Estou tão farto das pessoas a zumbir à minha volta. Diariamente, de uma ponta a outra do autocarro, pessoas a falarem demasiado alto, umas com as outras, ao telefone. Não sabem apreciar o silêncio? Todas as árvores lá fora parecem compreender-me, o seu verde que arde nos meus olhos, a manhã chegou demasiado depressa esta noite. Não há palavras interessantes ditas por outros, oiço as mesmas de sempre, com a melodia que me acompanha quilómetro após quilómetro para me acalmar o espírito. E talvez isso seja o suficiente, rapidamente esta viagem acabará e poderei continuar por corredores de embaraço e olhares.
Que é que eles deram a estas paredes? Memórias de inúmeras pessoas que por aqui passaram e deixaram a sua marca. Pilares que se erguem em domínio que os tectos que nos cobrem as cabeças da chuva e do Sol. São várias as caras, corpos presentes, mentes ausentes, aqui. A arrastarem-se como se não estivessem vivos, sem desejo nem vontade. Murmuram, é o melhor que conseguem fazer. Não consigo ter uma conversa decente com nenhum deles. Ninguém é interessante, apenas barulhos ambulantes que teimam em existir na minha visão.
domingo, 28 de agosto de 2011
sábado, 27 de agosto de 2011
Já houve noite e já ouve dia. Já se ouviram os cantos dos pássaros e os tambores de guerra. Já deu para perceber que não vimos tudo, que há sempre algo que nos escapa a lógica e o conhecimento. Já foram ditas todas as palavras e inventadas todas as filosofias. E agora há o silêncio da repetição e o transtorno da morte.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Dias que passam
Mãe, não me mostro digno das tuas palavras e benevolência. Esqueço-me da roda, deixo passar os meses sem significado, o mesmo que eu perco, tudo o que tu me deste. Tu que me dás agora mais do que tive antes, Illyathos nos braços da sua mãe e Salvatia no refúgio do seu pai, tudo iluminado por tua simpatia e natural gentileza. E eu nada faço, os meses são-me brancos e os dias nem memórias me dão. Parece que tudo o que digo ou faço é em vão no entanto encontro-me a sorrir silenciado de pensamentos e lógica, não procuro explicação. Agradeço a bondade e fecho os olhos, todos os dias vêm e vão mas tu sempre me demonstras ter-me no coração...
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
I'm Kept Silent
The waves continue to hit the rocks, the water is still, such is my life. Inside a box the thoughts are stored, everyone looks at me in a funny way, I hate their pity, I hate how they treat me like a child. But I am silent. Not by will but by nature. They think I'm limited to the same thoughts everyday but I'm far more than these pills that they give and the tag of disabled everytime someone new enters. And everytime I think of something new or think I remember something they come to shut me down, keep me locked on and addicted to their "medicine". Bastards that keep me behind bars, in the dark, in the shadows of my mind. And I'm kept silent, my will is gone and my nature is bewildered.
Turdulorum Oppida
Sobe as escadas e espreita pela janela, o que vês? A ribeira adjacente à casa para nos acordar todos os dias com uma leve melodia. Acorda-nos todos os dias para nos saudar com orgulho da sua existência, para me dizer que sou meio completo cada vez que me afasto dela, que sou um todo quando olho para o horizonte e sorrio com a sua beleza. Todo este terreno, toda esta Natureza, magia no seu estado puro que nos abençoa todos os dias e todas as noites, vizinhos das estrelas e dos deuses, de tudo a que agradecemos à noite. Tudo o que vês oferece-nos tudo o que precisamos para viver, somos verdadeiramente abençoados pela Deusa.
Não há vergonha em andar à chuva, contra o vento, sobre o Sol seco, ver as folhas rebentarem e crescerem, verdejarem e finalmente morrerem e caírem, cobrindo o chão. Caminhar por estes vales rodeados por estas montanhas, é tanta a beleza a absorver e somos apenas duas solitárias almas que tão pouco têm a dar, tão pouco fizemos para o merecer. Vivemos, é-nos suficiente. Para quem isso não o for que pisem a minha terra com mente em sangue e sangue vos entregarei, cobardes! Aqui o vento sopra suavemente cantando um enigma que faz de nós uma oração, tudo o que podemos oferecer e o que nunca ninguém nos vai poder tirar, inimigo, é o amor e dedicação que temos no nosso coração por esta terra. Nem mesmo a tua força bruta.
