This time I'm running away, this time it's my awful shame, amidst the blame of the cold December, you will lead me forever, into an remembrance circle. The images filter through the same space, in a frenetic race, alone they cry, no end in sight. The shadows seem to smile and wave as the scent of your neck draws more and more away from me. Like a parade, expecting the reflection of your milk white skin, I wonder through the streets of my mind, the night goes cold and I remember the time we once walked this path together, shared a drink together, shed a tear for each other.
Blessed be this bliss or the knowledge that we miss, somehow I'll find out a way to forget our kiss and the flavour of your lips. Heavenly divided, this divinity denied, blindly torn aside, love grown and kept inside. And so came the time for the harvest, the survival of wealthiest, I took your hand and led you trough the sand. Laid you down, my whisper was blown, kissed you softly and gaze at your eyes, kindly in pain. So the pane came to the ground, my happiness was not to be found, life carried on, your smile was gone. Tears came along with the rain, I was rejected with a simple 'goodbye' and no more came to be the story of you and me.
segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Em tempos de refúgio
Enfim... Sinto-me frustrado. Todos os dias sentado em casa, aborrecido, sem nada para fazer. Não tenho escola para ter aulas, não tenho trabalho (ainda) para ir trabalhar, não tenho horas para adormecer e tira-me toda a energia acordar tarde. O que é de mim, o que faço eu aqui? Queria perseguir um sonho outra vez, foi adiado, quero viver uma vida mas aqui me encontro, sem energia ou motivação para o fazer. Quero fazer longas caminhadas e sentir a chuva a bater-me na cara. Tenho sempre algo em que pensar, estou constantemente a imaginar outras situações, outros locais, outras pessoas (mas tu és indispensável!). Quero dizer-te tudo o que tenho a dizer e livrar-me deste sentimento, desta desgraça, certamente uma maldição, mas quando penso que te posso ver só me apetece fugir porque não tenho a coragem de te dizer o que me vai no coração. Não me consigo corrigir e penso sempre que falhei. Tento não culpar nem julgar, ser melhor pessoa do que o espelho me diz mas... só me encontro a lamentar.
Em tempos de refúgio...
Em tempos de refúgio...
terça-feira, 20 de Outubro de 2009
sábado, 10 de Outubro de 2009
3 a.m. Philosophy
Man are born demons.
They die and go to what they call "Heaven".
Then they're born again and make this life a living Hell.
Hell is not beneath us, the Devil doesn't makes us evil or consumes our souls. We have total conscience of our acts, we are the very definition of "evil".
They die and go to what they call "Heaven".
Then they're born again and make this life a living Hell.
Hell is not beneath us, the Devil doesn't makes us evil or consumes our souls. We have total conscience of our acts, we are the very definition of "evil".
quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
Céus Distorcidos
O nevoeiro ia alto e a noite calma, já serenada estava a mente. Não havia mais palavras, mais gritos, mais raiva, nada que alterasse o ambiente da mente jovem que assistia a um conflito. O mundo lá fora era tão calmo, olhava ele pela janela fora enquanto as cicatrizes se alojavam na sua memória e lhe faziam esquecer de quem era. A tempestade daquela noite decorria dentro de portas. Não podiam as lágrimas parar, os berros cessar? Tão jovem e já tão marcado por dentro, não poderia ele crescer e conhecer a realidade mais tarde? A noite continuava e nem uma gota de chuva caía dos tenebrosos céus.
Parecia que a caneta lhe escorregava das mãos. Não conseguia escrever, da forma como as suas mãos estavam a tremer. O sangue fervia, a dor cortava. Sentado sozinho no seu quarto, sentido-se abandonado, escrevia o que mais temia. Fechava os olhos e abandonava o seu quarto, a sua casa, voava para uma ilha, só ele e a sua felicidade. A sua infância era um vazio, as memórias eram distorcidas e havia mais demónios e sombras que sorrisos. Andava à deriva, perdido, magoado, se não se sentia em casa, em que cama poderia ele descansar?
