domingo, 15 de abril de 2012

King of his own land

Each day he greeted his people from night till morrow,
With each day turned night his joy would turn sorrow.

Vile nights those he spent alone,
The scent of her skin was gone.

At night his kingdom turned to darkness,
At night his power turned to loneliness,
Laying on a cold steel bed by himself.

Ever since a child he was burdened
With power that left him abandoned,
With territory so empty in his imagination.

All would be forgotten,
Everything he owned rotten.

All but ghosts left to tell
The tales of what the kingdom was.

And the fool, he who is me,
Jests while living vicariously,
Watching the kingdom burn in silence.

Time greets death with a grin
And with the wind the embers spin,
Turning all my words to ashes.

All conquered can be lost,
Even a kingdom can become a ghost.

Everything you see can also disappear
Even a kingdom can easily sear.

quinta-feira, 22 de março de 2012

For a maiden's heart

A maiden lost in not only heart but mind,
A maiden that something has lost and that something needs to find.

Truth be written here,
Thou doth has eyes to see and ears to ear,
Ear thus my humble plea and read this story,
Of this fair maiden whose heart came torn
And whose soul would be sworn to be worn
Until it became a pale ghost.

As Winter came nigh
And day became night,
Thus the maiden mindlessly roamed the woods,
Following her shadow through trees and roots,
Smiling innocently as the moon shone over her
And the air became damp and darkness heavier.

Shadow follows shadow and merges
Out of the darkness a figure surges,
Whispers it words that only the wind can ear
Giving the maiden a chill no one wants to feel,
Walking slowly as hand reaches for hair
That runs away from his grasp, as desperate as fair.

The clouds slowly cover the moon
And the wolves howl by the moor,
Their souls brave and their fears bind and stale,
Towards the maiden they run to save her from bane,
Moving with haste in her direction
Commanded by a mind that thinks only of her salvation.

A forest pitch black is now stained with the colour of life,
All that in darkness dwells has seen failed all of its strife.
Came with the winds, the wolves and snakes bite the figures limbs
And the maiden's heart calms and her revolving mind finally stills.
Back to shadows the figure goes, forming pools of blood in its goodbye,
At last all is calm and the maiden sighs, a low note starts a cry, the maiden heart's shy.

A maiden lost in the woods accompanied by wolves and snakes, her heart's still,
A man's mind at ease for all that was lost has been found, finally his heart can be revealed.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Um dia diferente dos outros

Já vi loucuras mais declaradas passarem à minha frente e assumirem-se dignas de atenção de outros sem qualquer justificação. Todas juntas constituem os momentos mais notórios da minha vida. Vida triste, não é verdade? É capaz mas quem me conhece sabe que pouco me interessam as histórias de dor e amor. Talvez por isso esteja tão disposto a largar as minhas memórias e formar novas. Deixo apenas os erros. Lembro-me deles ocasionalmente, deixam-me envergonhado e furioso comigo próprio. Tenho a certeza que se tivesse um clone que me espancaria quase até à morte. Enraivecido, louco, ignorante, que será de ti? - pergunta-me a consciência. Não sei mas a vida continua.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Do dia para a noite

Não queria mas tinha. Tinha de silenciar a morte, tinha de congelar o tempo. Ajudou convencer-me de que o conseguia, tinha de me converter à minha crença de que a mente de tudo é capaz, o físico não é o limite. Para isso caminhei o necessário e o desnecessário, vi pessoas que já esqueci e passei por paixões que se incendiaram e se extinguiram ao passo de uma batida do coração. Eu próprio afectado por todos estes acontecimentos senti-me cansado, esgotado. Apressei-me a casa e deitei-me, fechei os olhos e sonhei com a porta onde o corvo pousou e falou pela primeira vez.
Esperei a manhã, deitado e silencioso, possuído por um espírito que me inquietou os sonhos. A sua face era transparente e nenhuma boca se apresentava a mim mas repetidamente ele me cantou palavras que desconhecia à superfície mas que me eram tão conhecidas no âmago do meu ser como o sangue que hoje me corre nas veias. Hesitei perante tal aparição e silencioso me mantive, a luz do Sol tardava mas ainda preservava esperança de a ver passar pelas gretas e iluminar o meu quarto. A escuridão não durará para sempre, pensei eu. Mas a escuridão sempre voltará, respondeu-me o espírito.
Tocou-me suavemente, o seu sussurro, amigo ou inimigo, de humano esquecido ou besta temida, desconheço a sua origem, já não era suficiente. Despertou-me do meu sono eminente, deixou-me os sentidos alertados e o pânico à porta de entrada da mente. Rapidamente liguei a luz e olhei à volta do quarto, nenhum vulto se mexeu ou anunciou. Olhei fixamente para a parede branca que se apresentava à minha frente e imaginei o limite do possível. Contentei-me com o que vi e ignorei tudo o resto, voltei a desligar a luz e a sonhar com o corvo. Percebi então porque é que os sussurros não eram suficientes, o vento lá fora crescia bravo ao ritmo do aparecimento do Sol.
O Sol nasceu como era esperado e a minha vez de me levantar chegou. Mais pesado hoje do que ontem, saí da cama. O peso do mundo voltei a carregar hoje e nenhuma palavra ou toque chegou aqui para aliviar o fardo. Então caminhei novamente, o céu ainda não completamente conquistado pelo Sol. Nada vi e tudo me pesou. Lembrei-me de palavras ditas, de todas menos das ditas pela noite. Então parei e em mim caí, o espírito não se apresentou mas com palavras de aviso me presenteou, do dia para a noite tudo o que não é amor ameaça cair. Assim pronunciei o nome dela aos céus e esperei que ela não me escapasse para o reino dos espíritos como aquela que encantou o desafortunado que teve o corvo à sua porta.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Nova interpretação

