domingo, 21 de agosto de 2011
Lições de humildade
Nem tudo é o mesmo a toda a hora. Às vezes temos de mudar as nossas convicções, as nossas ideias, o que pensamos ser. É tudo uma lição de humildade com sabor a humilhação. Mas no final suponho que isso seja o que significa crescer. Ser-mos ensinados para um dia podermos ensinar. Somos quebrados, tirados dos nossos mundos irreais onde tudo sobre nós é perfeito, ou assim queremos que seja, e vemos que estamos num patamar abaixo de muitos outros com uma vivência mais longa, com uma experiência maior. Talvez nem por isso, talvez porque eles não tiveram medo de viver a vida enquanto que nós fomos criados em conchas e não saímos do casulo em que nos envolvemos. A vergonha é nossa, pelo menos por enquanto. Mas sonhamos, eu sonho, em tudo o que possamos ser, em tudo o que podemos realizar. Até existir mais uma lição de humildade que nos envia para a cama para dormir sem sonhar.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Talvez o silêncio ilumine este dia
Talvez o silêncio ilumine este dia
Tão amaldiçoado por todas as verdades cuspidas,
Talvez a noite traga o barulho para me serenar a alma.
Não há palavras para acalmar a pessoa que conhecia,
Se era conforto que ela precisava não tinha palavras conhecidas
Para lhe trazer calma.
Ao invés um novo ciclo acabou,
Algo que nunca foi realmente algo apreciado,
Apenas um fardo.
Tão amaldiçoado por todas as verdades cuspidas,
Talvez a noite traga o barulho para me serenar a alma.
Não há palavras para acalmar a pessoa que conhecia,
Se era conforto que ela precisava não tinha palavras conhecidas
Para lhe trazer calma.
Ao invés um novo ciclo acabou,
Algo que nunca foi realmente algo apreciado,
Apenas um fardo.
Retorque ao sentimento
Já deixei de tentar. Não encontro explicação, é-me difícil escolher e verbalizar as palavras para explicar o que sinto quando estou contigo, quando estou dentro de ti. Também não sei o que te diga quando tudo o que falas é das noites passadas, de quem passou e já cá não existe, de tudo o que é exterior a estas paredes. Calo-me. Deixo-me em silêncio porque essa é a solução. Fico a ver-te pintar as paredes de todas as cores dos teus sonhos e pesadelos, alucinações e perseguições. E gosto. Ver-te exposta a mim em mente numa tinta temporária que fica na minha cabeça, ver-te dada a mim nua, com a tua pele de sede a roçar a minha tão inadequada, tão inexperiente. Tremo só de te ver. E então fecho os olhos porque tudo isto não passa apenas de um sonho para mim. O sonho mais real e agradável que já tive.
Tudo em movimento. Mais que um formigueiro. Quando te vejo do outro lado da rua, do outro lado da sala, do outro lado quarto. Quando vejo o teu sorriso, tudo em mim conquistas. E tudo em mim é atirado para o lado, caio para um estado de êxtase e felicidade, o mesmo que não consigo explicar. E em mim todo o teu ser existe, até mesmo aquela parte que recusas, aquela parte que negas ter. De mim tudo terás menos o que te destruir, o que arruinar o teu interior e te tire de mim. De ti recebo apenas o silêncio que confirma o destronamento do meu sentimento, substituído por algo que nunca chega realmente a ser o suficiente.
Tudo em movimento. Mais que um formigueiro. Quando te vejo do outro lado da rua, do outro lado da sala, do outro lado quarto. Quando vejo o teu sorriso, tudo em mim conquistas. E tudo em mim é atirado para o lado, caio para um estado de êxtase e felicidade, o mesmo que não consigo explicar. E em mim todo o teu ser existe, até mesmo aquela parte que recusas, aquela parte que negas ter. De mim tudo terás menos o que te destruir, o que arruinar o teu interior e te tire de mim. De ti recebo apenas o silêncio que confirma o destronamento do meu sentimento, substituído por algo que nunca chega realmente a ser o suficiente.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Tu, aqui, comigo
Se me perguntarem, sim, preciso da tua voz para me encantar o dia. Preciso do teu olhar para me iluminar, preciso das tuas mãos para ter algo para adorar. Preciso mais de ti do que as flores do Sol ou o coração de sangue. E não há mal nisso. Há apenas espaço que resta a percorrer, espaço que denominamos de vida, espaço que se vai sempre encontrar entre nós e que iremos estrangular, afastar com os nossos corpos. Que interessa se não há tempo para vivermos e amarmos o suficiente? Fugimos da chuva, refugiamos-nos nas escadas de um prédio qualquer e conquistamos esse tempo, fazemos valer o que temos. E o que temos é mais do que qualquer chuva, vento, Sol ou noite possam ameaçar tirar. Somos mais fortes que tudo isso.