Já o espírito era selvagem e a esperança o tinha abandonado, solitário rapaz que caminhava a noite bêbado e desesperado. Caminhava mecanicamente, o destino era-lhe igual, tudo lhe era cinzento na altura. A alegria foi-lhe arrancada na infância. Coração partido e alma corrompida, caminhava e bebia, trabalhava, sempre na mesma rotina. Não dormia, tinha pesadelos, não escrevia, rasgava o papel perante tanta raiva e frustração. Palavras não descreviam o que ele não sentia, apenas o que lhe doía. Tudo poderia ser superado, sempre acreditou, ingenuamente, mas até ela o abandonou.
Parecia que a caneta lhe escorregava das mãos. Não conseguia escrever, da forma como as suas mãos estavam a tremer. O sangue fervia, a dor cortava. Sentado sozinho no seu quarto, sentido-se abandonado, escrevia o que mais temia. Fechava os olhos e abandonava o seu quarto, a sua casa, voava para uma ilha, só ele e a sua felicidade. A sua infância era um vazio, as memórias eram distorcidas e havia mais demónios e sombras que sorrisos. Andava à deriva, perdido, magoado, se não se sentia em casa, em que cama poderia ele descansar?
Já o espírito era selvagem e a esperança o tinha abandonado, solitário rapaz que caminhava a noite bêbado e desesperado. Caminhava mecanicamente, o destino era-lhe igual, tudo lhe era cinzento na altura. A alegria foi-lhe arrancada na infância. Coração partido e alma corrompida, caminhava e bebia, trabalhava, sempre na mesma rotina. Não dormia, tinha pesadelos, não escrevia, rasgava o papel perante tanta raiva e frustração. Palavras não descreviam o que ele não sentia, apenas o que lhe doía. Tudo poderia ser superado, sempre acreditou, ingenuamente, mas até ela o abandonou.
quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
Pecado
A noite ia alta e a Lua tardia. A sua luz incidia sobre olhos incandescentes perante o amor perdido e achado, distante e tão perto do coração. Bastava um toque, um olhar, o mais leve suspiro. As ruas molhadas da chuva reflectiam a sua pressa em chegar à sua casa, de encontrar o seu corpo deitado na cama, esperando-o, ansiando-o, desejando-o, mais que a cera das velas a queimarem o seu corpo, mais que o doce e subtil toque dos seus lençóis de seda, mais que a queda da noite e o nascer da Lua, anunciando o retorno dele.
Ele já quase corria, era frenético o seu passo, perante tal obsessão quem o poderia censurar? As ruas pareciam demasiado grandes, a escuridão crescia a passos temerosos, a distância parecia aumentar. Já a realidade se trocava com a fantasia, a sua mente já não permanecia onde o seu corpo andava. O seu espírito já divagava perante a promessa feita na manhã, o desejo já não era carnívoro, aquela tentação já não podia pecado, aquele desejo era mais que carnal. Queria senti-la, queria que ela o sentisse, saciá-la, servi-la, ser tanto dela quanto ela era sua. O vento fazia voar a sua capa, assobiava tão violentamente que até o assustava. Àquelas horas na rua, com tal pressa, com tal fome, só podia ser pecado, pensariam as senhoras e senhores que o vissem na rua. Recolheu então a capa e afogou os seus pensamentos no lento e doloroso dia que teve e no mesmo que terá no dia seguinte. Tinha de haver algo a distraí-lo, os gatos assustados não serviam. Como estaria ela?
Ela... ela mordia os lábios, olhava para as horas, agarrava-se firme à cama para não cair. Olhava para a janela, via a Lua no céu, tão grande e branca, cercada por estrelas. Pensaria se alguma vez poderia ser como ela, se poderia ser ela, refugiar-se na sua frieza. Mas não o desejava mesmo. Queria apenas aqueles momentos, que lhe pareciam demasiado breves, em que ele entrava de rompante por aquela porta e a tomava nos braços, largando-a apenas na manhã seguinte quando tinha de abandonar o quarto para que a sua irmã não os descobri-se. Sabia quanto se podia afogar naqueles momentos mas sabia, acima de tudo, como tinha de ficar consciente para que aquilo se prolonga-se. Não podia ser pecado, como poderia algo tão doce e tão bom, algo que fazia sentir tão bem, que a permitia dormir descansada, ser pecado.
