quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pecado

A noite ia alta e a Lua tardia. A sua luz incidia sobre olhos incandescentes perante o amor perdido e achado, distante e tão perto do coração. Bastava um toque, um olhar, o mais leve suspiro. As ruas molhadas da chuva reflectiam a sua pressa em chegar à sua casa, de encontrar o seu corpo deitado na cama, esperando-o, ansiando-o, desejando-o, mais que a cera das velas a queimarem o seu corpo, mais que o doce e subtil toque dos seus lençóis de seda, mais que a queda da noite e o nascer da Lua, anunciando o retorno dele.
Ele já quase corria, era frenético o seu passo, perante tal obsessão quem o poderia censurar? As ruas pareciam demasiado grandes, a escuridão crescia a passos temerosos, a distância parecia aumentar. Já a realidade se trocava com a fantasia, a sua mente já não permanecia onde o seu corpo andava. O seu espírito já divagava perante a promessa feita na manhã, o desejo já não era carnívoro, aquela tentação já não podia pecado, aquele desejo era mais que carnal. Queria senti-la, queria que ela o sentisse, saciá-la, servi-la, ser tanto dela quanto ela era sua. O vento fazia voar a sua capa, assobiava tão violentamente que até o assustava. Àquelas horas na rua, com tal pressa, com tal fome, só podia ser pecado, pensariam as senhoras e senhores que o vissem na rua. Recolheu então a capa e afogou os seus pensamentos no lento e doloroso dia que teve e no mesmo que terá no dia seguinte. Tinha de haver algo a distraí-lo, os gatos assustados não serviam. Como estaria ela?
Ela... ela mordia os lábios, olhava para as horas, agarrava-se firme à cama para não cair. Olhava para a janela, via a Lua no céu, tão grande e branca, cercada por estrelas. Pensaria se alguma vez poderia ser como ela, se poderia ser ela, refugiar-se na sua frieza. Mas não o desejava mesmo. Queria apenas aqueles momentos, que lhe pareciam demasiado breves, em que ele entrava de rompante por aquela porta e a tomava nos braços, largando-a apenas na manhã seguinte quando tinha de abandonar o quarto para que a sua irmã não os descobri-se. Sabia quanto se podia afogar naqueles momentos mas sabia, acima de tudo, como tinha de ficar consciente para que aquilo se prolonga-se. Não podia ser pecado, como poderia algo tão doce e tão bom, algo que fazia sentir tão bem, que a permitia dormir descansada, ser pecado.
Corria a noite tão devagar, atrás do seu ritmo. Finalmente chegado às paredes em que se desejava confinar sobe as escadas, lentamente. O barulho tem de ser mínimo, se não nulo. A luz das velas chama-o, indica-lhe o caminho. Lá vê a silhueta, já desesperada, do seu encanto, da sua vida, da sua tragédia. Qualquer dia haveria de fugir, não aguentaria mais aquela tortura, mas para já isto era tudo aquilo que precisava. Entra no quarto e fecha a porta, não consegue esconder o sorriso que lhe corre a face e lhe aperta o coração. Escorre-lhe alegria quando vê o sorriso devolvido. Percorre-lhe as mãos pelo tronco e ancas enquanto sente os seus braços à volta do seu pescoço, sente os seus lábios no seus e ouve a sua respiração ofegante. Pega-a então como ela tanto o desejava, leva-a para os seus lençóis de seda e aí lhe reviva o espírito. As velas são acessórios, a Lua um espectador e os lençóis um complemento a tudo o que desejavam. Sente-se dentro dela, como que uma parte dela, vagueia-lhe a alma e descobre-se lá, quente, febril, desejado e bem, Enrolam as mãos e contorcem-se os corpos, fundem-se as almas. Mais uma noite que desejavam que fosse para sempre. O suor já lhes corria pelo corpo mas a energia continuava a mesma. A mesma vontade, o mesmo desejo, o mesmo amor. Poderia aquilo morrer? O tempo diria. Para já ficavam-se pela luz das velas, a cera que delas escorria e as sementes da virtude que se espalhavam pelo leito do amor. A febre aumenta enquanto a noite decorria...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A.M.O.T.E.

A.braço
M.ortal
O.stenta
- o
T.errível
E.ngano

Não me basta sonhar,
Não me chega pensar,
Sofro de tanto te desejar,
De tanto me relembrar que deixei esses teu lábios escapar...

