais agora acendidos pelos pecadores, desconhecendo que o acto de proteger está a alterar a ordem do Universo e que eles próprios se tornam pecadores, mortais, morrendo também nesta batalha. E tu, Amarië, és a razão de tudo isto. Por tudo o que és, mereces o teu destino, seja ele qual for.

Reflexo (Aquarius & Ascadae Memorial)

Bem vindo de volta à tortura de ver sempre a mesma paisagem nesta viagem atribulada em direcção ao teu destino, desenhado por uma mão insegura e nervosa, talvez mesmo até a tua própria mão, se assim te vês no reflexo do lago. Mas também lá vês a Lua, a Mãe, sempre a brilhar, a ver-te e a proteger-te de todas as malícias que possam ocorrer. Ou mesmo quando não te consegue proteger, estará lá sempre para te confortar. Torna-se algo mais, sentes que é mais poderoso e perdeste no seu olhar caloroso nesta noite ventosa. Não consegues desviar o olhar porque simplesmente precisas de ver, de sentir o seu calor para perceber que ainda és preciso aqui. Então sentas-te e deixas-te ficar por ali.
Olá de novo meu amigo, desaparecido de tempos há tanto perdidos, esquecido pelas múltiplas tentativas de forçar a sobrevivência dos mais fracos quando estes mesmos não se protegiam, não se tentavam proteger. Deixaste de tentar ou simplesmente tornaste-te um desses fracos que precisam de protecção, daí a teres voltado até mim? Regressas desfigurado e com apenas metade do toda aquela paciência que fazia de ti um santo. Perdeste-te assim tanto no campo do amor que deixaste tudo para trás, que sacrificaste até mesmo a tua própria alma em retorno apenas de um momento de carinho um pouco mais especial dela? Perdeste-te no teu reflexo nos seus olhos azuis lindos, bem sem, há muito que te conheço. Mas segues em frente, o que é saudável. Deixa o reflexo desvanecer, no fim ele voltará para ti, bem o sabes.
O sangue nunca é suficiente para deixar a todos o poder da lua. O sacrifício é maior do que a besta e está tudo descontrolado. De facto, tudo o que vos é deixado é o vosso reflexo naquilo que vocês mais apreciam, aquilo que eu penso que está correcto. Deixem a vossa consciência ser superior ao vosso ser porque a vossa alma será sempre maior que o vosso Universo próprio, por mais extenso que ele seja.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

The dog that cried the moon

Pode ver-se melhor em: http://ollan.deviantart.com/art/The-dog-that-cried-the-moon-72422187
Tentativa de desenho:

Some kind of monster

E ele permanece sentado, no seu perfeito estado vegetal, movendo apenas o fluxo de pensamento no interior do seu cérebro morto ou congelado, imóvel e demasiado pesado para ser carregado. Os seus olhos permanecem vidrados mas ainda assim concentrados, com o mínimo de vida, a olhar para o mais além, olhar penetrante que atravessa paredes e pessoas, destrói mentes, pensamentos e vidas, nunca perdoando os erros ou pecados do passado das pessoas. A sua vida pertence a quem alguma vez se importar de tentar tirá-lo daquele estado morto, frio e completamente branco, mostrando vida apenas nos seus olhos, profundos, um túnel inacabado para uma alma perturbada e decadente.
As vozes ecoam na cabeça, vezes sem conta, perdidas numa gruta obscura que serve de habitat para todos os monstros dos pesadelos das crianças perdidas, órfãs e indesejadas. As vozes perseguem, ainda mesmo no seu sono inerente a tudo o resto, a constante morte do corpo ainda vivo e a respirar, e a voz do desespero transforma-se numa forma imperceptível de um grito mudo que nos faz a todos surdos. Um leve assobio na escuridão e tudo acaba, toda a escuridão e claridade, todas as duvidas existenciais ou desinteressantes, todos os pensamentos. Tudo nos persegue, no entanto, o monstro mantém-se vivo dentro do corpo vegetal daquele sinal.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Lay to rest

Accordare per alteru dia...

