Trompetes... pedem-se trompetes depois de um pouco de whisky. O ar está contaminado de sorrisos e gargalhadas. Tudo se mexe e o mundo pára por instantes para oferecer à chuva mais uma melodia de jazz. O som das baquetes a bater nos pratos, das trompetes a chorar novas escalas, o baixo a soar por cima de todos os outros instrumentos e a conduzi-los para inconfundível atmosfera de bem estar e conforto. É o que nos contém por dentro presos por linhas de pautas. Controla-nos e nós caminhamos de boa vontade atrás dele.
Deixa-me levar-te ao clube, mostrar-te à malta, deixar-te conhecer o teu interior, levar-te numa viagem de reconhecimento espiritual. Não és nada mais que eu e é tudo o que precisamos enquanto a trompete nos ilude com o doce sabor de liberdade. Continua sentada, evita a dança, é hipnotizante, eu sei. Difícil de resistir, como tu. Não cedas, não me leves contigo. Não hesitarei em cair no posso frenético em que tu caires só para te segurar a mão. Mas isso que fique para outra altura. Neste momento apenas o Jazz importa, é ele quem manda aqui.
Peço mais um wisky, estou mais uma vez sozinho nesta mesa mas no palco ainda é o Jazz que manda. E de aqui não saio a menos que venha uma tempestade e me leve no meio de um tornado. E mesmo aí agarrar-me-ei ao trompete com toda a minha força para não esquecer que foi na sua melodia que descobri a minha alma, que foi na sua chuva que os meus ouvidos aqueceram e a minha mente apagou. Caio então num sono profundo e relembro de que o mundo não é sempre assim tão azul. Às vezes preciso dele mas tenho sempre a preferência do cinzento. A única coisa que prevalece é a chuva. Eu.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Espada caída
Responde-me com desdenho, sei que as palavras já se esvaziaram de significado. Já não podes fingir mais, já não podes fugir para o teu recanto assombrado de memórias de sorrisos e choros, desmaios e melodias vindas das nossas almas inter-ligadas. É uma verdade feia que tens de encarar todas as noites em que fechas os olhos e te deixas adormecer. Os poemas já de nada valem, todas aquelas palavras bonitas, todas aquelas histórias de luta e sangue, amor infinito mas no final foste tu que as acabaste. Mataste as minhas personagens e então pinto uma inova imagem de preto, cinzento e castanho, para que tu possas aprender que o mundo é mais que um interminável branco de dúvidas e dor.
Responde-me de alguma forma, eu sinto que algo está mal. Atira palavras ao acaso, deixa-me ler o teu espírito. Não repeles a dor que sentes nem a solidão que completa o teu coração. Entrega-te a mim, corpo e alma, rende-te sobre o oásis da tua mente, pois lá me encontrarás, uma miragem no teu caminho para a felicidade. Põe-te de joelhos, desiste neste preciso momento se achas que já não há nada que possamos fazer, se já não a estrela mais brilhante ao lado da Lua. Entrega-te ao infinito e torna-te vazia, opaca, feita de sonhos distorcidos e verdades partidas. As minhas palavras já não te consolam, nada mais te posso fazer. Os meus braços estão atados atrás das minhas costas e as minhas lágrimas são tudo o que te posso oferecer. Mas já não choro mais.
E são flores que jazem sobre a tua campa. És tu que as posas lá com uma vida passada com sorrisos e alegrias, sangue e choro, tristezas e infortunas do passado. Foste o anjo da morte para tantos, com a tua inocência e contagiante felicidade. Se era isto que estava para ser, que eu me pinte já de preto e que nunca mais volte a ver, que todas as cores escorram da tela e que todas as letras se tornem carvão ardido na minha sepultura. Eu não te consigo dar mais uma safira para brilhar nos teus olhos, tu partiste. Eu não te consigo oferecer mais uma noite abraçados, tu negaste. Eu consigo apenas deixar em ti memórias do meu ser pois agora jazo espalhado pelas águas do mundo, numa procura interna pelas Brumas que me vão levar a casa.