São sedutoras, as mãos que emergem do desconhecido e nos agarram, desesperadas por viver e por dar vida. Assustador é tal o pensamento de que alguma vez viveu aqui o sentimento pois ele é a fonte da ignorância e é ele que nos deixa no escuro a tactear o mais infinito ar, procurando uma parede ou algo seguro a que nos agarrarmos. Desnorteados, somos nada, viemos do nada, procuramos o nada e sentimos o nada porque do nada nascemos e com nada morremos. Passa-nos a vida à frente, encostamos-nos a sorrisos e alegrias, a prazeres e luxúrias. Ocorre-me o pensamento, como podemos nós definir o interior com apenas uma palavra? Como podemos agregar tantas confusões, atirar um possível futuro por nada? Isto completa o nada que somos e o que desejamos ser. Não me parece justo definir o nosso interior com uma simples palavra, tal como não gostamos que sejamos etiquetados pelas roupas que vestimos, música que ouvimos ou ideologias/pensamentos que tenhamos.
Agora lembro das noites passadas, das horas que decorriam, o teu sorriso. Apercebia-me eu de que me estava a deixar enfeitiçar por ti, nem lutei contra tal, fui a favor da maré. Mudei, não por ti, mas porque tu me ensinaste tanto mais, mostraste-me que talvez a minha redoma pudesse ser um pouco mais alargada. Deste largas às minhas asas e encorajaste-me a fazer o que não me imaginei a fazer antes. Enquanto te via a ti, no tal desconhecido, como uma luz, diz-me o que viste aqui. Não usei palavras que acho ridículas, não por aquilo que devem descrever mas sim porque não descrevem nem parcialmente o sentimento. O sentimento é demasiado grande para pôr em palavras, para mostrar com gestos ou melodias. Terias de olhar nos olhos e procurar sem medo. Garanto que lá te encontrarias, bem guardada e segura. Não foi medo ou indiferença, não quis que fosses, não o és, não te posso dizer se serás ou não, apenas mais uma. Mas nisso me mostraste que eu era, cá eu me enterrei.
Que venham os despojos do pensamentos, os pecaminosos pedaços de sentimentos que se reúnem para formar um apenas, insuficientes em toda a sua grandeza e esplendor. Demasiado complexos o são, tentar compreendê-los é gastar o nosso tempo em vão, tentar usufruir de tal oferenda é forçar o que nada somos. Pois moldamos-nos conforme a pessoa que nos oferecer abrigo na noite. No final dizemos que foi tudo fingimento, uma ilusão, nunca houve ali nada porque a outra pessoa não era quem nos deu a entender. E a procura continua, tal como a mentira. Se há culpas a atribuir, porque não a nós? Porque são as pessoas vivem à nossa volta e não o mundo que gira connosco dentro dele.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Um brilho nos olhos

Preciso de me exprimir, contar toda a verdade, não esconder nada, porque a minha consciência me pesa, porque a escuridão me atrai, porque o desdenho que vejo nos olhos de desconhecidos me trai. E aí as palavras deixam de fazer sentido, os gestos são banais e as memórias são tudo a que nos pegamos numa noite fria onde não há mais lugar na alma para mais destruição. Desperdício de recursos e forças, seres entregues à sua execução por opção própria, como ratos, pequeno, impotentes, vazios absolutos. No seu egoísmo, são cegos à sua própria condição e lançam pragas à divindade que os criou, pelas dores, pelos seres, pelos caminhos que sozinhos escolheram e neles se perderam. Sem vergonha gritam à noite perjúrio na esperança de haver ajuda ali mas a única ajuda que encontram é aquela que sempre rejeitaram. Então caem, são a multidão que furo, ignoro, desprezo. Até ver a face dela, aí caio num estado estático, onde a destruição deixa de ser a alma mas algo a fugir. A sua angélica face, a sua doce voz, tudo o que ela é, procuro mais isso do que um bocadinho de morte.
Derivo no meu delírio, onde me falta a inteligência e a originalidade, onde sou comum, parte da multidão. Não nota em mim, ignora-me, despreza-me, fura-me o coração com uma estaca e o vazio fica onde o amor outrora foi. Mas há esperança, tanta quanto as estrelas no céu negro, na imensidão do Universo onde ela é nada, mais multidão, excepto a meus olhos. Admito que sou louco, perdido, um apaixonado que não sai do seu estado porque é confortável, porque gosta de aí estar, simplesmente porque gosto de a ver, ainda que ela seja distante e desconhecida. Não preciso de dias, de letras, de pessoas. Preciso da sua visão e da sua voz - não em mim - tão perto de mim que possa realmente tocar-lhe, minha divindade mascarada de dor. Conhece-la, ser-lhe algo mais, oferecer-lhe o meu ser por completa estabilização da minha mente. Egoísta! Como posso ver dor nos seus olhos e ainda querer-la para mim. Mudo de mim para sombra e observo à distância, sem nada fazer, esperando o tempo.
Afundando-se mais no seu buraco negro, estendo uma mão para a apanhar, tento ser a luz que tanto ela repele com os olhos. Se apenas ela visse o brilho nos seus olhos, se ao menos entende-se o significado dos meus. Mas não falo, não me exprimo, não quero ser mais dor. Posso tentar dar-lhe mais, ser-lhe mais mas mais ela se afunda, mais ela foge, mais ela se refugia no seu canto, pequena como ela é, onde não consigo chegar. Ainda estendo a mão, tanto por ela como por mim, esperando o seu toque. Dar-lhe uma flor para quando ela chegar aqui, puxada pela corrente da minha vontade, pintar-me da forma que ela quer para que eu seja alicerce da sua sobrevivência. Tudo para a ter aqui, nem que seja um retrato vivo do egoísmo que trará a completa morte do meu sorriso, nem que mate tudo o que sou. Tudo isto para algum dia dizer-lhe o que significa o brilho nos meus olhos porque eles só brilham quando a vejo e porque a vejo.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