Dança comigo esta música o mais lentamente possível. Deixa-me agarrar-te perto a mim, encostar a minha cabeça ao ombro e sentir a tua respiração, cheirar o teu cabelo, ter a certeza que estás comigo. Vamos dançar a noite inteira, esperar pelo Sol sentados na relva e cheirar o orvalho. Ver o Sol nascer contigo agarrada a mim, tão cansada que poderias simplesmente adormecer nos meus braços. Afagar-te o cabelo, esperar que feches os olhos e que me dês o sinal de que confias plenamente em mim. Olhar para o céu azul e finalmente aperceber-me que estou a sorrir e pensar "estou apaixonado" e simplesmente não me importar. E esse é o tempo que conta, não os minutos contados de uma vida inteira porque quem os conta é quem realmente os perde.
Vamos ouvir as baladas mais uma vez, é assim que me sinto contigo. Como numa nuvem, como se o mundo não fosse tão pútrido e morto, como se as pessoas não julgassem outros por se sentirem felizes, que não os odiassem por terem um sorriso na cara. Vamos continuar assim, ninguém que nos olhe assim merece um milímetro da nossa consideração, ninguém nos pode abalar. Vem, deita-te comigo na cama, deixa-me sussurrar-te o que sinto por ti mais uma vez enquanto das colunas sai a melodia que tão bem conhecemos, que tanto nos diz. Fica aqui comigo uma vez mais, não entra nenhum mal neste quarto. Apenas tu e eu. Como devia ter sido sempre, como quero que fiquemos.
Pink Floyd - Wish You Were Here
Dança comigo esta música o mais lentamente possível. Deixa-me agarrar-te perto a mim, encostar a minha cabeça ao ombro e sentir a tua respiração, cheirar o teu cabelo, ter a certeza que estás comigo. Vamos dançar a noite inteira, esperar pelo Sol sentados na relva e cheirar o orvalho. Ver o Sol nascer contigo agarrada a mim, tão cansada que poderias simplesmente adormecer nos meus braços. Afagar-te o cabelo, esperar que feches os olhos e que me dês o sinal de que confias plenamente em mim. Olhar para o céu azul e finalmente aperceber-me que estou a sorrir e pensar "estou apaixonado" e simplesmente não me importar. E esse é o tempo que conta, não os minutos contados de uma vida inteira porque quem os conta é quem realmente os perde.
Vamos ouvir as baladas mais uma vez, é assim que me sinto contigo. Como numa nuvem, como se o mundo não fosse tão pútrido e morto, como se as pessoas não julgassem outros por se sentirem felizes, que não os odiassem por terem um sorriso na cara. Vamos continuar assim, ninguém que nos olhe assim merece um milímetro da nossa consideração, ninguém nos pode abalar. Vem, deita-te comigo na cama, deixa-me sussurrar-te o que sinto por ti mais uma vez enquanto das colunas sai a melodia que tão bem conhecemos, que tanto nos diz. Fica aqui comigo uma vez mais, não entra nenhum mal neste quarto. Apenas tu e eu. Como devia ter sido sempre, como quero que fiquemos.
Pink Floyd - Wish You Were Here
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
São palavras que se repetem
Adoro a nossa paixão. O teu sorriso, o teu olhar, o teu simples ser. Seres igual a mim mas tão diferente, estares tão afastada fisicamente de mim que me dói ter-te tão próxima ao meu coração. Adoro ver-te nas noites mais escuras. E é possível ver-te apenas porque tu brilhas mais do que qualquer estrela, mais do que a Lua, mais do que o próprio Sol. És uma chama em mim que ameaça nunca se extinguir. Adoro acima de tudo as tuas palavras, as que envias do coração, não aquelas que pensas serem as que me servem ou que quero ouvir. Adoro-as porque fazem tudo isto real, fazem tudo isto verdadeiro, com significado. Adoro-as porque elas merecem a minha consideração, são perfeitas no seu momento e encantam o meu coração, fazem-no chorar e dançar a sua doce melodia. Mas são palavras de hoje. É tudo de hoje. E como o Sol se põe hoje e dá caminho à noite, amanhã ir-se-à erguer e eu temo que tudo seja diferente.
