A serpente voa nos céus azuis,
Absorvendo a sua maldade com o seu veneno,
Um novo rei é dado à luz,
Filho real concebido em feno.
Presa às mãos da tirania,
Amarrada aos panos que a criaram,
Sagrada filha,
Feridas do ventre que ainda não sararam.
Os lobos choram a perda,
A lua esconde as suas lágrimas atrás das nuvens,
Os tambores de guerra soam no fundo da noite,
Enquanto que o sangue é derramado na confusão.
E se todos se preparam para morrer,
Não podemos todos simplesmente desaparecer,
Como que uma criança corre para se esconder,
Enquanto a Senhora espera do nevoeiro re-aparecer.
Do pó da batalha ergue-se um vulto,
Dos homens provém toda a mortalidade,
Os derrotados são deixados em luto,
Humanos, a decadência da moralidade.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
domingo, 18 de maio de 2008
quinta-feira, 8 de maio de 2008
quarta-feira, 7 de maio de 2008
In the deep waters
In the deep waters I saw my reflection, in the middle of the war for the throne, a crown over my head and blood on my hand, I still seek the knowledge in the secret cave in the middle of the ocean, the land of the ancient and of wisdom. Carved my name in the dream, anger against this world, revolution inside the soul for the past that has destroyed this planet, in the womb of decay, the future king rises to re-build the world in the shape of his mind. And in deep waters I sleep, acknowledging all to come, all the wars and deaths, fascination for the eternal rest, mixed with the desire of darkness, braking trough the fire into the ice towers in your rotten heart. Take my head, princess of Hell, and help me take over the world, silently, moving trough the trees and bushes, setting fire to all human beings in my way.
The angel in my house contains the shape of a bird, flying to the blue skies, in a vague wave of disorder, containing all that is real in his tiny head, running away from the evil that you can feel inside. And enough were the tears that the serpent laid on the ground, for the eggs weren't enough to re-construct our mind. Chains were made around my body, order of mother, to keep me away from the dark love presented to me in my youth, obsession that became clear in the early dawn of destruction. In the pit of venom, I lay my head, resting for another fight tomorrow, while I survived this one but died a little within. With my head in the spikes, the dream of deep waters vanishes a little to the mind of the forgotten Goddess, my servant, reserved lover.
The angel in my house contains the shape of a bird, flying to the blue skies, in a vague wave of disorder, containing all that is real in his tiny head, running away from the evil that you can feel inside. And enough were the tears that the serpent laid on the ground, for the eggs weren't enough to re-construct our mind. Chains were made around my body, order of mother, to keep me away from the dark love presented to me in my youth, obsession that became clear in the early dawn of destruction. In the pit of venom, I lay my head, resting for another fight tomorrow, while I survived this one but died a little within. With my head in the spikes, the dream of deep waters vanishes a little to the mind of the forgotten Goddess, my servant, reserved lover.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Rotina diferente
Os minutos passam, os dias parecem passar vezes sem conta, a rotina é repetida vezes sem conta, uma maldição que se pregou a mim no momento em que desejei que tudo acabasse. Entro num mundo só meu, onde a escuridão se torna banalidade, o consumismo é apagado pela necessidade de algo que desça pela garganta e apague as memórias de dias menos bons. Encontro no álcool os braços de calor e conforto que não consigo segurar nos humanos. Sonho por uma fuga para uma realidade alternativa onde o céu é cinzento e tudo à minha volta é aquilo que eu imagino, tudo o que desejo. O sonho de uma criança que ainda não cresceu completamente.
O vento vem e traz consigo a brisa de Verão, acompanhada com um serão de risos e cerveja, descanso na companhia de bons amigos, boa música, bons tempos. O Sol põe-se no horizonte, iluminando o Oriente, deixando para trás mágoas e histórias dos navegadores do Ocidente, donos do mundo, outrora reis, agora fardos à sociedade. E nos meus sonhos, tudo se torna realidade, tudo se molda conforme quero, no entanto esta altura do dia continua igual. Não é preciso mais ninguém, nenhum conforto especial, uma namorada, uma amiga, nada. Apenas eles, meus amigos, e as cervejas, os risos, as piadas, a gata a voar no meio do nada, a agradável brisa que espreita pela janela aberta. E eu sei que não vai durar, portanto há que aproveitar estes risos, pegar neles e usá-los para a viagem de volta a casa. A rotina começou. Mais uma semana morta, mais um desgosto e um pouco mais diferente no interior.