São as paredes brancas

Farto destas paredes brancas a seguirem-me para todo o lado, cedo caio no chão da impureza e encontro lá o meu espelho há tanto tempo partido. Que tenho eu de dar ao mundo para estas paredes caírem para me deixarem ver a liberdade do céu azul e cinzento? Já tenho as mãos manchadas de sangue, limpo-as com a língua para saciar a minha sede e perder um pouco mais da minha sanidade. Já fiz o sacrifício de me levantar, voltar a sentar-me e esperar por um novo monstro para tomar conta. Já perdi sem nunca a ter, já a dei sem sequer a possuir, já a garanti sem sequer ter estado dele. E se a predefini foi porque um dia não consegui revelar força para seguir em frente e ser eu próprio. E, se sou eu próprio, que venha então outro monstro para mais uma vez manchar as mãos de sangue voltar a sentar-me, desta vez esperando nada, desta vez ser nada senão o silêncio que tanto espero e que tão devoto dele sou. Devoção cega, talvez ambição cega de me enganar outra vez, de ir contra outro muro, para ser mais um, para escalar o monte que toda a gente escalou para congelar no topo ou cair outra vez no chão. Tantas palavras e no final não consigo descrever o que quero ou o que sinto. Sinto ou escondo, na realidade. Quero uma parede de nuvens azuis do céu um chão verde da relva onde eu me possa sentar e relaxar.
Neste dia há um milhão de gotas que caem em cima de mim, que me limpam da sujidade que vou voltar a ganhar mal saia debaixo desta queda da água. Neste dia há um milhão de seres que se espalham por aí e fazem o mesmo que eu, parasitas, monstros, sombras, silêncios, Universos, mundos, realidades, destruição no seu conjunto imperfeito. E estes micro-organismos, que são para mim? Que fazem dentro de mim, porque se entranham dentro dos meus pensamentos e pesadelos, porque criam estas insónias, serei eu não outro ser que não um animal nocturno, deficiente à imagem humana, imperfeito à tal predefinição da sociedade humana, um exemplo daquilo que não se quer que as crianças sejam? Mas à superfície somos todos estranhos para os outros, no escuro não reconhecemos as faces ou as feições, será que aí ainda sentimos, odiamos e criamos predefinições? E então que importa a pele, os lábios, os seios, todas as líricas eróticas, todos os beijos? Importamos nós, o nosso pensamento retrogrado ou fechado, a nossa mente fechada e o nosso egoísmo, as nossas exclusividades para com a dor dos outros que nos rodeiam. Queremos os dias a passarem com única e exclusivamente aquele canto da nossa mente representado em carne ao nosso lado, sempre ao nosso lado. Apresentamos loucura e somo-la porque assim nos criaram ou assim acabámos por a conhecer e lhe apertar a mão com um sorriso. No fundo somos crianças na inocência da ignorância de como o Universo maior que o nosso mundo conjunto funciona.
Liberta o génio, destrói as mentes, sê diferente, consume o pouco que te resta, é uma vida tua e um direito a não reclamares. Toda a vida uma prisão, constantemente a demência ataca os fracos e a idade não perdoa esta fluorescente mente que ultrapassa o imaginário e o transparente. Supera as tuas dificuldades e torna-te o ser perfeito. Limita-te à tua insignificância, desiste dessa tua altitude imaginária. Difícil é definir que caminho seguir, quem ser, quem conhecer, o que algum dia esperamos ser. Aí não vão ser prados verdes, não vão ser arco-íris e uma vida que nos sonharam antes de sequer nos terem permitido pensar. Já nos disseram palavras, já nos caracterizam antes de abrirmos os olhos. Quem lhes deu permissão, quem permitiu que nos tocassem, que nos mostrassem o mundo, que nos falassem e contassem? Não somos mais donos de nós próprios, não somos uma revolução em crescimento, uma manifestação que abandona protestos durante a noite e se levanta outra vez durante o dia? Afinal parece que somos pedaços de cartões, corações partidos e mentes limitadas ao que os outros predefinem para nós. Já não somos donos de nós próprios. A dor já não é nossa, é de todos os outros. E para isso digo, que se foda a dor, é psicológica, que se lixe o futuro, é nosso para mudar, que sejamos nós próprios na menos mentira que consigamos encontrar.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Sóbria voz que ecoa pelas escadas da glória