Encontrámos um sítio seguro para depositar as nossas esperanças e palavras, sentimentos e pensamentos. Encontrámos um cofre e lá depositámos tudo o que queríamos despojar cá para fora, olhámos-nos olhos nos olhos, apertámos um pouco mais as mãos e finalmente largámos, libertámos-nos de toda a tensão. Virámos as costas ao cofre onde nos guardámos, virámos as costas um ao outro e a nós próprios e caminhámos um direcções diferentes. Por um prado vasto onde o horizonte é indefinido, onde o desconhecido se apresenta infinito e solitário. É assim que o interpreto.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Partir no silêncio

Olha os pássaros a sobrevoarem o meu abismo. Interiormente caio, à superfície do meu exterior resido. À pele o vento canta mas não o deixo ser ouvido, não se enquadra com a minha realidade. Ele apenas me traz o frio e o frio não me é bem-vindo. Até os céus azuis e dias repletos de risos e abraços são afastados como a sensação do vómito quando nos sobe à boca. São estes os meus dias e as minhas noites. São todos os pensamentos perdidos, as frases de um poeta inspirado que já morreu, horas passadas a procurar um significado para as suas palavras que existem com coerência mas sem justificação. Determino que é uma procura incessante e tempo desperdiçado, deixo a noite virar manhã e finalmente fecho os olhos.
Deita-te na relva e vislumbra o céu. Está vazio. Está assim por um simples facto: tens os olhos fechados. Deixaste envolver nas tuas definições de loucura e verdades definidas que te esqueces que a vida não é assim tão simples, é uma espada de dois gumes. Presento-te com esta verdade e tu abres relutantemente os olhos. Vês todas as cores, compreendes de onde vêm os gritos e risos das crianças, percebes onde estás. Levantas-te e perguntas-me porque estou aqui. Não tenho resposta. Posso, no entanto, dizer-te que sou um silêncio voluntário que cresce regularmente e ao qual te vais aos poucos habituando. Se não estás satisfeita posso sempre partir. Não tens que o pedir ou ordenar, tens simplesmente que olhar para o horizonte e incorporares o silêncio. Aí deixar-te-ei sozinha com os teus pensamentos e as tuas loucuras. Partirei mas isso não me deixará satisfeito. Deixar-me-à incompleto, igual ao que sou perto de ti. É assim que me conheces e é esse o pouco que te ofereço.
Vejo os pássaros a voarem tão simplesmente, tão abstraídos desta realidade que ocorre no chão. À superfície posso parecer calmo, posso ser razoável ou introvertido mas no interior estou perto de explodir, cada minuto que passa, cada toque sentido, cada palavra sem sentimento que me atinge é apenas mais um passo perto do abismo. E lá há tanta escuridão. Escuridão que nos rodeia e conquista, que torna felicidade em medo, o medo em pânico e o pânico no silêncio das nossas almas. Mas não haverá mais caminhos a tomar, mais separação ou conflito a resolver. Será a isolação dos pensamentos, a tranquilização da alma. Será a solução da nossa guerra, ambos os nossos interesses resolvidos e satisfeitos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Tenho de te dizer

Tenho de te dizer, talvez já fosse tempo de tudo isto acontecer. Já passou o tempo de ser o que quer que fosse que estivesse destinado. É uma vergonha desperdiçar mas nada se perde nada se nada se teve para começar, certo? Suponho que tenha sido um tolo por lutar sozinho contra a maré... não bem contra a maré, mais contra ti. Agora parece que nada significou, nada foi. E talvez seja para o melhor, neste mundo que me é desconhecido estou habituado a andar sozinho, em silêncio. A tua voz era demais para eu aguentar, especialmente quando a tua pele me recusava e os teus lábios deslizavam para fora do meu alcance.
Fui o aclamado mestre de ilusões, a minha maior mentira foi a mim próprio. Menti-me, esperançoso de que as palavras que são tão facilmente ditas, escritas, pensadas fossem verdades. Dediquei-me a ser um suporte, uma viga que teima ceder. No final sinto que o edifício caiu todo sobre mim. E eu sozinho carrego o peso do mundo às costas, com tantos espinhos cravados na garganta, tão cansado de aguentar este peso nas minhas costas. Penso tantas vezes em ceder mas dar valor à tua existência é uma nova batalha que travo. Verifica-se algo, no entanto, subsisto do pouco prazer que me dás no meio de tanta dor.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