Responde-me de alguma forma, eu sinto que algo está mal. Atira palavras ao acaso, deixa-me ler o teu espírito. Não repeles a dor que sentes nem a solidão que completa o teu coração. Entrega-te a mim, corpo e alma, rende-te sobre o oásis da tua mente, pois lá me encontrarás, uma miragem no teu caminho para a felicidade. Põe-te de joelhos, desiste neste preciso momento se achas que já não há nada que possamos fazer, se já não a estrela mais brilhante ao lado da Lua. Entrega-te ao infinito e torna-te vazia, opaca, feita de sonhos distorcidos e verdades partidas. As minhas palavras já não te consolam, nada mais te posso fazer. Os meus braços estão atados atrás das minhas costas e as minhas lágrimas são tudo o que te posso oferecer. Mas já não choro mais.
E são flores que jazem sobre a tua campa. És tu que as posas lá com uma vida passada com sorrisos e alegrias, sangue e choro, tristezas e infortunas do passado. Foste o anjo da morte para tantos, com a tua inocência e contagiante felicidade. Se era isto que estava para ser, que eu me pinte já de preto e que nunca mais volte a ver, que todas as cores escorram da tela e que todas as letras se tornem carvão ardido na minha sepultura. Eu não te consigo dar mais uma safira para brilhar nos teus olhos, tu partiste. Eu não te consigo oferecer mais uma noite abraçados, tu negaste. Eu consigo apenas deixar em ti memórias do meu ser pois agora jazo espalhado pelas águas do mundo, numa procura interna pelas Brumas que me vão levar a casa.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
O que vejo
Vejo montanhas verdes, rochas, seres mortos, seres vivos, almas que nos passam e não nos apercebemos, o vento que suspira as boas vindas ao esquecimento, o fogo que nos aquece a alma e destrói o corpo, a água que nos salva a alma para ela continuar para um outro lado. Vejo que palavras que se tornam nulas, vãs, que não entregam a mensagem correctamente, que se esquecem de quem somos, que as criámos. Elas viajam livremente lá fora. Transformam-se em nada mas na realidade são tudo. Então prendo-as em mim porque a mim pertencem e a mais ninguém as vou dedicar.
Vejo a música que percorre o ar, enchendo esta sala e o meu espírito. E agora não encontro a música certa para o meu estado. Continuo a minha pesquisa pelos Blues de Chicago, vagueando para o metal progressivo de Opeth. Encontro a janela de pano que arde tão levemente nos meus ouvidos e me preenche finalmente a mente com imagens daquele quarto desolado onde outrora vim uma sombra morrer. Relembro o que disse nessas alturas onde o desespero era grande e a chuva era absorvida pelo mero acaso do descanso. O quarto era escuro nessa altura, compreendendo a minha solidão. O quarto não é meu agora, não passa apenas de uma lembrança de então.
Vejo o riso nos olhos de uma criança, tão vagos, tão inocentes, tanto que precisam da defesa de outrém. Ainda não independente, irás voar um dia pequena andorinha. A tua cortina agora é verde, trazendo esperança a essa tua pequena cabeça mas um dia verás o mundo a cores, pintarás essa mesma cortina que te ofereço de várias cores, branco, amarelo, azul, cinzento, preto. Simboliza-la-às com palavras e sorrisos, mas então será o teu olhar o profundo, o que contém dor por detrás de mil máscaras, o que progrediu para alguém real e não um sonho de outros. Vai dormir por agora pequena criança, eu vejo-te enquanto posso.
Termino então as palavras no interior de mim para compôr mais uma melodia aos mortos que não vêm nada senão terra e luz, presos num nevoeiro tão denso que nem a sua própria liberdade encontram. Que lhes resta senão ouvirem o que lhes tenho para dizer, o que lhes resta então senão verem a densidade desse mesmo nevoeiro que não se modifica, não sai do seu cinzento permanente. Ficam pelo fascínio das minhas palavras, imobilizados. E será uma mariposa a levá-los daqui, deixando este velho lincantropo descansar antes da sua última batalha.
Perguntam-me então os sonhos, as sombras, as cores, as músicas e os obejectos, que vejo eu? O que vejo... vejo nada. Perdi tudo e tudo ganhei. Quando? Não sei, algum dia talvez. Talvez até seja a minha Mãe, a Lua, a trazer-me o que o negro não pode dizer. Mas até lá, que outro som preenche a noite de Lua Cheia senão os meus uivos, a queda das minhas lágrimas ao solo infertil? Profanado ser pela esperança da vastidão de Avalon, onde os pastos são verde e a junventude é o mero acaso da imortalidade. Fico-me pelos sonhos enquanto estou acordado, à beira da ribeira da minha imaginação que seca à medida que os dias passam. Obrigado pelas palavras, escuridão, mas agora nada vejo senão pó sem qualquer significado...