São modestas as palavras que te ofereço. O meu coração já pode outrora embarcar mais mas ele não tem a profundidade da tua alma e a tua grandeza preencheu-o de tal forma que já não consegue cá entrar mais nada. Basta-me simplesmente pensar em ti que as palavras vêm à mente. Mente essa que é uma perturbada e inspirada boémia, vive nas ruas do sonho, onde se encontra sempre contigo. Mas diz o que o coração não consegue passar cá para fora, sem vaguear, sem variar o seu interesse, tu. Então quem é o vilão nesta história? O medo. Medo de que te vás embora, medo de que tenha sido cego, enganado pelo meu próprio amor e que tudo isto seja ilusão. Medo de que quando vou à tua rua esperar que venhas à varanda para me ver durante a noite, simplesmente deixes de vir. Medo de que me olhes como se fosse qualquer outro. Ele domina. Aperta o cerco ao coração e não deixa nada entrar ou sair. Mas tu alimentas-me a coragem de continuar. E por isso ainda resisto, o medo ainda não me conquistou.
És tão perfeita hoje como foste ontem. Isso nunca muda. Podes não ser perfeita aos olhos de outros mas és perfeita para mim. Encaixas-me tão bem no ser que é difícil acreditar que és outro ser que não eu. Mas és. Mais do que isso, és a visão dos meus sonhos, algo que quero sempre tão perto de mim mas que me parece fugir em medo quando faço um movimento mais repentino. Precipito-me apenas porque gosto das tuas palavras, quero-as sempre a chegar aos meus ouvidos, a serenarem-me numa noite de tempestade. São palavras que se repetem, sim, mas isso não faz delas palavras com menor significado do que tinham ontem. São palavras que vou agora repetir sob a luz do luar, na tua rua, enquanto me vês da varanda com o teu sorriso que tanto adoro. São palavras que quero repetir esteja Sol ou chuva, dia ou noite.
São modestas as palavras que te ofereço. O meu coração já pode outrora embarcar mais mas ele não tem a profundidade da tua alma e a tua grandeza preencheu-o de tal forma que já não consegue cá entrar mais nada. Basta-me simplesmente pensar em ti que as palavras vêm à mente. Mente essa que é uma perturbada e inspirada boémia, vive nas ruas do sonho, onde se encontra sempre contigo. Mas diz o que o coração não consegue passar cá para fora, sem vaguear, sem variar o seu interesse, tu. Então quem é o vilão nesta história? O medo. Medo de que te vás embora, medo de que tenha sido cego, enganado pelo meu próprio amor e que tudo isto seja ilusão. Medo de que quando vou à tua rua esperar que venhas à varanda para me ver durante a noite, simplesmente deixes de vir. Medo de que me olhes como se fosse qualquer outro. Ele domina. Aperta o cerco ao coração e não deixa nada entrar ou sair. Mas tu alimentas-me a coragem de continuar. E por isso ainda resisto, o medo ainda não me conquistou.
