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quinta-feira, 1 de março de 2007

Carta de Despedida

Afortunados, aqueles que podem dormir e sonhar descansados. Afortunados ainda aqueles que podem dizer que são livres e que são felizes. Quem me dera poder dizer que sonho quando estou a dormir, quem me dera dizer que sou livre. Quem me dera poder ter a certeza de que tu me amas. Estes sentimentos não saem da minha cabeça e o que sinto por ti é o mais difícil a tirar da cabeça. Posso dizer-te que tu não me sais do coração. Ainda hoje quando tudo à minha volta me aleijava era a tua memória que me manteve vivo.
Sentimentos como estes, dores que sinto no meu peito, espinhos cravados no meu coração, o quente excessivo de um leite matinal, que me fazem lembrar de que sou dos poucos que vêm o mundo de uma perspectiva diferente, da perspectiva que nos é real. Se todas as rosas que vejo à minha frente me fazem lembrar de ti e se te amo tanto porque choro eu? Porque fico melancólico ao pensar em ti a caminho de casa? Mais uma vez falhamos na comunicação e cada vez menos tenho esperança em nós. Sobrará apenas a mágoa e as cicatrizes de mais um amor falhado.
Notícias erradas vêm dos lados errados, acontecimentos felizes vêm dos sítios mais mortos de sempre. Cairei num sono profundo, tão profundo que nem mesmo a tua voz irei ouvir. Sairei desta dor de mundo e desta falha feita por alguém desconhecido ou mesmo não existente que criou esta sociedade. Escrevo esta carta como representação de amor por ti e de amizade pelos meus amigos. Despeço-me de tudo o que é verdadeiro e importante para mim e deixo este mundo governar o que outrora era meu. Deixo o meu espírito ao meu amor e vendo a minha alma ao Diabo pois nada mais este mundo espera de mim e, já sem forças, não consigo resistir por menos que queira desistir.
Desistir, essa palavra que afecta e atraí tanta gente. A mim apenas me diz o que não faço e que não sou. Eu vivo a minha vida do nada, construo a minha própria sociedade da minha alma e vivo aquilo que posso, deixando para trás aquilo que não me interessa e que não me diz respeito. Deixo para trás lembranças da minha vida e deixo marcas nas pessoas que me eram mais próximas apenas para ter alguém que me diga "até nos vermos outra vez" quando eu partir.
Porque eu remo contra a maré neste mundo de sociedade corrupta e deixo aqui a minha memória e vida nesta carta de despedida...

Despeço-me dos meus amigos,
da minha vida,
do meu amor,
e dos que me são importantes,
até nos vermos outra vez.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Pergunto...

Palavras por dizer deixei eu hoje naqueles escassos minutos que falamos. Queria terminar a nossa conversa pois tu inspiras-me a escrever todas estas palavras que sozinho não conseguiria conter dentro de mim. Suscitas em mim emoções que nunca antes senti e fazes-me sentir bem. Toda a dor e sofrimento do mundo não se conseguem comparar aquilo que me fazes ao falar comigo. Apenas ao ouvir a tua suave voz eu consigo dizer mil palavras de amor pois é o meu coração e alma a ordenar o meu corpo nessa ocasião.
Estendo uma mão no ar à procura de ajuda ou talvez à procura da resposta da razão de me sentir como me sinto contigo. Poderia eu alguma deixar estes sentimentos de lado e voltar ao meu antigo eu apenas para deixar uma marca na minha alma auto-destrutiva? Conseguirei eu algum dia deixar de sentir o prazer que me dás ao falar nem que seja apenas cinco palavras comigo?
Que seja o que o futuro deseja ou mesmo o que o Diabo queira, por mim, desde que viva mais um dia apenas para te ver e sentir o teu calor no meio na neblina de humidade que nos passa à frente. No meio de nós as pessoas separam-nos e em cima de nós a chuva cai mas será isso o suficiente para nos separar? Procuro eu pela felicidade que me irá destruir eventualmente ou é apenas mais uma forma que a minha alma procura para me fazer sofrer e deixar as marcas profundas e cicatrizes que a vida não tirará?
Responde-me com sinceridade: alguma vez me fizeste pensar, nem que por engano, que estaremos os dois condenados a amarmos-nos ou estarei eu apenas a sonhar acordado como tem sido a minha própria vida? Olho-me ao espelho e nada vejo para além de uma pequena alma sem sentido algum e que mais valeria morrer a ficar vivo a sofrer. O tempo passa e eu noto as mudanças em mim e as mudanças no vento. Tomo nota de que a raiva que era a minha vida deixou de existir e todas aquelas lutas que eu tinha por razão alguma deixaram de existir. Tenho saudades de o meu eu antigo mas ao mesmo tempo quero ficar assim apenas para te amar.
Mas tudo isto para quê? Existe sempre a possibilidade de estar a escrever apenas para meu consolo, apenas para não explodir por dentro. A verdadeira pergunta é: estarei eu a sonhar com algo que não existe ou estamos verdadeiramente ligamos de uma forma intima que é a razão de tantas palavras e sentimentos expressados da minha parte?