Corria a noite tão devagar, atrás do seu ritmo. Finalmente chegado às paredes em que se desejava confinar sobe as escadas, lentamente. O barulho tem de ser mínimo, se não nulo. A luz das velas chama-o, indica-lhe o caminho. Lá vê a silhueta, já desesperada, do seu encanto, da sua vida, da sua tragédia. Qualquer dia haveria de fugir, não aguentaria mais aquela tortura, mas para já isto era tudo aquilo que precisava. Entra no quarto e fecha a porta, não consegue esconder o sorriso que lhe corre a face e lhe aperta o coração. Escorre-lhe alegria quando vê o sorriso devolvido. Percorre-lhe as mãos pelo tronco e ancas enquanto sente os seus braços à volta do seu pescoço, sente os seus lábios no seus e ouve a sua respiração ofegante. Pega-a então como ela tanto o desejava, leva-a para os seus lençóis de seda e aí lhe reviva o espírito. As velas são acessórios, a Lua um espectador e os lençóis um complemento a tudo o que desejavam. Sente-se dentro dela, como que uma parte dela, vagueia-lhe a alma e descobre-se lá, quente, febril, desejado e bem, Enrolam as mãos e contorcem-se os corpos, fundem-se as almas. Mais uma noite que desejavam que fosse para sempre. O suor já lhes corria pelo corpo mas a energia continuava a mesma. A mesma vontade, o mesmo desejo, o mesmo amor. Poderia aquilo morrer? O tempo diria. Para já ficavam-se pela luz das velas, a cera que delas escorria e as sementes da virtude que se espalhavam pelo leito do amor. A febre aumenta enquanto a noite decorria...
Ele já quase corria, era frenético o seu passo, perante tal obsessão quem o poderia censurar? As ruas pareciam demasiado grandes, a escuridão crescia a passos temerosos, a distância parecia aumentar. Já a realidade se trocava com a fantasia, a sua mente já não permanecia onde o seu corpo andava. O seu espírito já divagava perante a promessa feita na manhã, o desejo já não era carnívoro, aquela tentação já não podia pecado, aquele desejo era mais que carnal. Queria senti-la, queria que ela o sentisse, saciá-la, servi-la, ser tanto dela quanto ela era sua. O vento fazia voar a sua capa, assobiava tão violentamente que até o assustava. Àquelas horas na rua, com tal pressa, com tal fome, só podia ser pecado, pensariam as senhoras e senhores que o vissem na rua. Recolheu então a capa e afogou os seus pensamentos no lento e doloroso dia que teve e no mesmo que terá no dia seguinte. Tinha de haver algo a distraí-lo, os gatos assustados não serviam. Como estaria ela?
Ela... ela mordia os lábios, olhava para as horas, agarrava-se firme à cama para não cair. Olhava para a janela, via a Lua no céu, tão grande e branca, cercada por estrelas. Pensaria se alguma vez poderia ser como ela, se poderia ser ela, refugiar-se na sua frieza. Mas não o desejava mesmo. Queria apenas aqueles momentos, que lhe pareciam demasiado breves, em que ele entrava de rompante por aquela porta e a tomava nos braços, largando-a apenas na manhã seguinte quando tinha de abandonar o quarto para que a sua irmã não os descobri-se. Sabia quanto se podia afogar naqueles momentos mas sabia, acima de tudo, como tinha de ficar consciente para que aquilo se prolonga-se. Não podia ser pecado, como poderia algo tão doce e tão bom, algo que fazia sentir tão bem, que a permitia dormir descansada, ser pecado.