És tão perfeita hoje como foste ontem. Isso nunca muda. Podes não ser perfeita aos olhos de outros mas és perfeita para mim. Encaixas-me tão bem no ser que é difícil acreditar que és outro ser que não eu. Mas és. Mais do que isso, és a visão dos meus sonhos, algo que quero sempre tão perto de mim mas que me parece fugir em medo quando faço um movimento mais repentino. Precipito-me apenas porque gosto das tuas palavras, quero-as sempre a chegar aos meus ouvidos, a serenarem-me numa noite de tempestade. São palavras que se repetem, sim, mas isso não faz delas palavras com menor significado do que tinham ontem. São palavras que vou agora repetir sob a luz do luar, na tua rua, enquanto me vês da varanda com o teu sorriso que tanto adoro. São palavras que quero repetir esteja Sol ou chuva, dia ou noite.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Consistência
Ah e a noite? A noite é um silêncio permanente que nos preenche os sonhos. Não os sonhos de quando adormecemos mas os sonhos que nos permitimos sonhar para sorrirmos na cama, imaginarmos alguma outra coisa, outro lugar, com alguém. É algo incomodativo mas sempre bem vindo. Porque precisamos do descanso, não dormimos quando morremos, morremos quando alguém nos decide acabar com a felicidade. Essa é a verdadeira morte. E é uma morte que nunca vem com a noite. Por isso é que é tão bela, por isso a adoro tanto. Como a chuva, nunca me desilude, nunca me abala. A única coisa que me abala é a fraqueza humana, as cicatrizes que formam crosta e impedem qualquer coisa nova de entrar. As cores mantêm-se as mesmas, tal como as palavras. E eu suspiro em vão, à procura de algo novo...
domingo, 14 de agosto de 2011
Vuelve a escuchar tus palabras
They gave you lies. They all gave you filthy lies to make you close your eyes, to ignore the terror and pain others feel. They hid away, kept you away and said it to be for your sake. Lies, all lies, for who's sake? And you swallowed their lies, lived their lifes, kept in silence and in darkness, you were blind, you couldn't do anything more the moment you decided to throw yourself away. And time maintained the lie, even when you shivered, even when you wept. You fell and now you don't feel. Now you just lie on your bed gazing at darkened skies without the slightest shadow of wonder.
Quien es tu verdadera persona, quien se muestra tu amigo en noches de frio y soledad? No tiene importancia, tu eres tu proprio amigo, tu eres tu completo ser. Nada mas, no mas palabras, un silencio en honor do que lo fuiste en otros tiempos. Adelante está tu vida, tu mente. Prosigue sin miedo, contra el viento, contra la tormenta. Y en el fin te vas a deparar con una felicidad que nunca has habido sentir antes.
Até o mar é negro na noite. E igual somos nós por dentro. Rebeldes misteriosos que nunca têm a certeza de quem são, o que fazem, o que significa o que escrevem, o que sentem. E tal sou eu, sem causa nem aviso, tal com as nuvens que se aproximam na escuridão da noite para transformarem o dia na sua própria escuridão. Sem que possa sequer reflectir desejo poder pensar não sentir e sentir sem pensar, conseguir avançar na rua sem procurar melancolia para não ser um conteúdo vazio e voltar para casa sem me lembrar do que uma noite foi e como o nascer do Sol tem algo de mágico. Gostava de poder analisar e sentir as palavras, beber copos cheios de pensamentos que me adiantassem para alguma coisa. Mas sentir é pensar que não estamos cegos ao mundo e pensar sem sentir é perdermos-nos na nossa própria humanidade evolucionária que eventualmente deixa tudo para traz, tal é a sua natureza.
Quien es tu verdadera persona, quien se muestra tu amigo en noches de frio y soledad? No tiene importancia, tu eres tu proprio amigo, tu eres tu completo ser. Nada mas, no mas palabras, un silencio en honor do que lo fuiste en otros tiempos. Adelante está tu vida, tu mente. Prosigue sin miedo, contra el viento, contra la tormenta. Y en el fin te vas a deparar con una felicidad que nunca has habido sentir antes.
Até o mar é negro na noite. E igual somos nós por dentro. Rebeldes misteriosos que nunca têm a certeza de quem são, o que fazem, o que significa o que escrevem, o que sentem. E tal sou eu, sem causa nem aviso, tal com as nuvens que se aproximam na escuridão da noite para transformarem o dia na sua própria escuridão. Sem que possa sequer reflectir desejo poder pensar não sentir e sentir sem pensar, conseguir avançar na rua sem procurar melancolia para não ser um conteúdo vazio e voltar para casa sem me lembrar do que uma noite foi e como o nascer do Sol tem algo de mágico. Gostava de poder analisar e sentir as palavras, beber copos cheios de pensamentos que me adiantassem para alguma coisa. Mas sentir é pensar que não estamos cegos ao mundo e pensar sem sentir é perdermos-nos na nossa própria humanidade evolucionária que eventualmente deixa tudo para traz, tal é a sua natureza.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Secure of a dream
Secure of the absence of words, I'll find there's always fear that there won't be anymore. And fear won't stay for long, the night is long and there's always a way to break the silence, pick up the pieces of what has been broken and put it together as it always should be. Even a men with nothing to accomplish has a dream. And that dream can be of all the colours, of a one winged woman offering immortality to the men for his love, of a wall that keeps all the evil and cold outside. That dream will stay on and on...