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Lágrimas


Grita-se o que se pode até as cordas vocais cederem. Tira as fotografias para recordação dos bons e velhos tempos. Um tarde que jamais esquecerás e que será a elegida tarde da tua vida. Porque a morte não tem supresas apenas tem uma vastidão e uma escuridão que nos deixa em choque. Vira o disco e toca o mesmo para que te possas sentir contente uma vez mais. Lembra-te desta tarde como se fosse ela tivesse sido a tua vida inteira.
Traz-nos a lugares em que a mente não consegue alcançar sozinha - a fotografia. Lembra-nos dos amigos que temos e dos que tivemos, do que fizemos e informa-nos do que resta para nós fazermos. Traz-nos de volta aquelas habilidades e aqueles truques que faziamos quando eramos mais novos.
Sempre melancólico e com dor nos olhos pois tempos passados e tempos varridos dos quais eu tenho saudades e dos quais não consigo revivê-los. Lágrimas na minha face, lágrimas de dor, lágrimas de lembrança, lágrimas que acabam por ser de saudades.
Voltarei atrás mais uma vez apenas para lembrar-me do que fui e do que nunca serei outra vez e se alguma vez duvidei do que era foi apenas para me lembrar do que mais preciso há para mim para além do meu amor ardente pela deusa a quem se denomina "borboleta": os meus amigos. Porque não existe uma tarde razoável em que não se metam os amigos e que façamos o que os nossos conhecimentos nos permitem. Uma futebolada ou mesmo tocar guitarra mas no fundo apenas as fotos que nos trazem lembraças é que restam. Sim porque a mente humana apenas se lembra dos nossos momentos altos e baixos mas nunca nos permite guardar os momentos bons que passamos com os amigos porque estamos demasiado ocupados a desfrutá-los.
Sei que eventualmente tudo perderemos porque a morte não perdoa e não esquece mas também não nos deixa levar nada connosco mas faz-nos deixar tudo na vida apenas não na nossa mas na dos outros.
Um pedaço de mim perdi hoje quando ficamos os três sentados no meu terraço apenas a ver o tempo a passar e a tirar as fotografias para um dia futuro podermos falar disso. Não esquecerei aqueles tempos que passamos e aquelas tardes imperdiveís com os meus amigos. Até qualquer dia, vemos-nos lá.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Goddess

Pain and suffering in the window of life. Many ways of thinking that what's yours can be mine. Many ways to improvise the life that you once had and that you will have trough the door that is open for you. Travelling trough the desert in a slow march, like the winter comes and like the fall goes. For you if only, the big meaning of our fight and the living pain that they bring in the fields of the future war. In the car with the window opened and the door locked, I think that I'm surrounded by the huge pain of living and that this memory will remain with me for eternity. In the bus, I think about you, about all the things I want to say to you when you finally arrive to the highlands where I like to think that I live. This memory will remain with all the pieces of the puzzle solved and glued together. With the door locked and all hopes remaining in the closet, going rotten and being eaten by the rats of my mind. From the four corners of my mind I bring the pain and suffering that used to be my life until I met you and my life turned around. From the pit I returned to see the sun light hit my face once again and to discover that I'm not alone and that I'm not blind. From the skies, you goddess, you've fall to light my life and to show me how to live.
For your love I breed and for your touch I die. For the sinners that I see and for the pain that I am I cannot live without you and the warm that your love brings to me. For the corrupted world that we live in and from the sorrow I feel inside as I write this letters dedicated to you goddess, only the wish of your soul can tell me how I feel and only you can change the meaning of my life.
To go to war I see a way of telling you how I love without getting hit in the face with words. Because your words, badly said, can cut in such ways that I think that I would die. Wounds so deep that even scars won't be able to close them and forever more they will bring me pain. You know that for you I will, I will die in war for you and from the air that I breed I will sacrifice myself to you so you can live for another day. Say that you don't care about yourself only for me. Cry for help in war for my life is ending and my soul will depart. I will whisper to you four little words "I love you goddess"

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Sentido de Vida

Será atracção ou apenas distracção? Um caminho infinito com inúmeras perguntas às quais não sei dar resposta. Sei que estou cego e que por isso não consigo ver. Não consigo ver a verdade atrás das cortinas vermelhas nem a verdade atrás das máscaras usadas pelas pessoas. Sei no entanto que a vida tem vários sentidos e que sempre nos deixa mal depois de nos deixar bem. Enoja-me profundamente saber que tudo o que vemos à nossa frente é falso: a felicidade, o amor, os amigos... Enoja-me saber que à nossa frente a única verdade é o fim das nossas vidas.
Remamos na nossa vida à procura de algo ou mesmo do significado da vida. Não o achamos porque não o queremos aceitar. É muito simples, no entanto, a resposta: o único sentido de esta vida é a morte pois representa tudo o que acreditamos, queremos, possuímos e temos medo. Não o aceitamos pelo simples facto que acreditamos naquilo que temos durante a vida e porque sabemos que aquilo é o fim. Mas, como tudo na vida, a própria vida tem um fim e acabamos sempre perdidos onde quer que seja e, acima de tudo, esquecidos. Voltamos àquilo que gostaríamos de ser. Talvez um dia o possamos dizer. Tiramos fotos e guardamos memórias para talvez um dia, quando tivermos a morte à porta, nos lembrarmos-nos desses tempos. Choramos pois será o fim daquilo que realmente gostamos e do que realmente nos faz dizer: "Vivemos". Acabará esse dia por vir, mas será que teremos a consciência ou tempo suficiente para nos apercebermos de que está na altura. Apenas os eleitos, sem dúvida, o conseguiram. Eleitos, aqueles que têm noção do que se passa à volta deles e que sabem que viveram sem quaisquer dúvidas nem hesitações. Todos os queremos ser, pois eles realmente não têm medo e atiram-se de cabeça para os desafios e obstáculos da sua vida. A inveja e o medo nunca aparecem nas suas faces, por mais estranha, embaraçosa ou humilhante que seja a situação. Sentimento sem fim, guerra no mundo porque de facto vivemos e caminhos no sentido da vida: a morte.