O vento vem e traz consigo a brisa de Verão, acompanhada com um serão de risos e cerveja, descanso na companhia de bons amigos, boa música, bons tempos. O Sol põe-se no horizonte, iluminando o Oriente, deixando para trás mágoas e histórias dos navegadores do Ocidente, donos do mundo, outrora reis, agora fardos à sociedade. E nos meus sonhos, tudo se torna realidade, tudo se molda conforme quero, no entanto esta altura do dia continua igual. Não é preciso mais ninguém, nenhum conforto especial, uma namorada, uma amiga, nada. Apenas eles, meus amigos, e as cervejas, os risos, as piadas, a gata a voar no meio do nada, a agradável brisa que espreita pela janela aberta. E eu sei que não vai durar, portanto há que aproveitar estes risos, pegar neles e usá-los para a viagem de volta a casa. A rotina começou. Mais uma semana morta, mais um desgosto e um pouco mais diferente no interior.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Paisagem de trovão (prelúdio)
Newly found hope, in the middle of darkness.
No nevoeiro, ela se ergue, inocente e procurando orientação de volta à sua casa perdida, caída às mãos da tempestade que por lá passou, tirando a vida a quem lhe é mais querido. Tudo o que ela acreditava, tudo o que ela queria na sua vida casta, deitado ao chão como mais um trapo que deixou de ser útil, enquanto que os travões desabam sobre a terra no horizonte, rachando as árvores a meio e abrindo caminho directamente ao Inferno, núcleo da Terra, perdição de almas pecadoras. Os seus olhos, enchendo-se de lágrimas que escorrem na face, lentamente tornando-se cinzentos, à medida que observa a Lua a rasgar o céu de nuvens e gotas. A sua pele, suave, lentamente a transformar-se em algo que ela não deseja ser, simplesmente nasceu assim, a sua maldição, o seu tormento eterno. Nada para além de memórias de lobos se concentram na sua mente, a sua máscara cai e tudo se torna tão claro, a sua raiva interior, cede de vingança contra o mundo e Deus. Então dá-se a mudança, a noite chegou...
Quando a árvore fulminada cai, ardendo no meio de toda a chuva caída, os seus olhos cinzentos reluzem na escuridão dos arbustos, procurando a sua próxima vítima, preparando uma emboscada a quem desafie a sua autoridade. O mundo já não é tão assombroso como antes, o seu medo já não é de morrer mas sim de não ser morta. Ela constrói um muro em volta do coração para que ninguém para além do mais bravo dos homens lhe penetre com a sua espada e lhe deite um fim ao seu sofrimento. Sinais de amor perdido, fé assassinada pelo mundo, fardo para todos à sua volta, deixou o mundo para ser um lobo, fiel a nada e a ninguém para além de a si própria, revoltada com a causa do próprio sofrimento. E à noite chora, deitando por terra todas as esperanças de um sorriso nocturno, um que ninguém veja. Então aí ela aceita o seu destino e adormece mais uma vez.
No nevoeiro, ela se ergue, inocente e procurando orientação de volta à sua casa perdida, caída às mãos da tempestade que por lá passou, tirando a vida a quem lhe é mais querido. Tudo o que ela acreditava, tudo o que ela queria na sua vida casta, deitado ao chão como mais um trapo que deixou de ser útil, enquanto que os travões desabam sobre a terra no horizonte, rachando as árvores a meio e abrindo caminho directamente ao Inferno, núcleo da Terra, perdição de almas pecadoras. Os seus olhos, enchendo-se de lágrimas que escorrem na face, lentamente tornando-se cinzentos, à medida que observa a Lua a rasgar o céu de nuvens e gotas. A sua pele, suave, lentamente a transformar-se em algo que ela não deseja ser, simplesmente nasceu assim, a sua maldição, o seu tormento eterno. Nada para além de memórias de lobos se concentram na sua mente, a sua máscara cai e tudo se torna tão claro, a sua raiva interior, cede de vingança contra o mundo e Deus. Então dá-se a mudança, a noite chegou...