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
A trip back
A trip back the past, a step back in the progression of my character, visioning what it was back then, what I miss so much and that I don't have anymore. I'm gradually starting to lose all perception of space and time. I drift through this blank pages searching for some sentiment, some meaning, all they reflect is a personal growth that brought me nothing. And now I'm left with silence, lost for words...
Lost For Words - Pink Floyd
Lost For Words - Pink Floyd
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Zhelia VIII
Segue-me pela rua, absorve a revolta que atravessa e nos deixa incompletos, caminha em silêncio, todo o furor e barulho nesta guerra já é suficiente para fazer a terra chorar. Vê a minha silhueta, segue-a. À luz que vês, os meus olhos de lobo e sorriso de serpente, acreditas em que animal de mim? Por onde acaricio o teu corpo, o que importa, caminhamos na direcção contrária da multidão, nas ruas escuras, iluminadas agora pela Lua que se recusa em oferecer luz pura às ruas que já são fomentadas por destruição e crimes contra irmãos. Corre comigo por entre toda esta confusão, tenta escapar à anarquia de pensamentos que te passam pela cabeça, não te vão ajudar em nada. E por entre arrecuas da memória fica a lembrança do nosso plausível tempo passado juntos. São nessas arrecuas que vais achar todos os sonhos e felicidade que eras antes de conheceres este mundo. Este mundo do qual foges agora. Demasiado pequeno para conter as tuas lágrimas, demasiado magoado para suportar toda a dor que tu guardaste dentro de ti e agora procuras expulsar. Mas cuidado que as palavras ardem. Ardem tanto ou mais que o fogo que tomou conta das ruas. Ardem tanto que tudo o que podemos fazer é fugir para longe, para onde apenas as estrelas nos vejam e gritá-las para os confins do Universo, esperar nunca as sentir outra vez.
Dizem que somos os nossos piores críticos. Sabes o que tu és? És o que não vejo em mim, toda a bondade e inocência que nunca desejei ter, que nunca sonhei segurar nos meus braços. Mas agora aqui estás. Entre dunas, deitada sobre a areia fria, a olhar para as ondas distantes. Nesta escuridão da noite, onde a Lua já se escondeu atrás de nuvens, onde até o vento se recusa aparecer, és a única luz natural e pura que ainda brilha. E sem medo! Sem medo porque tens o que consideras pior agarrado a ti ou sem medo porque sabes que quando tudo isto acabar também a tua dor irá dissipar? Não me digas a resposta, tenho mais medo de voltar a ver medo na íris dos teus olhos do que milhões de tochas e uma multidão a querer matar-me enquanto permaneço encurralado. Ah, encurralado. É o que me deixas agora, com o teu sorriso, com a tua ingenuidade, com o teu sopro de alívio quando te deitaste no meu regaço. Livre de toda a maldade, de tudo o que actualmente significa ser humano, és tu, uma mariposa que gosta de pousar em flores carnívoras e sorrir apenas para fugir enquanto essa flôr ainda está demasiado atordoada com a tua beleza e simpatia para obedecer ao seu instinto animal. E essa flôr sou eu. Eventualmente vou-te magoar e abandonar à tua tristeza, à tua fragilidade, deixar-te para seres devorada por coiotes e abutres da sociedade, tornando-te apenas numa carcaça que faz os que passam por ti perguntarem-se o que terias sido antes. Mas ainda estou pasmo contigo, com tudo o que me dás, deixo-me aproveitar de ti enquanto tu me ofereces essa oportunidade. Esta noite é o delíquio de todos os horrores que nos atravessam.