Sóbria voz que ecoa pelas escadas da glória, que me chamas nesta noite cheia de essências fantásticas e palavras deixadas para concretizar o vazio. Aqui a tua palavra vale mais do que os meus sentimentos, as minhas visões são obsessões que me preenchem os olhos e que constroem a tristeza. Que vitória tenho eu sobre os meus demónios se nem sozinho consigo dormir sem ser na posição do meu nascimento? E o ciclo recomeça, esta tristeza abate-se sobre mim outra vez, enquanto desejo o teu leito para descansar. E as palavras são escritas, ainda esta voz sóbria ecoa na minha cabeça, relembrando o meu orgulho pela glória de outrora.

"Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso."
Alberto Caeiro - "I - Eu Nunca Guardei Rebanhos" - "Guardador de Rebanhos"

Teme-me. Teme-me pela minha loucura, pelo meu vazio, pelo frio que sou e que te faço mostrar. Teme-me pela minha loucura, afasta-te pela minha carência habitual. Encontra o medo de te magoares e afasta-te de mim. Empurra-me para longe, não te quero magoar. Não desejo retirar-te a inocência que te faz tão linda, nem a tua criança que tanto me faz querer abraçar-te. Já me repudiaste, já expulsei de mim a minha incapacidade de sentir. Faço de mim um boneco a avançar contra mais uma parede, com um sorriso cozido à estupidez da falta de pensamento e uns olhos muito abertos à cegueira que me condena à eterna dor nos momentos de felicidade. Mas no escuro somos iguais, eu - uma pequena criança com medo de existir e sentir - e tu - um amor que confesso não existir uma vez mais.

"Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho. "
Alberto Caeiro - "I - Eu Nunca Guardei Rebanhos" - "Guardador de Rebanhos"

É o meu desconhecimento que trata do meu contentamento de estar aqui. Vivo para aprender e luto para chegar a uma loucura mais profunda, um novo nível de degredo, estragando este solo feito pelos que já percorreram esta gruta, contaminando-o com novas palavras que se pensam ser pensadas mas na realidade são despejadas como fardos nas costas. Aqui os relâmpagos são mais fortes, aqui as trovoadas somos nós. Aqui caio ao chão à vontade e levanto-me outra vez sozinho, por vontade própria, por saber que há uma escuridão maior onde os meus amigos me esperam. Percorro estas grutas, afasto-me de ti, exprimo a minha raiva pelo silêncio e destruo almas com as minhas asas libertas. E os meus demónios olham-me com os seus olhos brilhantes, temem-me pela loucura que procuro e escondem-se por não poderem amar-me e odiar-me ao mesmo tempo.

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
Alberto Caeiro - "II - O Meu Olhar" - "Guardador de Rebanhos"

quarta-feira, 4 de março de 2009

E com alma escrevo

E com alma escrevo,
Sem importância ou relevo,
Para ti e para os teus pensamentos que ora julgo ocupar
Ora me vejo a abandonar.