O fogo queima a lenha na madeira e os relâmpagos trovam lá fora. Dentro desta casa de pedra cada gota de água é um sinal e cada trovão um aviso de que o céu pode cair a qualquer momento. Mas o medo não persiste, o lobo é destemido e o mocho sábio, a serpente astuta deita-se e espera pelo final do castigo, em breve haverá um arco-íris a cobrir os céus. Orgulho nos animais que nos acompanham e protegem a casa, lá fora o veado e o Corno são a nossa segurança e tranquilidade. Em breve a noite acaba e dá lugar à madrugada que vem sempre acompanhada das brumas e a minha felicidade eleva-se, ter-te nos braços é o melhor, minha beldade.
Se soubesses quão exequíveis são os meus desejos, meu amor, percorrerias todo o planeta para os concretizar. Mas não sabes, o meu silêncio é sinal da minha satisfação, este descanso onde nos encontramos é tudo o que peço. Sabes, no entanto, que não sou um homem de ambição larga e que muito me esforço para tirar sangue dos pensamento e com essa informação te manténs ao meu lado. És o refúgio aos meus problemas e à minha violência, és as palavras de aviso e tranquilidade dirigidas ao desapontamento em mim próprio. Sou tão passivo quanto a ribeira, sabes disso, graças a ti, desde aqui até à minha sepultura.
Não há vergonha em andar à chuva, contra o vento, sobre o Sol seco, ver as folhas rebentarem e crescerem, verdejarem e finalmente morrerem e caírem, cobrindo o chão. Caminhar por estes vales rodeados por estas montanhas, é tanta a beleza a absorver e somos apenas duas solitárias almas que tão pouco têm a dar, tão pouco fizemos para o merecer. Vivemos, é-nos suficiente. Para quem isso não o for que pisem a minha terra com mente em sangue e sangue vos entregarei, cobardes! Aqui o vento sopra suavemente cantando um enigma que faz de nós uma oração, tudo o que podemos oferecer e o que nunca ninguém nos vai poder tirar, inimigo, é o amor e dedicação que temos no nosso coração por esta terra. Nem mesmo a tua força bruta.
O fogo queima a lenha na madeira e os relâmpagos trovam lá fora. Dentro desta casa de pedra cada gota de água é um sinal e cada trovão um aviso de que o céu pode cair a qualquer momento. Mas o medo não persiste, o lobo é destemido e o mocho sábio, a serpente astuta deita-se e espera pelo final do castigo, em breve haverá um arco-íris a cobrir os céus. Orgulho nos animais que nos acompanham e protegem a casa, lá fora o veado e o Corno são a nossa segurança e tranquilidade. Em breve a noite acaba e dá lugar à madrugada que vem sempre acompanhada das brumas e a minha felicidade eleva-se, ter-te nos braços é o melhor, minha beldade.
Se soubesses quão exequíveis são os meus desejos, meu amor, percorrerias todo o planeta para os concretizar. Mas não sabes, o meu silêncio é sinal da minha satisfação, este descanso onde nos encontramos é tudo o que peço. Sabes, no entanto, que não sou um homem de ambição larga e que muito me esforço para tirar sangue dos pensamento e com essa informação te manténs ao meu lado. És o refúgio aos meus problemas e à minha violência, és as palavras de aviso e tranquilidade dirigidas ao desapontamento em mim próprio. Sou tão passivo quanto a ribeira, sabes disso, graças a ti, desde aqui até à minha sepultura.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Vinho Tinto
Deixem-me beber até ao final da garrafa
Para poder libertar os meus sentimentos,
Apagar os meus sentidos por momentos,
Apenas um copo não me safa.
Deixem a garrafa aqui, é dela que necessito,
Deixem-me sentado em silêncio
Todas as histórias têm um começo
E se não beber a garrafa sei que minto,
Mesmo que não tenham necessidade de saber
Eu tenho a necessidade de a dizer.