Vejo a música que percorre o ar, enchendo esta sala e o meu espírito. E agora não encontro a música certa para o meu estado. Continuo a minha pesquisa pelos Blues de Chicago, vagueando para o metal progressivo de Opeth. Encontro a janela de pano que arde tão levemente nos meus ouvidos e me preenche finalmente a mente com imagens daquele quarto desolado onde outrora vim uma sombra morrer. Relembro o que disse nessas alturas onde o desespero era grande e a chuva era absorvida pelo mero acaso do descanso. O quarto era escuro nessa altura, compreendendo a minha solidão. O quarto não é meu agora, não passa apenas de uma lembrança de então.
Vejo o riso nos olhos de uma criança, tão vagos, tão inocentes, tanto que precisam da defesa de outrém. Ainda não independente, irás voar um dia pequena andorinha. A tua cortina agora é verde, trazendo esperança a essa tua pequena cabeça mas um dia verás o mundo a cores, pintarás essa mesma cortina que te ofereço de várias cores, branco, amarelo, azul, cinzento, preto. Simboliza-la-às com palavras e sorrisos, mas então será o teu olhar o profundo, o que contém dor por detrás de mil máscaras, o que progrediu para alguém real e não um sonho de outros. Vai dormir por agora pequena criança, eu vejo-te enquanto posso.
Termino então as palavras no interior de mim para compôr mais uma melodia aos mortos que não vêm nada senão terra e luz, presos num nevoeiro tão denso que nem a sua própria liberdade encontram. Que lhes resta senão ouvirem o que lhes tenho para dizer, o que lhes resta então senão verem a densidade desse mesmo nevoeiro que não se modifica, não sai do seu cinzento permanente. Ficam pelo fascínio das minhas palavras, imobilizados. E será uma mariposa a levá-los daqui, deixando este velho lincantropo descansar antes da sua última batalha.
Perguntam-me então os sonhos, as sombras, as cores, as músicas e os obejectos, que vejo eu? O que vejo... vejo nada. Perdi tudo e tudo ganhei. Quando? Não sei, algum dia talvez. Talvez até seja a minha Mãe, a Lua, a trazer-me o que o negro não pode dizer. Mas até lá, que outro som preenche a noite de Lua Cheia senão os meus uivos, a queda das minhas lágrimas ao solo infertil? Profanado ser pela esperança da vastidão de Avalon, onde os pastos são verde e a junventude é o mero acaso da imortalidade. Fico-me pelos sonhos enquanto estou acordado, à beira da ribeira da minha imaginação que seca à medida que os dias passam. Obrigado pelas palavras, escuridão, mas agora nada vejo senão pó sem qualquer significado...
sábado, 6 de setembro de 2008
Coração meu
Arde arde coração, esquece a antiga canção, aquela que te aquecia nas noites de Inverno. Arde para sonhar um outro dia. Arde porque o sonho do próximo dia são mentiras. Respira a neblina que desce do céu cinzento, enquanto repousas nessa rocha que dizes que se formou à tua volta. É no segredo das montanhas que guardas o teu silêncio e afastas todas as nuvens negras que flutuam na tua direcção. Como te disse, arde coração, arde que és meu e nunca hás-de sentir enquanto eu não sentir um momento de fraqueza em que o orgulho se afunde na mais profunda solidão.
Oculta-te coração, não tens nada mais pelo que esperar. És feito do mais puro pedaço de alma imortal mas morres aos poucos e poucos no teu caixão de rosas e cravos, sangrando através de túneis de marfim e safira. És o brilho que ilumina o quarto à noite mas tão facilmente te apagas, com um simples sopro. És meu objecto, aquele que atiro directamente para o poço da luxuria para cumprir os desejos carnais que fazem de mim um homem mortal. Oculta-te porque não há nada aqui para ti. Esconde-te onde quer que seja, foge talvez, para longe, para onde encontrares paz e felicidade porque a minha alma vai separar-se de ti, vai para as Brumas. Não serás completo nunca, esse é o meu desejo.
