sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Preparação para batalha - Capítulo 2

Assim que aterrámos em terra firme, fomos escoltados por elfos até à presença do seu rei. Observei atentamente as armaduras com siglas desconhecidas até ao mais sábio imortal. Mas não me pareciam palavras de paz, nem me davam sensação de tranquilidade. As suas armaduras brilhavam à luz das tochas acesas, as suas caras estavam duras e frias, prontas para a guerra que se seguiria. Mentalizaram-se de que havia a grande possibilidade de morrerem na sua batalha, não chorariam nem implorariam por misericórdia quando deitados na lama, feridos e a sangrar profundamente. Encaravam essa morte com dignidade e orgulho. Guerreiros poderosos e destemidos, dignos de histórias contadas para toda a amaldiçoada eternidade. A cada passo seu, a terra tremia e o céu estremecia. O silêncio reinava por entre estes soldados. Seguimos o rei dos elfos e outros vários elfos para a tenda do rei, onde os planos de batalha se encontravam e todo o nervosismo e ansiedade se encontravam. Sentia-se a ansiedade no ar no entanto todos os elfos se mantiam calados.
-Sentem-se! - disse o rei fazendo um sinal com a mão, apontando para dois sofás majestosos, cobertos em veludo, encostados a cada canto da tenda. -Gostaria de saber o que fazem no nosso campo. Fui informado pelos guardas que tinham entrado mas nada fiz por pura curiosidade. Creio que não seja uma pergunta muito difícil de responder.
- Eu estou aqui de passagem. Peço a sua permissão para atravessar a sua majestosa e maravilhosa floresta de forma a continuar o meu caminho. Não quero lutas nem confusões, apenas me encontrar com o meu destino. - Disse eu com uma voz calma e baixa de forma a mostrar respeito, a deixar perceber que sabia que estava na presença de um rei. - Não o queria ofender de maneira alguma.
- Nada disso. Penso que é bem sabido que apenas atravessam a minha floresta quem eu quero. E você senhora, que faz atravessando a minha floresta? Supôs que viesse com ele mas nada disse que confirmasse as suas palavras.
Olhei para ela de forma a tentar descodificar a sua expressão mas a sua cara mantinha a forma rígida e bela. Ela olhou para mim com os seus olhos verdes. Por momentos perdi-me nos seus olhos mas voltei a mim mesmo quando senti o olhar do rei também sobre mim. Apenas então ela falou:
- Eu ando a seguir Ollan. Tal como ele disse, ele procura o seu destino. O mesmo eu o faço. Sigo-o porque penso que ele faz parte do meu, mesmo que ele rejeite essa ideia. - Ela parecia cada vez mais segura de si a cada palavra dita.
- Assim é a vossa história. Não confio totalmente no que dizem, o que espero que compreendam pois estamos em vésperas de batalha e os meus soldados estão apenas metalizados para a total aniquilação do nosso inimigo. Por isso, cada ser que nos encontre e não seja elfo com uma bandeira nossa, é considerado inimigo. A vossa sorte foi terem sido reconhecidos como uns dos poucos dos imortais.
- Contra quem será esta batalha?
- Avançamos para o desconhecido. Apenas sentimos que há uma força negra a ganhar energias para além das Vouhlt. Para lá nos dirigimos. São convidados em pernoitarem connosco mas terão de abandonar a floresta assim que nós partirmos.
-Agradeço a sua ajuda e aproveito-a. Também preciso de descansar.
- Também a agradeço e aproveito.
- Muito bem, direi a alguns soldados para montarem uma tenda para ambos. É o melhor que vos posso dar.
Assim deixámos a tenda do rei e caminhamos para as luzes das tochas...


Continua...

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