A tua vida é o delírio da minha existência, és as palavras que me parecem escapar diariamente, a cada minuto, pelo pensamento, derivadas do sentimento. E quando já não há sonho que reste sonhar, sonho com o teu sorriso e como gostava que fosse eterno. Mas é efémero, todo este sentimento, toda esta alegria, acima de tudo, esta noite. E isso entristece-me. Mais do que tu nunca teres existido, mais do que apenas a revolta, violência e crimes existirem, mais do que a noite ser algo solitário em que me encontro sempre a olhar para o tecto a imaginar-te e como seria ter-te na realidade, de ir viver contigo para qualquer outro lado que não este. Mas não há lugar seguro agora. Não há espaço neste mundo para nós. E o pior é que o adoro quase tanto como a ti e não me vejo a abandoná-lo. Apenas sem ti encontro razão para continuar a vê-lo tão cegamente como o vejo hoje, de céu vasto azul e de Sol resplandecente. E esta tarde parece ser interminável, composta de um tédio e ódio de nada melhor saber fazer que arranjar desculpas para nada fazer. Espero por ti para me mudares e espero de mim uma resistência que nada alterará na minha vida mas que tudo quebrará na tua. Mas não te magoes, o lobo em mim continua a chorar por nós e a serpente sorri por não ter inocente para engolir. Serei algum dia alguém para ti mas terás a força para me entrares e seres alguém para mim?
Dizem que somos os nossos piores críticos. Sabes o que tu és? És o que não vejo em mim, toda a bondade e inocência que nunca desejei ter, que nunca sonhei segurar nos meus braços. Mas agora aqui estás. Entre dunas, deitada sobre a areia fria, a olhar para as ondas distantes. Nesta escuridão da noite, onde a Lua já se escondeu atrás de nuvens, onde até o vento se recusa aparecer, és a única luz natural e pura que ainda brilha. E sem medo! Sem medo porque tens o que consideras pior agarrado a ti ou sem medo porque sabes que quando tudo isto acabar também a tua dor irá dissipar? Não me digas a resposta, tenho mais medo de voltar a ver medo na íris dos teus olhos do que milhões de tochas e uma multidão a querer matar-me enquanto permaneço encurralado. Ah, encurralado. É o que me deixas agora, com o teu sorriso, com a tua ingenuidade, com o teu sopro de alívio quando te deitaste no meu regaço. Livre de toda a maldade, de tudo o que actualmente significa ser humano, és tu, uma mariposa que gosta de pousar em flores carnívoras e sorrir apenas para fugir enquanto essa flôr ainda está demasiado atordoada com a tua beleza e simpatia para obedecer ao seu instinto animal. E essa flôr sou eu. Eventualmente vou-te magoar e abandonar à tua tristeza, à tua fragilidade, deixar-te para seres devorada por coiotes e abutres da sociedade, tornando-te apenas numa carcaça que faz os que passam por ti perguntarem-se o que terias sido antes. Mas ainda estou pasmo contigo, com tudo o que me dás, deixo-me aproveitar de ti enquanto tu me ofereces essa oportunidade. Esta noite é o delíquio de todos os horrores que nos atravessam.
A tua vida é o delírio da minha existência, és as palavras que me parecem escapar diariamente, a cada minuto, pelo pensamento, derivadas do sentimento. E quando já não há sonho que reste sonhar, sonho com o teu sorriso e como gostava que fosse eterno. Mas é efémero, todo este sentimento, toda esta alegria, acima de tudo, esta noite. E isso entristece-me. Mais do que tu nunca teres existido, mais do que apenas a revolta, violência e crimes existirem, mais do que a noite ser algo solitário em que me encontro sempre a olhar para o tecto a imaginar-te e como seria ter-te na realidade, de ir viver contigo para qualquer outro lado que não este. Mas não há lugar seguro agora. Não há espaço neste mundo para nós. E o pior é que o adoro quase tanto como a ti e não me vejo a abandoná-lo. Apenas sem ti encontro razão para continuar a vê-lo tão cegamente como o vejo hoje, de céu vasto azul e de Sol resplandecente. E esta tarde parece ser interminável, composta de um tédio e ódio de nada melhor saber fazer que arranjar desculpas para nada fazer. Espero por ti para me mudares e espero de mim uma resistência que nada alterará na minha vida mas que tudo quebrará na tua. Mas não te magoes, o lobo em mim continua a chorar por nós e a serpente sorri por não ter inocente para engolir. Serei algum dia alguém para ti mas terás a força para me entrares e seres alguém para mim?
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