Corria a noite tão devagar, atrás do seu ritmo. Finalmente chegado às paredes em que se desejava confinar sobe as escadas, lentamente. O barulho tem de ser mínimo, se não nulo. A luz das velas chama-o, indica-lhe o caminho. Lá vê a silhueta, já desesperada, do seu encanto, da sua vida, da sua tragédia. Qualquer dia haveria de fugir, não aguentaria mais aquela tortura, mas para já isto era tudo aquilo que precisava. Entra no quarto e fecha a porta, não consegue esconder o sorriso que lhe corre a face e lhe aperta o coração. Escorre-lhe alegria quando vê o sorriso devolvido. Percorre-lhe as mãos pelo tronco e ancas enquanto sente os seus braços à volta do seu pescoço, sente os seus lábios no seus e ouve a sua respiração ofegante. Pega-a então como ela tanto o desejava, leva-a para os seus lençóis de seda e aí lhe reviva o espírito. As velas são acessórios, a Lua um espectador e os lençóis um complemento a tudo o que desejavam. Sente-se dentro dela, como que uma parte dela, vagueia-lhe a alma e descobre-se lá, quente, febril, desejado e bem, Enrolam as mãos e contorcem-se os corpos, fundem-se as almas. Mais uma noite que desejavam que fosse para sempre. O suor já lhes corria pelo corpo mas a energia continuava a mesma. A mesma vontade, o mesmo desejo, o mesmo amor. Poderia aquilo morrer? O tempo diria. Para já ficavam-se pela luz das velas, a cera que delas escorria e as sementes da virtude que se espalhavam pelo leito do amor. A febre aumenta enquanto a noite decorria...
quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
A.M.O.T.E.
A.braço
M.ortal
O.stenta
- o
T.errível
E.ngano
Não me basta sonhar,
Não me chega pensar,
Sofro de tanto te desejar,
De tanto me relembrar que deixei esses teu lábios escapar...
São sedutoras, as mãos que emergem do desconhecido e nos agarram, desesperadas por viver e por dar vida. Assustador é tal o pensamento de que alguma vez viveu aqui o sentimento pois ele é a fonte da ignorância e é ele que nos deixa no escuro a tactear o mais infinito ar, procurando uma parede ou algo seguro a que nos agarrarmos. Desnorteados, somos nada, viemos do nada, procuramos o nada e sentimos o nada porque do nada nascemos e com nada morremos. Passa-nos a vida à frente, encostamos-nos a sorrisos e alegrias, a prazeres e luxúrias. Ocorre-me o pensamento, como podemos nós definir o interior com apenas uma palavra? Como podemos agregar tantas confusões, atirar um possível futuro por nada? Isto completa o nada que somos e o que desejamos ser. Não me parece justo definir o nosso interior com uma simples palavra, tal como não gostamos que sejamos etiquetados pelas roupas que vestimos, música que ouvimos ou ideologias/pensamentos que tenhamos.
Agora lembro das noites passadas, das horas que decorriam, o teu sorriso. Apercebia-me eu de que me estava a deixar enfeitiçar por ti, nem lutei contra tal, fui a favor da maré. Mudei, não por ti, mas porque tu me ensinaste tanto mais, mostraste-me que talvez a minha redoma pudesse ser um pouco mais alargada. Deste largas às minhas asas e encorajaste-me a fazer o que não me imaginei a fazer antes. Enquanto te via a ti, no tal desconhecido, como uma luz, diz-me o que viste aqui. Não usei palavras que acho ridículas, não por aquilo que devem descrever mas sim porque não descrevem nem parcialmente o sentimento. O sentimento é demasiado grande para pôr em palavras, para mostrar com gestos ou melodias. Terias de olhar nos olhos e procurar sem medo. Garanto que lá te encontrarias, bem guardada e segura. Não foi medo ou indiferença, não quis que fosses, não o és, não te posso dizer se serás ou não, apenas mais uma. Mas nisso me mostraste que eu era, cá eu me enterrei.
Que venham os despojos do pensamentos, os pecaminosos pedaços de sentimentos que se reúnem para formar um apenas, insuficientes em toda a sua grandeza e esplendor. Demasiado complexos o são, tentar compreendê-los é gastar o nosso tempo em vão, tentar usufruir de tal oferenda é forçar o que nada somos. Pois moldamos-nos conforme a pessoa que nos oferecer abrigo na noite. No final dizemos que foi tudo fingimento, uma ilusão, nunca houve ali nada porque a outra pessoa não era quem nos deu a entender. E a procura continua, tal como a mentira. Se há culpas a atribuir, porque não a nós? Porque são as pessoas vivem à nossa volta e não o mundo que gira connosco dentro dele.
M.ortal
O.stenta
- o
T.errível
E.ngano
Não me basta sonhar,
Não me chega pensar,
Sofro de tanto te desejar,
De tanto me relembrar que deixei esses teu lábios escapar...