Quando a árvore fulminada cai, ardendo no meio de toda a chuva caída, os seus olhos cinzentos reluzem na escuridão dos arbustos, procurando a sua próxima vítima, preparando uma emboscada a quem desafie a sua autoridade. O mundo já não é tão assombroso como antes, o seu medo já não é de morrer mas sim de não ser morta. Ela constrói um muro em volta do coração para que ninguém para além do mais bravo dos homens lhe penetre com a sua espada e lhe deite um fim ao seu sofrimento. Sinais de amor perdido, fé assassinada pelo mundo, fardo para todos à sua volta, deixou o mundo para ser um lobo, fiel a nada e a ninguém para além de a si própria, revoltada com a causa do próprio sofrimento. E à noite chora, deitando por terra todas as esperanças de um sorriso nocturno, um que ninguém veja. Então aí ela aceita o seu destino e adormece mais uma vez.
domingo, 4 de maio de 2008
O conto da Vida e Morte
Bring before my eyes this erotic dance around the fire, circulating death consuming our shadows and devouring our hate.
Como uma sombra, movimento-me por entre figuras de mulheres, despidas de ódio, esperando ser amadas por mais do que palavras, por acções de amor e ternura, em redor de uma fogueira maior do que um continente, existindo apenas no meio de um oceano. Terra perdida, costumes arruinados, procurando um ser superior que nós, agimos segundo a Sua vontade. Mãe de todos nós, olha-nos enquanto procriamos, sendo nós nada mais do que uma parte dela, gerando os seguintes lideres de a verdade. Encontramos na nossa dança erótica os sinais de esperança de uma mudança, deixamos para trás os erros dos nossos antecessores, continuamos os nossos caminhos por entre florestas e chamas, sempre acompanhados pela presença dos lobos.
Como uma imagem reflectida num espelho, a velha sacerdotisa encontra-se lado a lado com a sua próxima, a jovem e bela sacerdotisa, a seguinte, o novo portal para com a deusa. Na sua frente, o poço sagrado onde deixam cair os mantos e se transformam em novos seres, transmitindo vida, energia e conhecido de uma para a outra, levantando todos os feitiços ao mundo, deixando com que um tempo de alegria e prazer percorra os seus corpos preparados para a guerra. Corações de batalhas, duas serpentes fundidas numa, transformando a terra em neblina, a bruma densa cai em cima do lago. E contos de almas de leões são deixados atrás para serem substituidos por histórias de amor entre duas mulheres, a Vida e a Morte, sacerdotisas ao serviço da Deusa, todas elas uma parte dela.
Como uma sombra, movimento-me por entre figuras de mulheres, despidas de ódio, esperando ser amadas por mais do que palavras, por acções de amor e ternura, em redor de uma fogueira maior do que um continente, existindo apenas no meio de um oceano. Terra perdida, costumes arruinados, procurando um ser superior que nós, agimos segundo a Sua vontade. Mãe de todos nós, olha-nos enquanto procriamos, sendo nós nada mais do que uma parte dela, gerando os seguintes lideres de a verdade. Encontramos na nossa dança erótica os sinais de esperança de uma mudança, deixamos para trás os erros dos nossos antecessores, continuamos os nossos caminhos por entre florestas e chamas, sempre acompanhados pela presença dos lobos.
Como uma imagem reflectida num espelho, a velha sacerdotisa encontra-se lado a lado com a sua próxima, a jovem e bela sacerdotisa, a seguinte, o novo portal para com a deusa. Na sua frente, o poço sagrado onde deixam cair os mantos e se transformam em novos seres, transmitindo vida, energia e conhecido de uma para a outra, levantando todos os feitiços ao mundo, deixando com que um tempo de alegria e prazer percorra os seus corpos preparados para a guerra. Corações de batalhas, duas serpentes fundidas numa, transformando a terra em neblina, a bruma densa cai em cima do lago. E contos de almas de leões são deixados atrás para serem substituidos por histórias de amor entre duas mulheres, a Vida e a Morte, sacerdotisas ao serviço da Deusa, todas elas uma parte dela.