Afunda-te uma última vez. Concedo-te essa vontade. Afinal de contas não sou tão tirano quanto faço parecer. Dou-te uma última oportunidade de te aleijares antes de te obrigar a veres a luz. Espero que sejas feliz nos poucos dias que para mim vão parecer séculos. Espero sinceramente que consigas re-direccionar o teu sangue para os sítios certos e que brilhes de tal forma que nem todo o vento do mundo te consiga apagar. Aí só mesmo o sopro dela te poderá apagar. Mas digo-te já, coração meu, tu o que fazes, tudo o que sentes, tudo o que procuras, é inútil e fútil. Tanto eu como tu não somos nada mais que objectos que somos colocados numa montra duma loja de livre vontade. Estamos velhos meu amigo. Vamos deitar-nos para noutro dia termos uma ideia completamente diferente. Tudo depende da alma, a minha alma imortal que se fecha nela própria.
Oculta-te coração, não tens nada mais pelo que esperar. És feito do mais puro pedaço de alma imortal mas morres aos poucos e poucos no teu caixão de rosas e cravos, sangrando através de túneis de marfim e safira. És o brilho que ilumina o quarto à noite mas tão facilmente te apagas, com um simples sopro. És meu objecto, aquele que atiro directamente para o poço da luxuria para cumprir os desejos carnais que fazem de mim um homem mortal. Oculta-te porque não há nada aqui para ti. Esconde-te onde quer que seja, foge talvez, para longe, para onde encontrares paz e felicidade porque a minha alma vai separar-se de ti, vai para as Brumas. Não serás completo nunca, esse é o meu desejo.
Afunda-te uma última vez. Concedo-te essa vontade. Afinal de contas não sou tão tirano quanto faço parecer. Dou-te uma última oportunidade de te aleijares antes de te obrigar a veres a luz. Espero que sejas feliz nos poucos dias que para mim vão parecer séculos. Espero sinceramente que consigas re-direccionar o teu sangue para os sítios certos e que brilhes de tal forma que nem todo o vento do mundo te consiga apagar. Aí só mesmo o sopro dela te poderá apagar. Mas digo-te já, coração meu, tu o que fazes, tudo o que sentes, tudo o que procuras, é inútil e fútil. Tanto eu como tu não somos nada mais que objectos que somos colocados numa montra duma loja de livre vontade. Estamos velhos meu amigo. Vamos deitar-nos para noutro dia termos uma ideia completamente diferente. Tudo depende da alma, a minha alma imortal que se fecha nela própria.
Vestido negro de veludo
Volta-te para o negro do cetim que se encontra sobre a nossa cama, chega-te junto a mim, deixa-me afastar-te todos os medos. Absorvo todo o teu ser e transformo esta cama em água, sentimos-nos em casa. És cada molécula, cada célula, formas uma veia inteira, és uma teia de sedução, és um abismo de prazer para o qual me atiro de livre vontade e deixo-te devorar tudo o que sou e tudo o que não te posso dar.
Não faço parte da tua vida. Sou apenas um trovão solitário que cai atrás das montanhas cinzentas enquanto que te sentas na tua casa, deixando a chuva cair lá fora, sem a ouvires. As nuvens estão vermelhas do sangue que derramei por ti e a chuva são gotas de suor, o esforço que fiz por te conquistar e que de nada valeu. É o som de novas tempestades para vir que me despertam do sonho em que um dia fomos dois a viver na floresta das minhas visões.
É o som do piano que provém dos cantos da minha mente e que me ilude para pensar que alguma vez dançámos juntos aquela música que ambos compusemos com as nossas almas e os nossos corações. E se alguma vez sonhei que estarias tu no teu vestido negro de veludo a ondular no quadro que pintei com o meu sangue e com as minhas lágrimas. Afinal eram tudo cordas de guitarras que tocavam na escuridão enquanto que a música passava-me ao lado e o seu significado era enigmático, transmitido para outro que não eu.
Já vi estas palavras antes, talvez na tela dos teus sonhos, talvez até no meu imenso mar de solidão...
Não faço parte da tua vida. Sou apenas um trovão solitário que cai atrás das montanhas cinzentas enquanto que te sentas na tua casa, deixando a chuva cair lá fora, sem a ouvires. As nuvens estão vermelhas do sangue que derramei por ti e a chuva são gotas de suor, o esforço que fiz por te conquistar e que de nada valeu. É o som de novas tempestades para vir que me despertam do sonho em que um dia fomos dois a viver na floresta das minhas visões.