São sedutoras, as mãos que emergem do desconhecido e nos agarram, desesperadas por viver e por dar vida. Assustador é tal o pensamento de que alguma vez viveu aqui o sentimento pois ele é a fonte da ignorância e é ele que nos deixa no escuro a tactear o mais infinito ar, procurando uma parede ou algo seguro a que nos agarrarmos. Desnorteados, somos nada, viemos do nada, procuramos o nada e sentimos o nada porque do nada nascemos e com nada morremos. Passa-nos a vida à frente, encostamos-nos a sorrisos e alegrias, a prazeres e luxúrias. Ocorre-me o pensamento, como podemos nós definir o interior com apenas uma palavra? Como podemos agregar tantas confusões, atirar um possível futuro por nada? Isto completa o nada que somos e o que desejamos ser. Não me parece justo definir o nosso interior com uma simples palavra, tal como não gostamos que sejamos etiquetados pelas roupas que vestimos, música que ouvimos ou ideologias/pensamentos que tenhamos.
Agora lembro das noites passadas, das horas que decorriam, o teu sorriso. Apercebia-me eu de que me estava a deixar enfeitiçar por ti, nem lutei contra tal, fui a favor da maré. Mudei, não por ti, mas porque tu me ensinaste tanto mais, mostraste-me que talvez a minha redoma pudesse ser um pouco mais alargada. Deste largas às minhas asas e encorajaste-me a fazer o que não me imaginei a fazer antes. Enquanto te via a ti, no tal desconhecido, como uma luz, diz-me o que viste aqui. Não usei palavras que acho ridículas, não por aquilo que devem descrever mas sim porque não descrevem nem parcialmente o sentimento. O sentimento é demasiado grande para pôr em palavras, para mostrar com gestos ou melodias. Terias de olhar nos olhos e procurar sem medo. Garanto que lá te encontrarias, bem guardada e segura. Não foi medo ou indiferença, não quis que fosses, não o és, não te posso dizer se serás ou não, apenas mais uma. Mas nisso me mostraste que eu era, cá eu me enterrei.
Que venham os despojos do pensamentos, os pecaminosos pedaços de sentimentos que se reúnem para formar um apenas, insuficientes em toda a sua grandeza e esplendor. Demasiado complexos o são, tentar compreendê-los é gastar o nosso tempo em vão, tentar usufruir de tal oferenda é forçar o que nada somos. Pois moldamos-nos conforme a pessoa que nos oferecer abrigo na noite. No final dizemos que foi tudo fingimento, uma ilusão, nunca houve ali nada porque a outra pessoa não era quem nos deu a entender. E a procura continua, tal como a mentira. Se há culpas a atribuir, porque não a nós? Porque são as pessoas vivem à nossa volta e não o mundo que gira connosco dentro dele.
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Um brilho nos olhos
Preciso de me exprimir, contar toda a verdade, não esconder nada, porque a minha consciência me pesa, porque a escuridão me atrai, porque o desdenho que vejo nos olhos de desconhecidos me trai. E aí as palavras deixam de fazer sentido, os gestos são banais e as memórias são tudo a que nos pegamos numa noite fria onde não há mais lugar na alma para mais destruição. Desperdício de recursos e forças, seres entregues à sua execução por opção própria, como ratos, pequeno, impotentes, vazios absolutos. No seu egoísmo, são cegos à sua própria condição e lançam pragas à divindade que os criou, pelas dores, pelos seres, pelos caminhos que sozinhos escolheram e neles se perderam. Sem vergonha gritam à noite perjúrio na esperança de haver ajuda ali mas a única ajuda que encontram é aquela que sempre rejeitaram. Então caem, são a multidão que furo, ignoro, desprezo. Até ver a face dela, aí caio num estado estático, onde a destruição deixa de ser a alma mas algo a fugir. A sua angélica face, a sua doce voz, tudo o que ela é, procuro mais isso do que um bocadinho de morte.