sábado, 3 de maio de 2008
Terço na boca do corvo - parte II
No cume da montanha da imaturidade, uma sombra move-se por entre as árvores, lendo o significado da história nas entrelinhas, dando vida na morte das personagens, enquanto as folhas de Outono caem no chão e os predadores se preparam para se lançarem às presas. O som do vento a percorrer por entre as árvores como uma criança brinca com a barba do avô, o som do rio a fugir da margem para a queda eterna, a perdição de todos os pensamentos do corvo que se mantém nos ombros do homem, alimentando-se da sua alma, esperando a sua morte para saciar a sua fome por carne. O castanho predomina o caminho, o preto é o que segue, o esquecimento é o que predomina. O mundo foi deixado para trás, o pensamento mantém-se vazio, desviando-se para as brumas, onde a serpente descansa, esperando a altura certa para se erguer novamente e dominar uma vez mais esta terra, tal como foi no início. O homem mantém-se absorvido pela leitura, o corvo está pousado no seu ombro, a serpente descansa.
A luta prossegue no seu interior, criminoso sem qualquer pecado, morto sem qualquer tiro disparado. As palavras parecem opacas, cheias de medo, um terror perante um futuro incerto, pavor perante sangue derramado sobre as suas letras, outrora razão certa, agora luta cega. O simbolismo das suas cicatrizes parece desvanecer enquanto percorre mais uma página com os seus olhos, agora mortos, inexplicavelmente perseguidos pela Lua durante a noite, ocultos pelo Sol durante o dia. A silhueta de outro alguém prevalece no horizonte, os seus olhos brilhando como a luz de uma estrela, guiando o homem moribundo para um destino obscuro, sempre com um sorriso acolhedor na face. O som da floresta é liderado pelos tambores da guerra, lá bem no fundo, escondidos por cidades de metal e cimento, negligência perante os cultos antigos. E agora o ocultismo absorve a terra pelo seu pecado, a criação dos homens, perante a perdição da doce virgindade das mulheres. O narcisismo ocorre pela face de todos, as lágrimas escorrem para serem escondidas pelas chamas, as imagens destruidas e tudo o que resta é a floresta onde o homem caminha, perdido no seu livro.
O corvo anseia a sua morte, o Sol esconde-se por detrás das colinas, envergonhado pelo seu medo. Lua, mãe de todos, guarda a sua santa castidade para o funeral do seu honrado filho, devorado pela sua história, arrastado para a escuridão pelo corvo no seu ombro. Na boca do maldito animal, a cruz do engano, o terço negro que queima a pele, perfura o osso e acaba nos confins da alma, esquecido e consumido, para nunca mais ser visto, permitindo assim uma ressurreição do verdadeiro culto, a serpente tornará a reinar, agora desperta para o teu reino, re-constrói o teu império, pois nada é demasiado tarde. Mãe de todos nós, Deusa imperial, devasta...
A luta prossegue no seu interior, criminoso sem qualquer pecado, morto sem qualquer tiro disparado. As palavras parecem opacas, cheias de medo, um terror perante um futuro incerto, pavor perante sangue derramado sobre as suas letras, outrora razão certa, agora luta cega. O simbolismo das suas cicatrizes parece desvanecer enquanto percorre mais uma página com os seus olhos, agora mortos, inexplicavelmente perseguidos pela Lua durante a noite, ocultos pelo Sol durante o dia. A silhueta de outro alguém prevalece no horizonte, os seus olhos brilhando como a luz de uma estrela, guiando o homem moribundo para um destino obscuro, sempre com um sorriso acolhedor na face. O som da floresta é liderado pelos tambores da guerra, lá bem no fundo, escondidos por cidades de metal e cimento, negligência perante os cultos antigos. E agora o ocultismo absorve a terra pelo seu pecado, a criação dos homens, perante a perdição da doce virgindade das mulheres. O narcisismo ocorre pela face de todos, as lágrimas escorrem para serem escondidas pelas chamas, as imagens destruidas e tudo o que resta é a floresta onde o homem caminha, perdido no seu livro.