Vamos beber, vamos dançar, vamos cantar
Com alegria, espírito e desinibição,
Vamos cair, vamos-nos rir e criar a ilusão
De que ainda consigo amar.
Para poder libertar os meus sentimentos,
Apagar os meus sentidos por momentos,
Apenas um copo não me safa.
Deixem a garrafa aqui, é dela que necessito,
Deixem-me sentado em silêncio
Todas as histórias têm um começo
E se não beber a garrafa sei que minto,
Mesmo que não tenham necessidade de saber
Eu tenho a necessidade de a dizer.
Vamos beber, vamos dançar, vamos cantar
Com alegria, espírito e desinibição,
Vamos cair, vamos-nos rir e criar a ilusão
De que ainda consigo amar.
Já passou uma semana
Já passou uma semana e nem uma palavra vinda de ti. Nem um olhar, nem um suspiro, nem um sinal. Já há muito descolaram os indícios de coragem e determinação, deixando para trás a solidão que dá razão ao alento de te perseguir, encontrar, beijar. Talvez uma razão algo maníaca mas o teu silêncio tem uma tendência em arrefecer as minhas noites, em frustrar as minhas tentativas de não rever as cartas que me escreveste quando poderias simplesmente vir à minha casa e beijar-me, de as cheirar para me lembrar do teu cheiro. Mas dão razão ao sentimento, alimentam a esperança e a desolação. São uma faca de dois gumes.
Não consigo ganhar. Contra isto, contra o vento, contra a falta de sentir as tuas coxas nas minhas mãos, os teus lábios cerrados nos meus, os teus olhos caridosos que me gritavam que me irias amar para sempre. Com cuidado caminha noite esperando que cada sombra seja a tua silhueta a vir na minha direcção, que cada som seja a tua voz a chamar-me, que cada janela com luz sejas tu a olhar para a rua e veres-me passar com um sorriso. E a noite embala os meus sonhos, irrealistas como tu sempre lhes chamaste, e permite-me andar durante o que pareceram horas sob a luz da Lua. Apesar de toda a conspiração contra os astros e o que eles permitem, esta tem sido a noite em que tenho pensado mais em ti, em que eles me têm ajudado mais.
Encontrarás algo no silêncio: ele diz sempre a verdade. E permitir-te-á ouvires-te. Consolar-te-á com a sua frieza, esclarecer-te-á a mente. Dir-te-á que quem não está contigo não merece os teus pensamentos. É algo díptero, resguardado nas profundezas da noite. E vale mais que todo o perfume nas tuas cartas, todas as tuas palavras de consideração passada, de paixão expirada. Já passou uma semana e nada de ti, não espero mais do que já me deste, o silêncio profundo onde me voltei a encontrar.
Não consigo ganhar. Contra isto, contra o vento, contra a falta de sentir as tuas coxas nas minhas mãos, os teus lábios cerrados nos meus, os teus olhos caridosos que me gritavam que me irias amar para sempre. Com cuidado caminha noite esperando que cada sombra seja a tua silhueta a vir na minha direcção, que cada som seja a tua voz a chamar-me, que cada janela com luz sejas tu a olhar para a rua e veres-me passar com um sorriso. E a noite embala os meus sonhos, irrealistas como tu sempre lhes chamaste, e permite-me andar durante o que pareceram horas sob a luz da Lua. Apesar de toda a conspiração contra os astros e o que eles permitem, esta tem sido a noite em que tenho pensado mais em ti, em que eles me têm ajudado mais.