Mas dou ênfase ao que não vejo mas sinto, invento que apenas penso e descubro que penso de forma alguma, simplesmente respondo. E que os trovões me iluminem o caminho e que a chuva me aqueça mais o coração solitário que espera arder e que de fogo não tem nada senão engano. Que o batimento seja o seio da alma e o som dos trovões o pai de todas as lágrimas que largo das nuvens a teus pés. Venha então o nascer do Sol, o prelúdio do novo dia para vir, em que palavras de nada nos servirão que não pronunciadas olhos nos olhos, de coração para coração. E desvaneça eu ali, caia-me o corpo e voe-me a alma se lágrimas ou sorrisos não provocar em ti, se nem um abraço sufocante e sentido venha de ti.

Ah, dona do meu ser e da minha domada revolta,
Porque não aceitas em ti o pouco que te tenho a oferecer, o meu esforço e a minha desolação?
É por minha imutável adoração, a minha cega ambição e a minha recusa de desistir?
Ou é por igual egoísmo teu de não mudar e aprender que há prazer na dor?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Empty shed

Love, I'm leaving you again. All I wanted was pleasure all along and in the end pain was meant to be. In this house that I've been building in my mind, the room with the empty bed belongs to me. Those sheets with tainted letters are called disease with four simple words that cause so much lies and pain to the naivest and weak. This wicked life that I see in front of me, this lone path that I've taken by option to follow leaves me so hollow. So I came down to myself, broke down the walls, took out the bed along with curtains and the windows. So much time left yet such a desire to leave this empty shed.
After so much blood gone to waste, tears wouldn't wash this loss away. Your grave is kept grey and the grass is as green as the eyes of destruction could be. So the dust covers the memories and the rust fills the guitar. Once again those six strings cry a chord and make a melody in the white room. It's a nail, a stone that reminds me that you were here and now gone. Who would come to say that I would hang that old body in the storage outside, in this October that was more than brown and yellow? In my head, everything falls to place, as well as the puzzle get completed and generates an image of the perfect sunset with your shadow, your hand holding the hair that flies with the wind, a lonely tear painted grey with life.
Tomorrow brand new melody, in the blue morning of the birds, I'm in constant mourning and relived from this burden. I left behind that cliff of despair, what more can I do? Tears won't bring the memories to life. This epiphany is the demonstration of the halo that burns over my head. And time... time just seems to take away the hair and the hopes, along with the sea that separates your world from mine. It continues black, uncertain, this fog blinds. I struggle myself and my egocentric mind awakens to one more text of sadness and talking about me and my pain, my fantasies and dreams. Burn the paper, destroy the world, let the beginning of utopia come, so unplanned but desired. As my forest grows, within me parasites, let them burn in the bushes of secrecy. And then let this empty shed fall down, down to the ground.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Casa da criança de Novembro

Tenho uma indubitável paixão entre mãos. A questão é assassinada pela queda das águas no meio destas rochas. O som místico da natureza é considerável dentro de mim. Sinto-me no topo do mundo sentado nestas rochas, a olhar para o lago lá em baixo com os peixes a nadarem na sua inocência e ignorância. O simples reflexo do Sol nas suas escamas deixa-me num sonhos desta terra perfeita que não quero deixar. Os arbustos, as árvores, uma completa casa em que relaxo sem um único pensamento de ferro e aço. Nestes tempos de isolação perfeita, este monólitos são o meu refúgio e o reflexo da minha alma, rodeados do verde da relva. O vento uiva os suspiros dos lobos que me vêm fazer companhia, aquecer-me nestas noites e proteger-me da mão e mente da humanidade. Passeio por estas terras perdidas, enriquecendo a minha paixão.
No fim do dia encontro-me perante um campo de girassol, rosas e cravos. Aqui reside o meu coração e aqui ficará o meu sangue porque nem palavras nem expressões faciais - nem mesmo lágrimas - conseguem exprimir a minha felicidade e confiança que este sítio mágico cria. Aqui o tempo não passa então deito-me entre mares de espinhos e pétalas, observando as nuvens do céu e o azul que reflecte o mar. É como se tudo isto e eu no meio formássemos uma aurora invisível e desconhecida aos olhos negros de tudo o resto poluído. Aqui só entro e existo eu, na comunidade da Natureza e na sagrada ordem da Deusa. Não me consigo abandonar aqui e dividir-me por tudo o resto porque tudo o resto é o que quero sentir e exprimir por mim. Então ponho-me a caminho para outras terras de mim para que não perca tudo ao desejar o mundo.
Uma flor no cabelo, vou oferecê-la à minha imaginação por me permitir continuar a caminhar. Esta terra debaixo dos meus pés derrete-se em lama e reflecte os pedaços partidos da minha alma. Ainda aqui, não daqui sairei pelos gritos de ninguém. Nem ajuda será necessária a correr para as florestas verdes e castanhas das árvores sagradas onde me prendi uma vez por meditação. Debaixo do Carvalho central me sento e espero o orvalho matinal para completar esta paisaigem esplendorosa. O Sol a nascer uma vez mais atrás das montanhas, o vale lá em baixo incluído no meu sangue derramado. Aqui adormeço com a primeira gota de vinho na boca e a última do orvalho a abençoar-me. Que mais preciso aqui para além de mim?