É o som do piano que provém dos cantos da minha mente e que me ilude para pensar que alguma vez dançámos juntos aquela música que ambos compusemos com as nossas almas e os nossos corações. E se alguma vez sonhei que estarias tu no teu vestido negro de veludo a ondular no quadro que pintei com o meu sangue e com as minhas lágrimas. Afinal eram tudo cordas de guitarras que tocavam na escuridão enquanto que a música passava-me ao lado e o seu significado era enigmático, transmitido para outro que não eu.
Já vi estas palavras antes, talvez na tela dos teus sonhos, talvez até no meu imenso mar de solidão...
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Criação de lágrima
Poderia dar-te o coração, poderia conceder-te o desejo. Poderia dar-te tudo. Mas com tudo iria o ódio de um dia de areia, onde o vidro não é criado devido à morte do fogo, afogado no meio da luz do Sol. Deixar-te-ia o mundo mas esse mesmo mundo viria a destruir-te porque és feita de cristal, cristal que saiu das minhas lágrimas. És semente do meu trabalho árduo. E então preservarás por aí. Ofereço-te então uma última guarda, uma última lágrima. Que ela te traga felicidade, companhia e segurança.
Crio o mar para fazer concorrência à areia que trouxe o fim da chuva e dos dias de nuvens cinzentas. Sabes que adoro a água, sabes que caio em mim próprio quando as águas caem dos céus. São imagens apagadas, estas minhas velhas recordações que eu me farto de esquecer e cair em transe para voltar a relembrá-las. É uma forma de enlouquecer de vez. Talvez até seja uma forma de cair à Terra e por lá ficar, fazendo novas árvores crescer, voltar a fazer esta terra verde. Deixo passar um instante de luz e acordo para o som.
Talvez seja o vento que se esteja a ocultar mas de facto algo de negro isolou-me de toda a felicidade que me causava ver-te a sorrir, na minha nuvem. Sentias-te viva? Rias, sorrias, choraste e magoaste-te. Então criança, minha filha, minha criação, que aconteceu? Quando paraste tu de afastar a dor da tua vida? Quando desististe de viver? Agarra-te à minha última lágrima, germina um novo ser dentro de ti, continua o nosso sangue real e imortal. O tempo escasseia e tu não podes deixar tudo cair no nada, não queres que seja tudo em vão. Levanta-te das tuas lágrimas secas e luta, continua este caminho. No meu último suspiro ofereço-te então algo...
Ofereço-te então uma flor...
Crio o mar para fazer concorrência à areia que trouxe o fim da chuva e dos dias de nuvens cinzentas. Sabes que adoro a água, sabes que caio em mim próprio quando as águas caem dos céus. São imagens apagadas, estas minhas velhas recordações que eu me farto de esquecer e cair em transe para voltar a relembrá-las. É uma forma de enlouquecer de vez. Talvez até seja uma forma de cair à Terra e por lá ficar, fazendo novas árvores crescer, voltar a fazer esta terra verde. Deixo passar um instante de luz e acordo para o som.
Talvez seja o vento que se esteja a ocultar mas de facto algo de negro isolou-me de toda a felicidade que me causava ver-te a sorrir, na minha nuvem. Sentias-te viva? Rias, sorrias, choraste e magoaste-te. Então criança, minha filha, minha criação, que aconteceu? Quando paraste tu de afastar a dor da tua vida? Quando desististe de viver? Agarra-te à minha última lágrima, germina um novo ser dentro de ti, continua o nosso sangue real e imortal. O tempo escasseia e tu não podes deixar tudo cair no nada, não queres que seja tudo em vão. Levanta-te das tuas lágrimas secas e luta, continua este caminho. No meu último suspiro ofereço-te então algo...
Ofereço-te então uma flor...
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Palavras de romance
És a noite do meu passado, trazes contigo o ar fresco do luar, a brisa marítima de onde saímos ambos, enrolados numa desculpa de laço fino, sempre prestes a partir mas a nunca desistir, nunca a ceder à pressão.
Não te vi cair, não te vi desistir, mas este romance é tão recente que é apenas uma linha branca no horizonte. Talvez veja também lá verde, para dizer que ainda há esperança, mas entretanto é tudo tão vago, tão vago. E enquanto desvaneço ao sabor das ondas, vejo-te desaparecer. Vejo-te desistir tudo a que tentei que agarrasses. Não me faz mais forte, não me faz levantar e batalhar mais, mas não sei desistir. Talvez me sacrifique para que te mantenhas cá. Talvez ofereça ao buraco negro um último som de agonia para saciar a sua fome, para te salvar. Mas não vejo nenhum agora. És tu. E eu preciso de ti. Como te tirar de ti própria?