Encontrarás algo no silêncio: ele diz sempre a verdade. E permitir-te-á ouvires-te. Consolar-te-á com a sua frieza, esclarecer-te-á a mente. Dir-te-á que quem não está contigo não merece os teus pensamentos. É algo díptero, resguardado nas profundezas da noite. E vale mais que todo o perfume nas tuas cartas, todas as tuas palavras de consideração passada, de paixão expirada. Já passou uma semana e nada de ti, não espero mais do que já me deste, o silêncio profundo onde me voltei a encontrar.
domingo, 21 de agosto de 2011
Lições de humildade
Nem tudo é o mesmo a toda a hora. Às vezes temos de mudar as nossas convicções, as nossas ideias, o que pensamos ser. É tudo uma lição de humildade com sabor a humilhação. Mas no final suponho que isso seja o que significa crescer. Ser-mos ensinados para um dia podermos ensinar. Somos quebrados, tirados dos nossos mundos irreais onde tudo sobre nós é perfeito, ou assim queremos que seja, e vemos que estamos num patamar abaixo de muitos outros com uma vivência mais longa, com uma experiência maior. Talvez nem por isso, talvez porque eles não tiveram medo de viver a vida enquanto que nós fomos criados em conchas e não saímos do casulo em que nos envolvemos. A vergonha é nossa, pelo menos por enquanto. Mas sonhamos, eu sonho, em tudo o que possamos ser, em tudo o que podemos realizar. Até existir mais uma lição de humildade que nos envia para a cama para dormir sem sonhar.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Talvez o silêncio ilumine este dia
Talvez o silêncio ilumine este dia
Tão amaldiçoado por todas as verdades cuspidas,
Talvez a noite traga o barulho para me serenar a alma.
Não há palavras para acalmar a pessoa que conhecia,
Se era conforto que ela precisava não tinha palavras conhecidas
Para lhe trazer calma.
Ao invés um novo ciclo acabou,
Algo que nunca foi realmente algo apreciado,
Apenas um fardo.
Tão amaldiçoado por todas as verdades cuspidas,
Talvez a noite traga o barulho para me serenar a alma.
Não há palavras para acalmar a pessoa que conhecia,
Se era conforto que ela precisava não tinha palavras conhecidas
Para lhe trazer calma.
Ao invés um novo ciclo acabou,
Algo que nunca foi realmente algo apreciado,
Apenas um fardo.
Retorque ao sentimento
Já deixei de tentar. Não encontro explicação, é-me difícil escolher e verbalizar as palavras para explicar o que sinto quando estou contigo, quando estou dentro de ti. Também não sei o que te diga quando tudo o que falas é das noites passadas, de quem passou e já cá não existe, de tudo o que é exterior a estas paredes. Calo-me. Deixo-me em silêncio porque essa é a solução. Fico a ver-te pintar as paredes de todas as cores dos teus sonhos e pesadelos, alucinações e perseguições. E gosto. Ver-te exposta a mim em mente numa tinta temporária que fica na minha cabeça, ver-te dada a mim nua, com a tua pele de sede a roçar a minha tão inadequada, tão inexperiente. Tremo só de te ver. E então fecho os olhos porque tudo isto não passa apenas de um sonho para mim. O sonho mais real e agradável que já tive.
Tudo em movimento. Mais que um formigueiro. Quando te vejo do outro lado da rua, do outro lado da sala, do outro lado quarto. Quando vejo o teu sorriso, tudo em mim conquistas. E tudo em mim é atirado para o lado, caio para um estado de êxtase e felicidade, o mesmo que não consigo explicar. E em mim todo o teu ser existe, até mesmo aquela parte que recusas, aquela parte que negas ter. De mim tudo terás menos o que te destruir, o que arruinar o teu interior e te tire de mim. De ti recebo apenas o silêncio que confirma o destronamento do meu sentimento, substituído por algo que nunca chega realmente a ser o suficiente.
Tudo em movimento. Mais que um formigueiro. Quando te vejo do outro lado da rua, do outro lado da sala, do outro lado quarto. Quando vejo o teu sorriso, tudo em mim conquistas. E tudo em mim é atirado para o lado, caio para um estado de êxtase e felicidade, o mesmo que não consigo explicar. E em mim todo o teu ser existe, até mesmo aquela parte que recusas, aquela parte que negas ter. De mim tudo terás menos o que te destruir, o que arruinar o teu interior e te tire de mim. De ti recebo apenas o silêncio que confirma o destronamento do meu sentimento, substituído por algo que nunca chega realmente a ser o suficiente.
Subscrever:
Mensagens (Atom)