Derivo no meu delírio, onde me falta a inteligência e a originalidade, onde sou comum, parte da multidão. Não nota em mim, ignora-me, despreza-me, fura-me o coração com uma estaca e o vazio fica onde o amor outrora foi. Mas há esperança, tanta quanto as estrelas no céu negro, na imensidão do Universo onde ela é nada, mais multidão, excepto a meus olhos. Admito que sou louco, perdido, um apaixonado que não sai do seu estado porque é confortável, porque gosta de aí estar, simplesmente porque gosto de a ver, ainda que ela seja distante e desconhecida. Não preciso de dias, de letras, de pessoas. Preciso da sua visão e da sua voz - não em mim - tão perto de mim que possa realmente tocar-lhe, minha divindade mascarada de dor. Conhece-la, ser-lhe algo mais, oferecer-lhe o meu ser por completa estabilização da minha mente. Egoísta! Como posso ver dor nos seus olhos e ainda querer-la para mim. Mudo de mim para sombra e observo à distância, sem nada fazer, esperando o tempo.
Afundando-se mais no seu buraco negro, estendo uma mão para a apanhar, tento ser a luz que tanto ela repele com os olhos. Se apenas ela visse o brilho nos seus olhos, se ao menos entende-se o significado dos meus. Mas não falo, não me exprimo, não quero ser mais dor. Posso tentar dar-lhe mais, ser-lhe mais mas mais ela se afunda, mais ela foge, mais ela se refugia no seu canto, pequena como ela é, onde não consigo chegar. Ainda estendo a mão, tanto por ela como por mim, esperando o seu toque. Dar-lhe uma flor para quando ela chegar aqui, puxada pela corrente da minha vontade, pintar-me da forma que ela quer para que eu seja alicerce da sua sobrevivência. Tudo para a ter aqui, nem que seja um retrato vivo do egoísmo que trará a completa morte do meu sorriso, nem que mate tudo o que sou. Tudo isto para algum dia dizer-lhe o que significa o brilho nos meus olhos porque eles só brilham quando a vejo e porque a vejo.
Derivo no meu delírio, onde me falta a inteligência e a originalidade, onde sou comum, parte da multidão. Não nota em mim, ignora-me, despreza-me, fura-me o coração com uma estaca e o vazio fica onde o amor outrora foi. Mas há esperança, tanta quanto as estrelas no céu negro, na imensidão do Universo onde ela é nada, mais multidão, excepto a meus olhos. Admito que sou louco, perdido, um apaixonado que não sai do seu estado porque é confortável, porque gosta de aí estar, simplesmente porque gosto de a ver, ainda que ela seja distante e desconhecida. Não preciso de dias, de letras, de pessoas. Preciso da sua visão e da sua voz - não em mim - tão perto de mim que possa realmente tocar-lhe, minha divindade mascarada de dor. Conhece-la, ser-lhe algo mais, oferecer-lhe o meu ser por completa estabilização da minha mente. Egoísta! Como posso ver dor nos seus olhos e ainda querer-la para mim. Mudo de mim para sombra e observo à distância, sem nada fazer, esperando o tempo.
Afundando-se mais no seu buraco negro, estendo uma mão para a apanhar, tento ser a luz que tanto ela repele com os olhos. Se apenas ela visse o brilho nos seus olhos, se ao menos entende-se o significado dos meus. Mas não falo, não me exprimo, não quero ser mais dor. Posso tentar dar-lhe mais, ser-lhe mais mas mais ela se afunda, mais ela foge, mais ela se refugia no seu canto, pequena como ela é, onde não consigo chegar. Ainda estendo a mão, tanto por ela como por mim, esperando o seu toque. Dar-lhe uma flor para quando ela chegar aqui, puxada pela corrente da minha vontade, pintar-me da forma que ela quer para que eu seja alicerce da sua sobrevivência. Tudo para a ter aqui, nem que seja um retrato vivo do egoísmo que trará a completa morte do meu sorriso, nem que mate tudo o que sou. Tudo isto para algum dia dizer-lhe o que significa o brilho nos meus olhos porque eles só brilham quando a vejo e porque a vejo.
sábado, 18 de Abril de 2009
Freebird - Lynyrd Skynyrd [letras]
If I leave here tomorrow
Would you still remember me?
For I must be travelling on, now,
'Cause there's too many places I've got to see.