As poucas

Já passou mais de um minuto desde que cá estou. De facto, já passou mais do que uma hora desde aqui estou e nada de especial acontece, nada muda a vida nem faz com que desvie a visão das letras que se encontram à minha frente. O oxigénio já parece pesado e o acto de respirar, esse mesmo que é essencial, acaba por parecer monótono. Já o fiz antes e cada vez mais me farto de o fazer, sempre a mesma rotina. Isto tudo porque, cada vez que saiu de casa, sei que vou voltar ao fim do dia e ouvir alguma história que já ouvi milhares de vezes e que não me interessa absolutamente nada. No meu grande egoísmo próprio e que me caracteriza, desligo. Fico sozinho no meu próprio mundo.
As palavras não saem. Parecem que foram congeladas pelo frio exterior que não sinto ou que, se sinto, ignoro com o simples poder da mente, restringido ao pouco que a alma contribui para a manutenção do corpo. A música é sempre a mesma e enfadonha tristeza que já chega a pesar-me na mente, que já contamina o ar à minha volta, mantendo-me nostálgico e melancólico. Relembro tempos de outrora e passada felicidade, tempos que acabaram demasiado depressa e que avançaram para outra felicidade. E eu aqui, sempre parado no mesmo sítio, apercebendo-me que me esqueci da capacidade de amar, eu ou outros, que me fechei mais do que eu próprio pensava, apesar das palavras que me saem. As poucas, como já referi.

Army of two

Create your own world,
Rule the land of your imagination,
Don't regret your word,
Gaze at your creation.

See the trees rising,
As the water falls,
No children fighting,
No more mother calls.

They walk alone,
In the shadow of the mistake,
Together they're one,
The souls of the Devil they'll take.

Regret for wasted years,
Forging madness,
Cried all the tears,
Immune to all the sadness.

Army of two,
Stealth never ending,
You're true,
Like you're always resenting.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Silêncio

Como duas flores a crescerem lado a lado, alimentando-se do Sol e das águas das chuvas, sempre permanecendo erectas e frágeis ao toque de um estranho, dois jovens, com os destinos entrelaçados, seguiam a sua vida desconhecendo o toque do destino, transformando tudo aquilo que eles acreditavam e toda a realidade que demoraram anos e formar em algo único e com apenas um caminho, uma saída. Toda a felicidade se tornava relativa e fútil, uma coisa passageira e de pouco significado, pois estavam incompletos sem a permanência um de o outro na vida de cada um. As palavras ficavam com pouco significado e apenas o vento lhe tocava, empurrando-os, cada vez mais aproximados um do outro, encontros subtis mas que teriam mais significado quando tudo acabasse.
O planeta continuava a girar, apenas as rochas não se mexiam, os continentes não se aproximavam mas os seus toques pareciam mais do que profundo, eram como que picos que tocavam e se enfiavam na alma, por baixo da pele e da carne, constituindo o esqueleto da acção e o significado do amor. O sangue brotava de todos os canais, esmorecendo no chão, fazendo mais flores aparecerem, crescerem do nada, das terras inférteis que existiam para ocupar espaço, constituir um planeta fútil. O tempo passava, os jovens crescem e começam os contactos, os olhares, as palavras, os sorrisos. Todo o jogo começa, os dados são rolados e a vida transforma-se num acaso, numa sorte ou azar momentâneo. Tudo à volta é relativo e desfocado, tudo à volta é inútil e consegue desaparecer apenas no primeiro contacto.
Os jogos terminam, o prazer passou e o rapaz que deixou de ser rapaz fala com uma voz terminal, consumindo o desejo do fim de tudo, revelando a sua podridão e solidão no interior. A sua alma, mostrando a sua real ausência de cor, assustando e afastando brutalmente a rapariga, libertando-se para o espaço aberto, encontrando a tão desejada escuridão e vastidão do Universo, a morte aguardada por tanto tempo. Agora não resta mais nada se não fragmentos do silêncio audivel da sua voz interior que ainda reside na rapariga.