The return to the undefined

We're made of highs and lows. We make mountains out of molehills and we disturb the wind with screams of war replaced by moans of eternal passion. We go back to war for power and leave everything that makes us human behind. This is the essence of the human that walks in this land. Blood-red sky, dark trees, enlightened minds with thirst for destruction and havoc, poverty rules these streets. It's an empty kingdom after all. The funny thing is I have a feeling I've been here before...
Ah, I remember it now. This is the kingdom of the forsaken, where the king-knight reigns, where I saw his smile for the first time and carved it in my memory. I have spoken of this land so many times, many more did I wish to return but never again did I lose myself and was able to come back. Now here I am. But there is no knight to greet me, no dark forest, no perils to endure along the way. All that I see before me is cold cement and an empty hill. The flag is still blown by no wind but the kind is no longer there. I approach the same spot where I once sat and look to the other side of the hill. What I see is only devastation, a war that left our world and continued on this.
I walk further, I enter a city with sky-scrappers built of broken glass and corroded iron. No soul to be found, no king or knight to explain this sight to me. No one to guide back to my own world. This is a frightening thought. Fortunately it's interrupted by a shout of a familiar voice:
"Get out of there, they'll see you."
I look back and inside a building there he is, the knight with his usual blank expression but looking a bit more tired, as if had aged.
- "What happened here?" - I ask him.
"Everything was given and all was taken."
- "Taken by who?"
"Everyone. My king showed it all, sea and sky, even the trees. He let them in, it was their time. And they took it all. Even the birds."
- "Is he still alive?"
"I am" - he slowly approach us from the shadow behind the knight - "I have to say that your appearance provokes both sorrow and joy. Your presence is such and earthly sight, specially after the devils that have taken over my great kingdom."
- "What devils? Who are they?"
"They are of your time. But they are not of your kind. These man dream of machines, war and death."
- "But who ar-"
"You must go back now. Back from where you came. This is not your place nor your fight. Your purpose here exists no longer and a new one is yet to be created. Go back to your world and write tales of war where life ceases to exists. Take advantage of the fear you see here and give to the people in your world. Make it right for when you return I'll want to sit with you on the hill and talk of philosophy, life and love. Go quickly and return only when time stops for you and for you alone."
I came back the way that I walked, desolated for seeing such misery and desperate for a sight of that smile. I came back and wrote, feared and loved. I came back and I write now with the purpose to come back to that hill, to see his kingdom his once again. I'll wait my time and hope for it to be enough to restore sanity into is weary head.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Por vezes

Por vezes não conseguimos ver o que temos à nossa frente, por não haver espaço ou por simplesmente não querermos ver. Por vezes basta-nos um caminho, uma memória, uma companhia para nos fazer ver. Talvez o que chega é desesperar por algo, voltar a casa e não o ter. Penso que isto nos faz aperceber de que precisamos simplesmente de seguir em frente. Porque uma casa vazia por vontade é sempre melhor que uma casa cheia de estranhos a falar de tópicos vazios.
É preciso um compasso de espera até voltarmos a erguer-nos de manhã no frio do Inverno. Os lençóis estão quentes, em oposição ao ar do quarto. Mas na cama divagamos e imaginamos o impossível: quebrar aquela barreira da pessoa impassível. Sorrimos e sonhamos até voltarmos à consciência de que nada daquilo aconteceu, provavelmente nunca irá acontecer. Então rogamos ao frio e ao Inverno, sejam complacentes e permitam o retorno do Verão e do calor para podermos sair da cama, caminhar pelas ruas e sentir a brisa a aclamar a calma da alma. Mas é tudo um sonho. Por vezes querer não basta.
Por vezes basta um velho trilho, uma lembrança, uma chuva para nos abrir os olhos e permitir-nos ver o que existe ao nosso redor, uma mão cheia de nada para além da nossa luta vã contra um muro sólido. Invariavelmente somos derrotados. Existe um limite até onde podemos lutar antes de baixarmos os braços e resignarmos-nos à nossa condição permanente. Por vezes o silêncio chega-nos. A mim basta-me.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Coração ou mente

Se eu tivesse de escolher
Coração ou mente,
Escolheria o errado
E rezaria pelo certo.

Se eu tivesse de esconder
O meu lado consciente,
Por querer ver-lo sanado,
Fá-lo-ia de coração aberto.

Porque o tempo não remenda
Os cortes na alma que deixaste,
O vento não leva facilmente
As nossas desavenças e amuos.

Se eu os tivesse todos à venda,
Os sentimentos que em mim deixaste,
Bastar-me-ia tocar-te levemente
E tu leva-los-ias, afastarias os nossos mundos.

Se eu tivesse de escolher
Coração ou mente,
Vencia a minha lógica,
Ignorava o instinto,
Levava a doença crónica
Do sentimento, de todo o sentido.

Se to dissesse, mentia.