But, if I stayed here with you, girl,
Things just couldn't be the same.
'Cause I'm as free as a bird now,
And this bird you can not change.
Lord knows, I can't change.
Bye, bye, its been a sweet love.
Though this feeling I can't change.
But please don't take it badly,
'Cause Lord knows I'm to blame.
But, if I stayed here with you girl,
Things just couldn't be the same.
Cause I'm as free as a bird now,
And this bird you'll never change.
And this bird you can not change.
Lord knows, I can't change.
Lord help me, I can't change.
Would you still remember me?
For I must be travelling on, now,
'Cause there's too many places I've got to see.
But, if I stayed here with you, girl,
Things just couldn't be the same.
'Cause I'm as free as a bird now,
And this bird you can not change.
Lord knows, I can't change.
Bye, bye, its been a sweet love.
Though this feeling I can't change.
But please don't take it badly,
'Cause Lord knows I'm to blame.
But, if I stayed here with you girl,
Things just couldn't be the same.
Cause I'm as free as a bird now,
And this bird you'll never change.
And this bird you can not change.
Lord knows, I can't change.
Lord help me, I can't change.
sexta-feira, 10 de Abril de 2009
São as paredes brancas
Farto destas paredes brancas a seguirem-me para todo o lado, cedo caio no chão da impureza e encontro lá o meu espelho há tanto tempo partido. Que tenho eu de dar ao mundo para estas paredes caírem para me deixarem ver a liberdade do céu azul e cinzento? Já tenho as mãos manchadas de sangue, limpo-as com a língua para saciar a minha sede e perder um pouco mais da minha sanidade. Já fiz o sacrifício de me levantar, voltar a sentar-me e esperar por um novo monstro para tomar conta. Já perdi sem nunca a ter, já a dei sem sequer a possuir, já a garanti sem sequer ter estado dele. E se a predefini foi porque um dia não consegui revelar força para seguir em frente e ser eu próprio. E, se sou eu próprio, que venha então outro monstro para mais uma vez manchar as mãos de sangue voltar a sentar-me, desta vez esperando nada, desta vez ser nada senão o silêncio que tanto espero e que tão devoto dele sou. Devoção cega, talvez ambição cega de me enganar outra vez, de ir contra outro muro, para ser mais um, para escalar o monte que toda a gente escalou para congelar no topo ou cair outra vez no chão. Tantas palavras e no final não consigo descrever o que quero ou o que sinto. Sinto ou escondo, na realidade. Quero uma parede de nuvens azuis do céu um chão verde da relva onde eu me possa sentar e relaxar.
Neste dia há um milhão de gotas que caem em cima de mim, que me limpam da sujidade que vou voltar a ganhar mal saia debaixo desta queda da água. Neste dia há um milhão de seres que se espalham por aí e fazem o mesmo que eu, parasitas, monstros, sombras, silêncios, Universos, mundos, realidades, destruição no seu conjunto imperfeito. E estes micro-organismos, que são para mim? Que fazem dentro de mim, porque se entranham dentro dos meus pensamentos e pesadelos, porque criam estas insónias, serei eu não outro ser que não um animal nocturno, deficiente à imagem humana, imperfeito à tal predefinição da sociedade humana, um exemplo daquilo que não se quer que as crianças sejam? Mas à superfície somos todos estranhos para os outros, no escuro não reconhecemos as faces ou as feições, será que aí ainda sentimos, odiamos e criamos predefinições? E então que importa a pele, os lábios, os seios, todas as líricas eróticas, todos os beijos? Importamos nós, o nosso pensamento retrogrado ou fechado, a nossa mente fechada e o nosso egoísmo, as nossas exclusividades para com a dor dos outros que nos rodeiam. Queremos os dias a passarem com única e exclusivamente aquele canto da nossa mente representado em carne ao nosso lado, sempre ao nosso lado. Apresentamos loucura e somo-la porque assim nos criaram ou assim acabámos por a conhecer e lhe apertar a mão com um sorriso. No fundo somos crianças na inocência da ignorância de como o Universo maior que o nosso mundo conjunto funciona.