Diz-me, faço-te sorrir? Faço-te rir? Sai-te alguma gargalhada depois das imensas horas que passamos a falar? Talvez esteja enganado e tudo em ti seja uma ilusão, algo que eu quero que seja. Sabes, procuro, há imenso tempo, alguém para mim. Não alguém perfeito, alguém que aguente o meu feitio sem partir um mês depois. Quero encontrar esse alguém em ti mas tu fechas os olhos e voas de volta a uma folha frágil que se recusa voar até meus pés. Talvez sejam estes textos tristes que estejam errados. Ainda hei de te escrever mil e um textos de felicidade. Não é que não ma dês já, é que eu procuro em ti não um ser para mim ou feito por mim, quero um ser feliz. E aí serei mais feliz. Já o sou agora. Apenas tens de fechar o último buraco no meu coração.
Não te vi cair, não te vi desistir, mas este romance é tão recente que é apenas uma linha branca no horizonte. Talvez veja também lá verde, para dizer que ainda há esperança, mas entretanto é tudo tão vago, tão vago. E enquanto desvaneço ao sabor das ondas, vejo-te desaparecer. Vejo-te desistir tudo a que tentei que agarrasses. Não me faz mais forte, não me faz levantar e batalhar mais, mas não sei desistir. Talvez me sacrifique para que te mantenhas cá. Talvez ofereça ao buraco negro um último som de agonia para saciar a sua fome, para te salvar. Mas não vejo nenhum agora. És tu. E eu preciso de ti. Como te tirar de ti própria?
Diz-me, faço-te sorrir? Faço-te rir? Sai-te alguma gargalhada depois das imensas horas que passamos a falar? Talvez esteja enganado e tudo em ti seja uma ilusão, algo que eu quero que seja. Sabes, procuro, há imenso tempo, alguém para mim. Não alguém perfeito, alguém que aguente o meu feitio sem partir um mês depois. Quero encontrar esse alguém em ti mas tu fechas os olhos e voas de volta a uma folha frágil que se recusa voar até meus pés. Talvez sejam estes textos tristes que estejam errados. Ainda hei de te escrever mil e um textos de felicidade. Não é que não ma dês já, é que eu procuro em ti não um ser para mim ou feito por mim, quero um ser feliz. E aí serei mais feliz. Já o sou agora. Apenas tens de fechar o último buraco no meu coração.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Raposa de água e sangue
Tragam-me o Outono para que ele me possa trazer as folhas caídas. Tragam-me o sorriso da criança no seu primeiro dia de escola. Tragam-me enfim a chuva, a indescritível chuva que provoca tal efeito em mim. É no fim do Verão que se vêm as chamas que caminham pelas florestas dos meus sonhos, em convivência com os todos os seres que habitam nas árvores. São desejos, não comandos, que seguem as tropas que aparecem no horizonte. Puramente inocentes no seu estado de água e sangue, misturado amor com espinhos de traição.
Somos lobo e raposa, animais que perderam a chave do seu lado humano. Perdemos não, deitámos voluntariamente fora para que pudéssemos fugir daqui e viver juntos, unidos, sem quaisquer obstáculos. Orgulhosos, partimos destes prédios de metal e tijolo e encontramos uma boa clareira no meio das montanhas para descansarmos, algum dia expandirmos os da nossa espécie. Encontramos-nos sobre o mesmo luar, o mesmo olhar atento que nos protege, que nos permite continuarmos a linha real dos da nossa espécie, novos lincantropos para manter o nosso trabalho e mostrar ao mundo que existimos.
Uma última melodia debaixo da sombra das árvores, pedimos-Lhe. Uma última razão para uivarmos ao vento palavras de desespero e raiva por toda a dor e solidão que a sociedade nos causou. Um último derrame de sangue para à nossa Terra, tudo o que temos e tudo o que somos, tudo o que lhe podemos dar, antes que possamos escapar para outra vida e então repetir o ciclo. Não somos estranhos ao amor, mas no entanto desconhecemo-lo. Não vai ser por isso que te vou parar de procurar, vez sem conta. Não deixes a mente afectar-te o sono, não deixes as lágrimas afundar-te na vida, não deixes a solidão puxar-te cada vez mais para baixo. Mas caso o deixes, eu estenderei sempre a mão para te apanhar e trazer-te de novo a mim. Desejo esses teus lábios vermelhos de sangue...