O corvo anseia a sua morte, o Sol esconde-se por detrás das colinas, envergonhado pelo seu medo. Lua, mãe de todos, guarda a sua santa castidade para o funeral do seu honrado filho, devorado pela sua história, arrastado para a escuridão pelo corvo no seu ombro. Na boca do maldito animal, a cruz do engano, o terço negro que queima a pele, perfura o osso e acaba nos confins da alma, esquecido e consumido, para nunca mais ser visto, permitindo assim uma ressurreição do verdadeiro culto, a serpente tornará a reinar, agora desperta para o teu reino, re-constrói o teu império, pois nada é demasiado tarde. Mãe de todos nós, Deusa imperial, devasta...
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Terço na boca do corvo - parte I
Uma luz brilha através das gretas na janela, falhas perfeitas que decoram o quarto escuro com a luz do Sol da manhã, anunciando um novo dia, um despertar maldito para o contínuo ciclo vicioso da vida. Sou pouco mais que um marinheiro perdido numa tempestade de pensamentos, afastado do oásis da relação perfeita e duradoura, remando contra a maré de sentimentos que surgem no horizonte, trazidos pelo vento. Sozinho, o sentimento torna-se mutuo entre mim e a minha sombra, a reflexão sombria do meu ser exterior, a prisão de carne e pele tantas vezes referida antes, tantas vezes odiada mas útil, compensando a mente fútil que lidera a marcha dos pecados com desejos de destruição. Cego, surdo e mudo, familiar da besta, mais um sinal do Apocalipse, mais um portal para a árvore ardente que se mantém em pé, mesmo contra o fogo, mesmo contra o vento que teima em atirá-la do precipício. A fragilidade torna-se nua aos olhos do mais atormentado ser, a protecção é ténue e mal se forma responsável por tudo isto, por toda a sujidade que foi deitada sobre esse corpo moribundo que continua a resistir para a eternidade.
O corvo encontra-se agora sobre a minha cama, explorando o quarto com os olhos, procurando um cadáver onde se alimentar, trazendo novas do mundo lá fora, onde o vento continua a soprar com grande força, onde o Sol brilha na cegueira dos pequenos. Deixou-me aqui, fascinado nas suas penas pretas que abandonou na sua entrada na minha solidão, ofuscando por momentos a luz do Sol. O fim está eminente e o esconderijo está perto de desaparecer, transformar-se em pó, amostras de um silo onde outrora um demónio se escondeu de todos os sentimentos, pessoas, evoluções, caminhos destructivos. De regresso a mim próprio, possuo nas minhas mãos fotografias de tempos de liberdade, domínio da mente e corpo, seguindo a alma escura para a auto-destruição consciente. As latas de cervejas vazias estão deitadas no chão, num canto sujo do quarto, isoladas das restantes latas cheias, o meu vício diurno. Procuro então alimento, o frigorífico que contém o sangue que me mantém aqui até ao limite. O dia restante é passado pela distracção do canto desafinado do corvo, que volta dia após dia, procurando a sua última vitima destinada, eu.
Maldito tenha sido o dia em que a encontrei, tão brilhante como um anjo, tão docemente viciante como o álcool que me preenche agora as veias. Outrora amaldiçoei a sua existência, outrora a tentei eliminar, mas agora amo-a, protejo-a, escondo-me dela e de mim mesmo, deixo que o destino encontre uma outra forma de continuar sem que a tenha de a assassinar, agora que a deixei existir, depois de a ter criado. Sublime, inconsciente movimento dos olhos, segui-a até aquele canto tão bem iluminado, debaixo da cruz de cristo, abominando essa figura que se apresentava acima de nós mas nada mais que um perdido na vida sem significado algum. As
palavras levaram-me até hoje, observando o corvo com o terço na boca, dormindo nos meus ombros...