A soul inside

Sometimes I miss you, those times are too much of pain to remember, those long ago times when we smiled together. Divinity crushed into infinity, a stars dream was our own and we stood on foot in the dead of the night. Without shame, we defied the skis, without fear, our heads crashed together creating a blind light. Although miles apart, we were glued to each other in heart and soul. And there was something special there, in a little time before the carfue of the soul. Then I felt stricken, now I'm just numb.
You felt like cancer to me, a dead weight that a strict diet couldn't kill. I drove through this land of forsaken mistakes and renewed the mountains with flowers of disdain and ignorance. I travelled in the fog, I consumed this evaporated water drops, all for the same old errors that a regular human should do. I wanted to see your blue sea eyes, caress your blond hair and to feel... simply feel. And I ran, distancing you from my carnal and soul intentions, I feared the change. I would preserve my emptiness. So I picked up my guitar and got on my way straight home.
Oh the sadness and the grieve I felt inside. Now the news related your death and your suicidal note was dedicated to me, with more love in each letter that I could ever feel for you. Your southern speech, the wind you brought along with you heat, when will I be able to defy the Moon again? Without your hand in mind, I'm a piece of cold and relentless fear, wishing you were here to punish and love me with your tender lips. You were the best torture that I felt and never again shall I feel again. Under this rain, I write words to you that are washed away and forgotten by the world but you shall never die inside me.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A taste of winter

I feel her slipping away, withdrawing from my hands in a second moment of light. She felt the pain and she battled inside but the grieve was too much, the damage to her soul had been done. Not by me but the was nothing I could do to change it. She wouldn't let me help. Now, she's a careless angel with wings that don't spread, she can't see them. She fled from within my hands and I feel so alone in this cold season. In this virgin snow I step of frozen tears mixture with blood. All mine and all dead. For the debut of her beauty in the deadly month of May, she burned my happiness and in the hottest month of August, she gave my eyes life once again. Now leaving to her past, she will not see what she left here, an imprisoned demon to her lack of confidence. She won't know the chains that keep me here, tortured, mistaken for another common mortal. She wouldn't help my soul. Now, no one within my security, she doesn't want me to die for her and I'm drowning in my emptiness. I can't do anything for her anymore.
One night of lights and laughter, I tasted your lips and you ran away. You shock your head away and used the first boat home to your mean of safety, your own self. I meant nothing to you yet you returned to that place with me. Your vision made me smile for days and nights. Your lips once again in mine and I was in a dream. A dream where you could smile and we held hands, no one else around mattered. We went home and words were the only night and life remaining here. You, in my bed, just the silence and the two of us. Life stood frozen in the dead of the night for us. Still you wouldn't look me in the eyes, still you refused to acquire the love that I felt and still feel for you. It was a last chance of acquaintance for this time. In the next morning you said goodbye and travelled through the fog, into uncertain waters. I couldn't see your face or make you smile again. More of a punishment that life itself. The words I typed with you in the nights of longing reached somewhere that wasn't you, still I saw you again. Once last time and you in my arms. Amidst the sunsets that I've never seen, in that unknown land that you walk around, I saw the trees with you and the sadness in your eyes. A day passed and I didn't even heard the hours pass. You just ran and I didn't saw you leave me behind. And so I left and the world wouldn't miss us at all. I wouldn't deserve another look from you.
Now I sit in despair, you're further and further, every word I write only creates distance. I can't tell you the reason of why you're still in me. I only feel that I lost all I had in a moment mistaken. This wasn't our time, will we get a second chance? But now you belong to the past, the nightmares control my nights when I don't have insomnia, the images of you are perpetrated and consumed and I only see darkness along with your arms reaching for mine yet distancing, going away until you're darkness as well. This blindness won't disappear and the world doesn't want me to perish, the Goddess won't let me to. I'm nothing and I can't give nothing that I didn't have tried to give you before. You're so much more of me, you mean too much for me, are you allowing me to let me die?