Liberta o génio, destrói as mentes, sê diferente, consume o pouco que te resta, é uma vida tua e um direito a não reclamares. Toda a vida uma prisão, constantemente a demência ataca os fracos e a idade não perdoa esta fluorescente mente que ultrapassa o imaginário e o transparente. Supera as tuas dificuldades e torna-te o ser perfeito. Limita-te à tua insignificância, desiste dessa tua altitude imaginária. Difícil é definir que caminho seguir, quem ser, quem conhecer, o que algum dia esperamos ser. Aí não vão ser prados verdes, não vão ser arco-íris e uma vida que nos sonharam antes de sequer nos terem permitido pensar. Já nos disseram palavras, já nos caracterizam antes de abrirmos os olhos. Quem lhes deu permissão, quem permitiu que nos tocassem, que nos mostrassem o mundo, que nos falassem e contassem? Não somos mais donos de nós próprios, não somos uma revolução em crescimento, uma manifestação que abandona protestos durante a noite e se levanta outra vez durante o dia? Afinal parece que somos pedaços de cartões, corações partidos e mentes limitadas ao que os outros predefinem para nós. Já não somos donos de nós próprios. A dor já não é nossa, é de todos os outros. E para isso digo, que se foda a dor, é psicológica, que se lixe o futuro, é nosso para mudar, que sejamos nós próprios na menos mentira que consigamos encontrar.
Neste dia há um milhão de gotas que caem em cima de mim, que me limpam da sujidade que vou voltar a ganhar mal saia debaixo desta queda da água. Neste dia há um milhão de seres que se espalham por aí e fazem o mesmo que eu, parasitas, monstros, sombras, silêncios, Universos, mundos, realidades, destruição no seu conjunto imperfeito. E estes micro-organismos, que são para mim? Que fazem dentro de mim, porque se entranham dentro dos meus pensamentos e pesadelos, porque criam estas insónias, serei eu não outro ser que não um animal nocturno, deficiente à imagem humana, imperfeito à tal predefinição da sociedade humana, um exemplo daquilo que não se quer que as crianças sejam? Mas à superfície somos todos estranhos para os outros, no escuro não reconhecemos as faces ou as feições, será que aí ainda sentimos, odiamos e criamos predefinições? E então que importa a pele, os lábios, os seios, todas as líricas eróticas, todos os beijos? Importamos nós, o nosso pensamento retrogrado ou fechado, a nossa mente fechada e o nosso egoísmo, as nossas exclusividades para com a dor dos outros que nos rodeiam. Queremos os dias a passarem com única e exclusivamente aquele canto da nossa mente representado em carne ao nosso lado, sempre ao nosso lado. Apresentamos loucura e somo-la porque assim nos criaram ou assim acabámos por a conhecer e lhe apertar a mão com um sorriso. No fundo somos crianças na inocência da ignorância de como o Universo maior que o nosso mundo conjunto funciona.
Liberta o génio, destrói as mentes, sê diferente, consume o pouco que te resta, é uma vida tua e um direito a não reclamares. Toda a vida uma prisão, constantemente a demência ataca os fracos e a idade não perdoa esta fluorescente mente que ultrapassa o imaginário e o transparente. Supera as tuas dificuldades e torna-te o ser perfeito. Limita-te à tua insignificância, desiste dessa tua altitude imaginária. Difícil é definir que caminho seguir, quem ser, quem conhecer, o que algum dia esperamos ser. Aí não vão ser prados verdes, não vão ser arco-íris e uma vida que nos sonharam antes de sequer nos terem permitido pensar. Já nos disseram palavras, já nos caracterizam antes de abrirmos os olhos. Quem lhes deu permissão, quem permitiu que nos tocassem, que nos mostrassem o mundo, que nos falassem e contassem? Não somos mais donos de nós próprios, não somos uma revolução em crescimento, uma manifestação que abandona protestos durante a noite e se levanta outra vez durante o dia? Afinal parece que somos pedaços de cartões, corações partidos e mentes limitadas ao que os outros predefinem para nós. Já não somos donos de nós próprios. A dor já não é nossa, é de todos os outros. E para isso digo, que se foda a dor, é psicológica, que se lixe o futuro, é nosso para mudar, que sejamos nós próprios na menos mentira que consigamos encontrar.
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