O corvo encontra-se agora sobre a minha cama, explorando o quarto com os olhos, procurando um cadáver onde se alimentar, trazendo novas do mundo lá fora, onde o vento continua a soprar com grande força, onde o Sol brilha na cegueira dos pequenos. Deixou-me aqui, fascinado nas suas penas pretas que abandonou na sua entrada na minha solidão, ofuscando por momentos a luz do Sol. O fim está eminente e o esconderijo está perto de desaparecer, transformar-se em pó, amostras de um silo onde outrora um demónio se escondeu de todos os sentimentos, pessoas, evoluções, caminhos destructivos. De regresso a mim próprio, possuo nas minhas mãos fotografias de tempos de liberdade, domínio da mente e corpo, seguindo a alma escura para a auto-destruição consciente. As latas de cervejas vazias estão deitadas no chão, num canto sujo do quarto, isoladas das restantes latas cheias, o meu vício diurno. Procuro então alimento, o frigorífico que contém o sangue que me mantém aqui até ao limite. O dia restante é passado pela distracção do canto desafinado do corvo, que volta dia após dia, procurando a sua última vitima destinada, eu.
Maldito tenha sido o dia em que a encontrei, tão brilhante como um anjo, tão docemente viciante como o álcool que me preenche agora as veias. Outrora amaldiçoei a sua existência, outrora a tentei eliminar, mas agora amo-a, protejo-a, escondo-me dela e de mim mesmo, deixo que o destino encontre uma outra forma de continuar sem que a tenha de a assassinar, agora que a deixei existir, depois de a ter criado. Sublime, inconsciente movimento dos olhos, segui-a até aquele canto tão bem iluminado, debaixo da cruz de cristo, abominando essa figura que se apresentava acima de nós mas nada mais que um perdido na vida sem significado algum. As
palavras levaram-me até hoje, observando o corvo com o terço na boca, dormindo nos meus ombros...
domingo, 27 de abril de 2008
Lord of Chaos
Todas as palavras ecoam na cabeça, como sinos a tocarem à distância, como buzinas a anunciarem o meio-dia de outra vulgaridade que começou, reduzida à normalidade da minha vida. A luz não penetra no meu quarto porque assim o desejo. Adoro a escuridão tal como ela me resguarda nos momentos mais privados de toda a minha satisfação por saber que sou eu que estou aqui e não outro qualquer que já cá habitou. Os olhos mal se adaptam à escuridão e começo a ver o meu domínio, o meu reino, a brilhar através de inúmeras guerras e falhas humanas. Sento-me na cama, sentindo que há um mau presságio no ar, um dia que há-de vir abalar o meu Universo, talvez por uma última vez, talvez por mais uma nas inúmeras vezes que hão de vir. A morte não trouxe a companhia desejada então não me mantive lá, mas sei que também foi ela que me trouxe uma vez mais, foi ela que me tirou daquela prisão que também não me esconderia muito mais tempo. O poder em mim cresce todos os dias e os dias de distancia até ter as serpentes nos braços diminuem, desaparecem a uma velocidade estonteante, uma velocidade que me é agradável. Mas sei que mesmo antes de isso tenho de passar um dia de melancolia e álcool, antes disso tenho de passar um verão quente com consciência de que estarás perto e de que eu estarei contigo todos os dias, sem te poder beijar, apenas abraçar, possuir-te com a mais força do que eu tenho. Todos estes pensamentos ocorrem-me numa fracção de momento em que não me atrevo a abrir a boca para que não saia de lá dez palavras misturadas numa, para que não diga o disparate que me farto de repetir na minha mente. Todos estes pensamentos voltam a mim na noite tardia, quando as estrelas já iluminam o caminho aos viajantes perdidos na nossa floresta de rosas negras, preenchidas com picos de veneno de escorpião, veneno mortal. Todos estes pensamentos voltam a mim quando a nossa música começa a tocar na rádio ou no computador, quando sinto que no interior a minha alma mexe-se em direcção ao nada para que possa isolar-se num misto de dor e alegria, pois as recordações são poucas mas boas.