Somos lobo e raposa, animais que perderam a chave do seu lado humano. Perdemos não, deitámos voluntariamente fora para que pudéssemos fugir daqui e viver juntos, unidos, sem quaisquer obstáculos. Orgulhosos, partimos destes prédios de metal e tijolo e encontramos uma boa clareira no meio das montanhas para descansarmos, algum dia expandirmos os da nossa espécie. Encontramos-nos sobre o mesmo luar, o mesmo olhar atento que nos protege, que nos permite continuarmos a linha real dos da nossa espécie, novos lincantropos para manter o nosso trabalho e mostrar ao mundo que existimos.
Uma última melodia debaixo da sombra das árvores, pedimos-Lhe. Uma última razão para uivarmos ao vento palavras de desespero e raiva por toda a dor e solidão que a sociedade nos causou. Um último derrame de sangue para à nossa Terra, tudo o que temos e tudo o que somos, tudo o que lhe podemos dar, antes que possamos escapar para outra vida e então repetir o ciclo. Não somos estranhos ao amor, mas no entanto desconhecemo-lo. Não vai ser por isso que te vou parar de procurar, vez sem conta. Não deixes a mente afectar-te o sono, não deixes as lágrimas afundar-te na vida, não deixes a solidão puxar-te cada vez mais para baixo. Mas caso o deixes, eu estenderei sempre a mão para te apanhar e trazer-te de novo a mim. Desejo esses teus lábios vermelhos de sangue...
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Declaração (sei que não gostas)
An ancient whisper from the wind, an old cry of a young women whom heart just broke...
Ignoras. Afastas as palavras que são meros pixeis no ecrã. Ignoras porque as queres ignorar, porque não as queres ouvir, simplesmente não queres saber. O conhecimento é um fardo e um prazer em ti. E em ti vejo esse brilho, a pessoa que não sou mas que sei que poderia ser. Continuando contigo. Nunca escapando de ti. Nunca tirando esse brilho que eu idolatro, que eu vejo e tu dás como morto. As tuas palavras, cativas no meu coração, tão belas, com tanta dor e sofrimento que ainda não percebo, essas agarro-as e ato-as à minha parede, aquela que te falei, para que nunca mais de lá saiam, agarro-as para manter aqui as memórias de ti, mais preciosas do que as de qualquer outra. Foi pouco o tempo, ainda o é, mas adoro-o a cada segundo. E cada palavra que não te digo, é cada segundo morto que chegou à minha vida e foi atropelado por tudo o que vejo em ti. E ainda assim não compreendes, simplesmente ignoras.
A nossa vida é um aquário, somos dois peixes que viajámos vezes sem conta em volta do nosso limitado espaço. A nossa memória é pequena, escoa-se depressa mas ainda mantenho em mim a noite em que te conheci, aquele concerto em que paraste ao meu lado para desfrutar uma das minhas bandas preferidas. E eu lutei, acredita, eu realmente lutei para não ir ter contigo, falar contigo, manter o conhecimento que ganhei nessa noite. Acredita que no meu interior eu procurei dizer a mim mesmo que não precisava de ti, que não precisava de te conhecer e ver os teus olhos, o mais profundamente que conseguisse. Mas perdi essa batalha contra mim mesmo e fui ter contigo. Ainda não sei se estou alegre ou triste por isso. Às vezes sorrio, outras vezes choro. Não decido porque ninguém causou isto senão a minha fraqueza humana. É mais que carnal sabes? É mais do que um simples desejo de adolescente. É algo mais. Não sei explicar e tudo parece tão repetido mas é verdadeiro. Assim o espero ser porque não te quero magoar.