Levanto-me e vejo que o Sol brilha, abrasador como as tardes de Verão da minha infância. Observo a luz a entrar na casa como um presságio do Verão que há de vir, muito mais quente que esta primavera morta, muito mais melancólica e preenchida com música e álcool do que agora. Movimento-me mas estou parado, exactamente no mesmo sítio que agora estou mas há um ano atrás, quando proferiste aquelas palavras e trouxeste a minha alma, o meu ser, de volta a este corpo, a esta carcaça velha e demasiado usada, inconsciente e imatura, uma prisão de carne e pele para que possa trazer alegria a outros, para que possa ser aquilo que outrora pensei que poderia ser, antes de te conhecer, minha maldição, deusa da imperfeicção que sou, tu que me cegas com esses olhos azuis que morreram depois de te teres despedido de mim. E nunca te vi chorar, tu que te consideras uma pessoa muito emocional. Não sei se me teria ajudado a sorrir ou a avançar, mas sei que prazer me daria porque adoro ver pessoas a sofrer, mas também me traria dor porque és mais do que uma pessoa para mim, és uma alma que esteve ligada à minha, noutro lugar qualquer que a minha mente desconhece, mas que agora partiu, apesar dos ocasionais telefonemas, com palavras de alegria que rapidamente se transformam em desespero. Afasto os pensamentos de ti como se fossem uma doença que me corrompe o corpo. Limpo o meu ser à vergonha da humanidade num sacudir rápido, aceito o vento como que uma distracção à humidade que se alastra no ar enquanto que a madrugada desce sobre mim. Devoto-me então à Deusa que tanto detestas, àquela que não aceitas como um todo, num misto de confusão, uma divisão. Procuro também conforto na existência que rejeito de Satanás, apenas porque sei que o temes. Percebes então que te quero afastar até seres uma pessoa comum, apenas mais uma que fala comigo e eu não me poderia importar menos se deixasses de falar comigo de repente. Mas não o és, pelo menos por enquanto. Entretanto estarei cá eu, agarrado à cerveja e amante da Deusa, reservado apenas para ela, para criar uma nova humanidade da qual já te falei, da qual não voltarás a existir e eu poderei viver a minha vida de raiva e ódio perante as pessoas, dominando-as todas. Senhor do Caos, denomino-me eu por ter sido o teu amante, borboleta do caos, borboleta que fugiste para longe de mim.
Levanto-me e vejo que o Sol brilha, abrasador como as tardes de Verão da minha infância. Observo a luz a entrar na casa como um presságio do Verão que há de vir, muito mais quente que esta primavera morta, muito mais melancólica e preenchida com música e álcool do que agora. Movimento-me mas estou parado, exactamente no mesmo sítio que agora estou mas há um ano atrás, quando proferiste aquelas palavras e trouxeste a minha alma, o meu ser, de volta a este corpo, a esta carcaça velha e demasiado usada, inconsciente e imatura, uma prisão de carne e pele para que possa trazer alegria a outros, para que possa ser aquilo que outrora pensei que poderia ser, antes de te conhecer, minha maldição, deusa da imperfeicção que sou, tu que me cegas com esses olhos azuis que morreram depois de te teres despedido de mim. E nunca te vi chorar, tu que te consideras uma pessoa muito emocional. Não sei se me teria ajudado a sorrir ou a avançar, mas sei que prazer me daria porque adoro ver pessoas a sofrer, mas também me traria dor porque és mais do que uma pessoa para mim, és uma alma que esteve ligada à minha, noutro lugar qualquer que a minha mente desconhece, mas que agora partiu, apesar dos ocasionais telefonemas, com palavras de alegria que rapidamente se transformam em desespero. Afasto os pensamentos de ti como se fossem uma doença que me corrompe o corpo. Limpo o meu ser à vergonha da humanidade num sacudir rápido, aceito o vento como que uma distracção à humidade que se alastra no ar enquanto que a madrugada desce sobre mim. Devoto-me então à Deusa que tanto detestas, àquela que não aceitas como um todo, num misto de confusão, uma divisão. Procuro também conforto na existência que rejeito de Satanás, apenas porque sei que o temes. Percebes então que te quero afastar até seres uma pessoa comum, apenas mais uma que fala comigo e eu não me poderia importar menos se deixasses de falar comigo de repente. Mas não o és, pelo menos por enquanto. Entretanto estarei cá eu, agarrado à cerveja e amante da Deusa, reservado apenas para ela, para criar uma nova humanidade da qual já te falei, da qual não voltarás a existir e eu poderei viver a minha vida de raiva e ódio perante as pessoas, dominando-as todas. Senhor do Caos, denomino-me eu por ter sido o teu amante, borboleta do caos, borboleta que fugiste para longe de mim.
Falta pouco para passar um ano e ainda me sinto perdido em ti...
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