Ah o doce mar que nos passa à frente. Sentados na relva, debaixo da sombra das árvores, enquanto o Sol brilha forte lá no céu que não é nosso mas que o conquistámos com o olhar. Não sabemos o que está por detrás de toda esta charada mas agradecemos mais um gole de cerveja e o oxigénio que vem das árvores. Deitamos-nos finalmente e deixamos o som do distante do piano. O seu som conquista-nos a alma e permanecemos ali, inertes, a ver o rio que passa onde outrora o velho de Belém olhou também e chorou, chorou pela partida. Também nós partimos e também nós choramos. Não consigo compreender mas sim, eu também choro. Tal como tu não compreendes o que digo, felizmente. Mas isso não significa que chores. E também não significa que chore mesmo, é apenas uma metáfora para a carência que sinto interiormente, hoje. E ver-te os olhos (sim voltamos a isto). Ah sim, ver-te os olhos! Esta poesia que não é senão minha e tua, de outra pessoa qualquer que com certeza já escreveu todas estas palavras antes e muitas mais. Sim, os teus olhos. Não me faças esquecer deles, nem da sua cor. Não me faças esquecer das lágrimas de lá caem e que eu apanho como uma réstia de ti que posso guardar juntamente com as palavras. Não quero as apagar. Não te quero apagar a ti, pessoa que mal conheço.
Ignoras. Afastas as palavras que são meros pixeis no ecrã. Ignoras porque as queres ignorar, porque não as queres ouvir, simplesmente não queres saber. O conhecimento é um fardo e um prazer em ti. E em ti vejo esse brilho, a pessoa que não sou mas que sei que poderia ser. Continuando contigo. Nunca escapando de ti. Nunca tirando esse brilho que eu idolatro, que eu vejo e tu dás como morto. As tuas palavras, cativas no meu coração, tão belas, com tanta dor e sofrimento que ainda não percebo, essas agarro-as e ato-as à minha parede, aquela que te falei, para que nunca mais de lá saiam, agarro-as para manter aqui as memórias de ti, mais preciosas do que as de qualquer outra. Foi pouco o tempo, ainda o é, mas adoro-o a cada segundo. E cada palavra que não te digo, é cada segundo morto que chegou à minha vida e foi atropelado por tudo o que vejo em ti. E ainda assim não compreendes, simplesmente ignoras.
A nossa vida é um aquário, somos dois peixes que viajámos vezes sem conta em volta do nosso limitado espaço. A nossa memória é pequena, escoa-se depressa mas ainda mantenho em mim a noite em que te conheci, aquele concerto em que paraste ao meu lado para desfrutar uma das minhas bandas preferidas. E eu lutei, acredita, eu realmente lutei para não ir ter contigo, falar contigo, manter o conhecimento que ganhei nessa noite. Acredita que no meu interior eu procurei dizer a mim mesmo que não precisava de ti, que não precisava de te conhecer e ver os teus olhos, o mais profundamente que conseguisse. Mas perdi essa batalha contra mim mesmo e fui ter contigo. Ainda não sei se estou alegre ou triste por isso. Às vezes sorrio, outras vezes choro. Não decido porque ninguém causou isto senão a minha fraqueza humana. É mais que carnal sabes? É mais do que um simples desejo de adolescente. É algo mais. Não sei explicar e tudo parece tão repetido mas é verdadeiro. Assim o espero ser porque não te quero magoar.
Ah o doce mar que nos passa à frente. Sentados na relva, debaixo da sombra das árvores, enquanto o Sol brilha forte lá no céu que não é nosso mas que o conquistámos com o olhar. Não sabemos o que está por detrás de toda esta charada mas agradecemos mais um gole de cerveja e o oxigénio que vem das árvores. Deitamos-nos finalmente e deixamos o som do distante do piano. O seu som conquista-nos a alma e permanecemos ali, inertes, a ver o rio que passa onde outrora o velho de Belém olhou também e chorou, chorou pela partida. Também nós partimos e também nós choramos. Não consigo compreender mas sim, eu também choro. Tal como tu não compreendes o que digo, felizmente. Mas isso não significa que chores. E também não significa que chore mesmo, é apenas uma metáfora para a carência que sinto interiormente, hoje. E ver-te os olhos (sim voltamos a isto). Ah sim, ver-te os olhos! Esta poesia que não é senão minha e tua, de outra pessoa qualquer que com certeza já escreveu todas estas palavras antes e muitas mais. Sim, os teus olhos. Não me faças esquecer deles, nem da sua cor. Não me faças esquecer das lágrimas de lá caem e que eu apanho como uma réstia de ti que posso guardar juntamente com as palavras. Não quero as apagar. Não te quero apagar a ti, pessoa que mal conheço.
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